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Jornal A Hora

Pensar Santa Clara do Sul

Publicada em 19/03/2016

Indústria e campo garantem renda. Flores viram símbolo

Dependente do setor calçadista no período da emancipação, o município passou por um processo de diversificação econômica na última década. Atraiu empreendedores, fortaleceu o comércio e firmou parcerias com cooperativas para profissionalizar o meio rural. A oferta de emprego e a qualidade de vida atraem moradores e estimulam a construção civil. Como símbolo da reorganização das fontes de arrecadação, surgiu o cultivo de flores, atividade que torna a cidade conhecida em todo RS. O empreendedorismo peculiar eleva Santa Clara do Sul ao posto de maior cidade entre as emancipadas em março de 1992.

Crédito: Anderson Lopes Município mantém tradição com as fábricas de calçados, propulsores da economia local. Desde a emancipação, são cruciais para o desenvolvimento e garantem renda a milhares de famílias
Município mantém tradição com as fábricas de calçados, propulsores da economia local. Desde a emancipação, são cruciais para o desenvolvimento e garantem renda a milhares de famílias

Uma vila construída às margens da avenida 28 de Maio, em especial no entorno da igreja matriz, e sustentada pela indústria de Calçados Andreza.

Toda a arrecadação de impostos era destinada ao governo de Lajeado, mas pouco retornava em investimentos na comunidade.

Eram ínfimos os prognósticos de desenvolvimento até dezembro de 1989, quando um grupo de líderes municipais se reuniu para mudar o cenário.

Sob o lema “Emancipar para prosseguir”, foi instituída naquela data a primeira comissão para tratar da criação do município. A emancipação, como almejavam os políticos na época, resultou um salto de qualidade ao desenvolvimento.

Por muitos anos, a fábrica de calçados se manteve como motriz da economia local, deixando o município suscetível a variações no mercado calçadista, o que de fato ocorreu a partir de 2005. Após quase 40 anos de atuação, o setor calçadista entrou em declínio e forçou o poder público a diversificar as fontes de arrecadação.

A partir disso, o modelo econômico do município foi reestruturado. Na agricultura, focou-se no empreendedorismo e em projetos capazes de desenvolver, em especial, propriedades voltadas à criação de gado leiteiro, suínos e frangos. Recebeu grande estímulo a abertura de agroindústrias, como forma de agregar valor à matéria-prima.

Em 2006, a administração municipal incentivou um grupo de pessoas a iniciar o cultivo de flores, projeto que culminou na atual denominação de Cidade das Flores. Dez anos depois, as flores servem de símbolo, mas a economia sustenta-se na indústria e no setor primário. Entre 2010 e 2011, a multinacional Beira Rio comprou parte da estrutura da Calçados Andreza e devolveu ao setor calçadista a liderança no retorno de valor adicionado ao município.

Outras indústrias ampliam a atividade, como a Lisi Calçados, dirigida por Edson Thomas. Fundada em 1993, a empresa começou com uma máquina de costura. Trabalhava com sandálias, chinelos e tamancos. Em 1997, a produção diária era de 20 pares. Na época, surgiu a proposta de confeccionar tênis esportivos.

Pouco tempo depois, a média de calçados fabricados por dia chegou a 300. Há 13 anos, a empresa começou a terceirizar serviços para a Nike. Foi a grande ascensão. Hoje são quase 300 funcionários e média de oito mil pares por dia. “Na hora de contratar pessoas, a dificuldade é grande. Aqui tem mais oferta do que procura.”

Uma construção a cada três dias

As oportunidade de emprego e renda, associadas à qualidade de vida, atraem novos moradores e culminam na abertura de loteamentos. A denominação de Vila Santa Clara à época da emancipação passou a ser conhecida apenas pelos habitantes mais antigos. A vila se transformou em cidade. Prova disso, o crescimento populacional de 37% nestes 24 anos.

Santa Clara do Sul lidera os índices de construção civil entre os emancipados em 1992. De acordo com dados da Secretaria do Planejamento, entre 2011 e o ano passado, foram liberadas 537 licenças na área da construção civil, cerca de uma a cada três dias. Desde 1992, foram autorizados pelo menos 13 loteamentos.

Proprietário de uma madeireira e construtora, Gilmar Neumann enaltece a qualidade de vida, a assistência do poder público, a oferta de empregos e a proximidade com Lajeado como os principais fatores para o desenvolvimento. “Moramos em uma cidade muito bem reconhecida lá fora. As pessoas que vêm nos visitar sempre deixam muitos elogios. E isso mostra o porque a construção civil avança tanto.”

A construtora começou em meados da década passada, com impulso do programa federal Minha Casa Minha Vida e depois partiu para a edificação dos prédios. Em dezembro do ano passado, por exemplo, a empresa entregou um imóvel com 40 apartamentos no centro.

Outro será lançado na SantaFlor, com projeção de início das obras para abril. Serão 36 apartamentos, com previsão de entrega para três anos. A construtora também se especializou em chalés, principalmente para chácaras no interior.

De todos os municípios emancipados de Lajeado, Santa Clara do Sul desponta na construção civil. Ano a ano surgem loteamentos e condomínios. Em cinco anos, foram 574 licenças
De todos os municípios emancipados de Lajeado, Santa Clara do Sul desponta na construção civil. Ano a ano surgem loteamentos e condomínios. Em cinco anos, foram 574 licenças
Crédito: Estevão Heisler

“Crescemos junto com o município”

Muitas famílias migraram a Santa Clara do Sul na década de 90 e acompanharam o desenvolvimento do município. O casal Inês e Inácio Reitel saiu de São José do Inhacorá e alugou uma casa no centro em junho de 1993.

Inácio chegou à cidade para trabalhar na Calçados Andreza, onde outros três irmãos estavam empregados. Passado um mês no novo endereço, nasceu o primeiro filho do casal, Maicon. Anos depois, foi a vez da filha Maiara. Em 1998, Inácio e Inês construíram a casa própria. “Foram muitos anos de hora extra na fábrica até conseguir juntar o dinheiro”, recordam.

Ele permaneceu na Andreza até 2005, quando decidiu ingressar no ramo da construção civil, que estava em plena ascensão no município. Começou como servente e hoje trabalha como pedreiro para uma construtora que edifica um prédio em frente à sua moradia.

“Quando chegamos em Santa Clara do Sul, havia apenas uma vila no centro. Hoje são diversos bairros e centenas de moradias novas. Nós crescemos junto com o município”, aponta Inácio que não cogita deixar a cidade.

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