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Publicada em 20/08/2016

CTC : um clube que veio do Tiro de Guerra

CTC_foto

O Clube Tiro e Caça é uma entidade social, recreativa e esportiva de Lajeado, resultado da fusão de sociedades anteriores. Conforme o professor de História José Alfredo Schierholt, tudo começou com a Lageadenser Turner Bund (Associação de Ginástica Lageadense), uma agremiação fundada no dia 24 de junho de 1896. Era uma entidade que congregava os amantes desportistas da vila alemã. Alguns anos depois, entrou em decadência e encerrou as atividades.

Outra entidade foi criada pelos mesmos jovens da vila. A Lageadenser Turnverein-Jahn (Sociedade Ginástica Lajeadense-Jahn) foi criada em 1921. Fazia referência a um desportista famoso na época, Friedrich Ludwig Jahn, um divulgador da ginástica em aparelhos de solo.

A sede própria foi inaugurada em 24 de junho de 1923, com grande parte do material de construção trazida do histórico sobrado de Antônio Fialho de Vargas, fundador e patriarca de Lajeado. O prédio foi demolido por Mathias Rockenbach Filho.

A campanha nacionalista deflagrada pela ditadura getulista promoveu a queima de registros, livros de atas e documentos antigos escritos em alemão. Reflexos da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Com isso, muitas fontes de pesquisas também foram destruídas.

A antiga mantenedora do extinto Tiro de Guerra 236 foi fundada em agosto de 1916 apenas para organizar o Serviço Militar de 2ª Categoria. Os Tiros de Guerra serviam para substituir os quartéis do Exército.

Durante a Segunda Guerra, em 1942, o clube sofreu intervenção por parte do Dops. O delegado da cidade destituiu toda a diretoria, que tinha predominância luterana, e empossou novos nomes, todos católicos. Em 1944, a denominação da sociedade foi mudada para Clube do Comércio, mas durou pouco tempo.

Quando o Ministério da Guerra extinguiu essa modalidade na Escola de Instrução Militar e Tiro de Guerra (campo de treinamento de tiro ao alvo), a mantenedora, sob a liderança de Mário Lampert, resolveu, em assembleia, transformar a entidade em sociedade civil amadorista.

Após 30 anos como Tiro de Guerra, em 5 janeiro de 1946, a sociedade mudou para um caráter cívico-esportivo, destinado à prática do tiro em todas as suas modalidades e ao exercício da caça e pesca. Assim, surgiu o Clube Tiro e Caça.

Norberto Zart, Diamantino A. Cerrutti, Luiz Carlos Lampert, Mário Cattoi, Telmo N. Christ, Carlos Pereira Marques, Benjamin Rodrigues, João Carlos Haag, Otávio Trierweiler, Eugênio Faller, Hugo Oscar Spohr e Mário Lampert foram os protagonistas. Adotaram como cores sociais o verde escuro, amarelo e branco.

Por essa razão, os 30 anos de Mantenedora do Tiro de Guerra e os 70 anos do Clube Tiro e Caça somam os cem anos de história. O projeto das modernas instalações foi lançado em 23 de setembro de 1967. Em 14 agosto de 1972, a entidade se uniu ao Clube Recreativo Lajeadense, cuja sede, na rua João Batista de Melo, 237, passou a integrar o patrimônio do novo Clube Tiro e Caça.

O prédio foi demolido e inaugurado em 5 de novembro de 1950. Em 2002, tudo foi vendido e demolido e a sede administrativa foi transferida para a sede social onde se encontra hoje na rua Saldanha Marinho.

Filho do fundador Mário Lampert relembra criação do clube social

Filho do fundador e primeiro presidente do CTC, Leandro Lampert, 87, acompanhou a evolução da entidade junto com o pai, Mário Lampert. Recorda do envolvimento durante a criação do clube. Morador do bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, lembra dos momentos em que caminhava ao lado do pai, nas terras onde hoje é o CTC.

Enquanto pede para a mulher Lucy Mallmann, 80, o álbum de fotografias, as lembranças vão surgindo sem sobressaltos. Lucy, com quem é casado faz 62 anos, e o filho presenciam as recordações que chegam a cada fotografia vista.

Pai de três filhos, Leandro, Luzíala Lampert Cadore e Luciana Lampert, afirma que tinha 17 anos quando o pai fundou o clube. “Desde menino acompanhava as reuniões de diretoria do então Clube Recreativo. Ficava deslumbrado com aquilo.”

O pai, sargento do Exército com formação de advogado, praticava a mira em espaços esportivos de caça e tiro. “Naquela época, tiro e caça era um esporte muito praticado”. Durante os primeiros 30 anos, lembra, a única definição para o tiro e a caça era essa. Mas a transformação daquela confraria em clube se profissionalizou. “Meu pai relutou, mas acabou concordando com os demais diretores da época para tornar aquela prática em um clube. Foi então que surgiu a ideia de inovar o espaço com a implantação de uma piscina”.

Leandro comenta que naquele tempo era raro encontrar uma residência com piscina de azulejo no pátio. “A ideia era reunir toda a comunidade em um local que poderia oferecer além de um enorme espaço arborizado também piscinas e churrasqueiras. A partir daí o Tiro e Caça passou a se tornar também clube”.

A palavra tiro no nome gerou debates. Lampert afirma que o pai era relutante quanto a isso. “Foi feita uma votação entre toda a diretoria da época e meu pai não teve saída a não ser fundar com o nome Clube Tiro e Caça”.

Revela que o pai, casado com Flávia Ruschel Lampert, chegou a comprar um total de 70 terrenos para o CTC. “Quando o clube completou 15 anos, meu pai saiu da presidência para se dedicar à política. Foi quando se tornou prefeito de Lajeado”. Mesmo na vida pública, não deixava de acompanhar cada passo de evolução do clube.

Enquanto olhava fotografias, Leandro recorda que o pai, além de caçador, praticava tênis. “Por isso um dos primeiros esportes oferecidos aos associados do CTC foi o tênis, além do futebol, é claro”.

Leandro é natural de Lajeado. Em 1975 se especializou em Nutrição Animal no North Carolina Land Grand College nos USA. Dedicou 40 anos da carreira às atividades agropecuárias, passando por frigoríficos do Vale do Taquari e da Serra gaúcha. Entre todas as recordações, há algumas que marcaram. “Infelizmente no ano de 1983 Mário Lampert faleceu de derrame cerebral. Após dez dias em coma, ele nos deixou. Mas deixou para os lajeadenses a criação de um clube como o CTC”.

Para narrar a trajetória do pai e da família, Leandro dedica o tempo a escrever. No auge dos 87 anos, tem na lucidez uma disposição surpreendente. Pretende continuar a escrever, por ter ainda muito a ser dito. “Muitas coisas para contar. O Crônicas da Minha Infância, publicado em 2005, é uma obra narrada com trechos do início da fundação do Clube Recreativo.”

De tanto levar a história a sério, os relatos são expressos em participações na Academia Literária do Vale Taquari, em Lajeado e também na Univates.

Confira o caderno completo aqui.

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