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Jornal A Hora

Pensar Lajeado

Publicada em 26/01/2016

Vontade de crescer faz parte da identidade

Polo regional, a maior cidade do Vale do Taquari completa 125 anos no dia 26 de janeiro. Para os moradores, a comemoração se sustenta nos altos índices de crescimento. A cada ano, mais pessoas se mudam para Lajeado. As oportunidades de trabalho, de estudo e a qualidade de vida acima da média preponderam para a escolha dos novos habitantes. Em paralelo, há uma extensa lista de carências eloquentes que desafia a comunidade local e alerta para o desenvolvimento desordenado.

Crédito: Arquivo A Hora A característica rural, predominante até poucas décadas, é substituída por um acelerado crescimento urbano. A mudança de perfil da cidade impacta na vida...
A característica rural, predominante até poucas décadas, é substituída por um acelerado crescimento urbano. A mudança de perfil da cidade impacta na vida...

De cidade rural, Lajeado se tornou referência regional e alcançou status de “capital” do Vale. A atividade primária foi substituída pela indústria, pelo comércio, pela construção civil e pela prestação de serviço.

Em 30 anos, ganhou moradores, se urbanizou e evolui. Desenvolvimento calcado no empreendedorismo, trabalho e na vontade de crescer. Pelo IBGE, está entre as mais desenvolvidas do RS e país. Antigo distrito de Estrela, o município comemora neste dia 26 de janeiro 125 anos de emancipação.

De lá para cá, todo o fortalecimento da economia, expansão demográfica e modernização resultaram melhorias na qualidade de vida da população. Mas também traduz mazelas emergentes. No fim de 2015, o IBGE divulgou o PIB per capita dos municípios do país.

Lajeado está em posição de destaque, no ranking estadual, das 463 cidades, está entre as 80 melhores. Segundo o levantamento, a média da produção de riqueza por pessoa supera R$ 37 mil. Dentro dessas características locais, o misto de trabalho, educação e qualidade de vida é um diferencial para manter moradores e atrair pessoas de outras cidades.

Natural de Lajeado, o industriário Nelson Ferreira da Silva, 37, morou na capital, onde trabalhou por seis anos e se profissionalizou como técnico em eletrônica. “Sempre tive relação com Lajeado. Quase todo fim de semana vinha para cá, ficar com minha família e com minha namorada.”

Decidiu voltar faz cinco anos. Nesse período casou e hoje tem dois filhos (um com 3 anos e outro com 9 meses). Para ele, Lajeado oferece condições para crescer profissionalmente e ainda ter tempo para o lazer e entretenimento. “Depois do trabalho, temos onde ir. Uma praça, o shopping. Nos fins de semana, sábado é para jogar futebol com os amigos.”

Com mais de 78 mil habitantes (estimativa do IBGE de 2014), a população aumenta. As oportunidades de trabalho e estudo são dois motivos centrais para atrair cerca de mil novos moradores por ano. Conforme a economista e presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cíntia Agostini, Lajeado e a região têm um perfil que assegura empregabilidade e renda à população.

Os setores de transformação, comércio, construção civil e prestação de serviço propiciam às pessoas condições para evoluírem. De acordo com ela, a mudança de Lajeado se acentua no fim da década de 80 até a metade dos anos 90. “Tínhamos uma característica rural. Enquanto na década de 70 a nação foi deixando como principal modelo a atividade primária, Lajeado começou esse processo dez anos depois.”

Para ela, esse é um dos fatores que podem ser citados para explicar Lajeado de hoje. Outro aspecto, diz, é a posição geográfica. “Por estarmos no centro do RS e ser cortada por uma rodovia federal, Lajeado teve um fluxo intenso de transporte e de concentração de pessoas.”

Somam-se a esses motivos a instalação de uma instituição de Ensino Superior, também responsável por atrair moradores. “Com relação a faculdade, percebemos que muitos estudantes, desde as primeiras turmas graduadas na Univates, criam relação com a cidade e ficam em Lajeado.”

Outra característica marcante da população local é o cooperativismo e associativismo. Esses conceitos de atuação comunitária, de uma união em busca de resultados coletivos cria um sentimento de pertencimento com a cidade e a região, no qual os atores locais se enraízam nesses grupos e fornecem subsídios para determinar o perfil da população.

...de cidadãos como Ireno Gross, 68, do bairro Carneiros. As terras antes dominadas por soja e milho cedem espaço para loteamentos, casas e transformam a realidade local
…de cidadãos como Ireno Gross, 68, do bairro Carneiros. As terras antes dominadas por soja e milho cedem espaço para loteamentos, casas e transformam a realidade local
Crédito: Anderson Lopes
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