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Jornal A Hora

Estado

Publicada em 18/03/2017

Codevat quer evitar mais um pedágio em trecho da BR no Vale

Praça entre Soledade e Tio Hugo desagrada líderes do Alto Botucaraí

Crédito: Rodrigo Martini Presidente do Codevat, Cintia participou das quatro audiências já realizadas. Ela pede redução das praças e das tarifas
Presidente do Codevat, Cintia participou das quatro audiências já realizadas. Ela pede redução das praças e das tarifas

Uma comitiva da região esteve em Soledade nessa sexta-feira para debater o plano de concessão de rodovias federais. A quarta audiência pública da ANTT serviu para líderes do Vale do Alto Botucaraí reforçarem o pedido por uma distância mínima de 100 quilômetros entre as praças de pedágios. Com isso, o ponto de cobrança poderia ser realocado ao Vale do Taquari.

O encontro foi no Centro Cultural de Soledade. Cerca de 350 pessoas estavam presentes, entre prefeitos, vereadores, deputados estaduais e comunidade local. Assim como em Porto Alegre, Brasília e Lajeado, assessores da agência nacional de transportes expuseram detalhes da minuta do edital de licitação, que prevê a concessão de 260 quilômetros da BR-386.

Presente na reunião dessa sexta-feira, Cintia Agostini, presidente do Codevat, reforça a necessidade de impedir a implantação de uma segunda praça de pedágio no Vale do Taquari. Por ora, a minuta do edital prevê só um ponto em Fazenda Vilanova. Mas, com a reivindicação dos moradores de Soledade, que não querem cobrança naquele município, a União sinaliza com mudanças.

“O Corede do Alto do Botucaraí entregou uma carta sugerindo redimensionar as praças e colocar uma a cada 100 quilômetros. É uma sugestão”, informa. Cintia acrescenta ainda que a solicitação feita pela região de Soledade e Tio Hugo é “legítima”. “No entanto, essa praça não pode ser mais uma deslocada para a nossa região, onde já existem três praças de pedágio estaduais.”

Em ofício encaminhado à ANTT, assinado por Codevat, Amvat, Avat e CIC-Vale do Taquari, os representantes locais reiteram que o modelo de pedagiamento proposto é inadequado. “Não vamos admitir que a região, já prejudicada por pedágios estaduais, seja cercada, diferente de outras regiões do estado. Essa perspectiva causa a perda de competitividade regional”, escrevem os líderes regionais.

Já sobre o evento dessa sexta-feira, Cintia afirma que a reunião foi “mais tranquila” em relação ao encontro realizado na quinta-feira, no Teatro da Univates, em Lajeado. Segundo a presidente do Codevat, a ANTT “não apresentou nada de novo”.

Abaixo-assinado contra pedágios

O Diretório Central de Estudantes (DCE) da Univates também se manifesta contrário ao projeto de concessão de rodovias no estado. Os dirigentes produzem um abaixo-assinado para ser entregue aos representantes da ANTT, a agência do governo federal responsável pela elaboração dos estudos técnicos e financeiros, bem como pela minuta do edital de licitação.

Até a tarde dessa sexta-feira, o documento do DCE contava com 19 folhas de assinaturas. No total, estimam os estudantes, cerca de 800 pessoas já assinaram o requerimento contrário à instalação de praças de pedágios no Vale do Taquari. Além disso, alguns alunos e membros do diretório levaram outros documentos para residências e empresas, a fim de angariar mais apoio.

Em Carazinho, pista simples expõe risco. ANTT admite rever prazo para duplicação
Em Carazinho, pista simples expõe risco. ANTT admite rever prazo para duplicação
Crédito: Rodrigo Martini

Mais duas audiências públicas

A ANTT confirma a realização de outras duas audiências públicas no RS e em Santa Catarina. Com isso, serão seis encontros desde a apresentação da minuta do edital, no início de fevereiro. A próxima reunião ocorre nesta quarta, 22, entre 14h e 18h, no Clube Riograndense, em Montenegro. Já no dia 24, o debate será na cidade catarinense de São João do Sul.

Detalhe da concessão

A ANTT projeta conceder trechos da BR-101/SC, do km 455,9 até a divisa SC/RS; da BR-101/RS, entre a divisa SC/RS até o entroncamento com a BR-290 (Osório); da BR-290/RS, no entroncamento com a BR-101 (A) (Osório) até o km 98; da BR-386, no entroncamento com a BR-285/377 até a BR-448; e da BR-448, até o entroncamento com a BR-116/290.

São 467,7 quilômetros de extensão. O plano consiste na exploração por 30 anos da infraestrutura e projeta cerca de R$ 7,9 bilhões em investimentos – quase R$ 3 bilhões só na BR-386 – e R$ 5,31 bilhões em custos operacionais. Esses valores foram projetados em março de 2015, data-base dos estudos, e precisam ser reavaliados.

A proposta para o Programa de Exploração da Rodovia (PER) é que sejam implantados 22 quilômetros de vias marginais; 60 melhorias em acesso; 58 dispositivos, sendo 11 interconexões diamante, duas interconexões diamante invertidas, quatro interconexões trombeta, seis interconexões Parclo, 24 retornos em nível, seis meios-retornos em nível e cinco trevos completos; além da implantação de 27 passarelas.

Na BR-386, estão previstas quatro praças de pedágio: Montenegro, Fazenda Vilanova, Soledade e Tio Hugo. O contrato prevê duplicação do trecho de 160 quilômetros entre Lajeado e Carazinho, e multifaixas em 54 quilômetros entre Tabaí e Canoas. Já os preços das tarifas podem chegar a até R$ 11 iniciais, com previsão de reajuste já no primeiro ano de contrato.

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