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Jornal A Hora

País

Publicada em 18/03/2017

PF investiga fiscais e empresas BRF e JBS

Servidores do Mapa cobrariam propina para emitir laudos sobre produtos fora dos padrões

Crédito: Arquivo A Hora BRF de Lajeado não foi alvo da PF. Unidade abate 455 mil aves e 3,9 mil suínos
BRF de Lajeado não foi alvo da PF. Unidade abate 455 mil aves e 3,9 mil suínos

A Polícia Federal (PF) cumpriu 309 mandados no RS, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. A Operação Carne Fraca, desencadeada nessa sexta-feira, investiga o envolvimento de fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em um esquema de liberação de licenças irregulares para frigoríficos.

Executivos da BRF – dona das marcas Sadia, Perdigão e Qualy –, e da JBS – dona de Big Frango e Seara Alimentos –, duas das maiores empresas do setor no Brasil e no mundo, estão entre os presos. Além deles, o ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB), também foi gravado em conversas com um dos supostos líderes do esquema criminoso.

Nenhuma unidade da BRF no Vale do Taquari foi alvo da ação. Essas estão localizadas em Lajeado, Arroio do Meio e Teutônia. Já a unidade mais próxima da JBS fica em Montenegro. Os principais supermercados da região mantêm a venda os produtos derivados e produzidos pelas duas empresas investigadas.

A PF verifica uma série de denúncias contra empresários e servidores da União e dos estados. Para a PF, agentes do governo teriam recebido propina para liberar licenças de frigoríficos que estariam vendendo carne vencida ou estragada para o mercado interno e também para o exterior.

A investigação revela que as companhias estariam usando carnes podres com ácido ascórbico para disfarçar o gosto, além de frango com papelão, pedaços de cabeça e carnes estragadas como recheio de salsichas e linguiças. Muitas também estariam reencaminhando produtos vencidos para os mercados.

Mais de 1,1 mil policiais participaram da ação. Foram cumpridos 27 mandados de prisão preventiva e 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão em residências e locais de trabalho dos investigados. Além das principais empresas do setor, a operação investiga outros frigoríficos menores, como o Mastercarnes e o Peccin.

De acordo com os investigadores e conforme o despacho do juiz, há provas para enquadrar os acusados em crimes de adulteração de produtos alimentícios, associação criminosa, peculato, concussão, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e ainda organização criminosa.

A BRF no Vale do Taquari

Desde 2010, a BRF investiu cerca de R$ 16 milhões em Arroio do Meio. Naquele município, o movimento econômico em 2016 foi de R$ 852,9 mil. Já em Lajeado, a movimentação financeira da empresa ultrapassou a cifra de R$ 2 milhões no ano passado. Em todo o RS, onde emprega mais de 8,8 mil pessoas, chegou a R$ 2 bilhões.

Hoje, mais de três mil trabalham em Lajeado e cerca de 150 em Arroio do Meio. A empresa tem 2.857 integrados no estado, sendo 1.390 no Vale do Taquari.

Nota BRF

“A companhia reitera que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e não compactua com práticas ilícitas. A BRF assegura a qualidade e a segurança de seus produtos e garante que não há nenhum risco para seus consumidores, seja no Brasil ou nos mais de 150 países em que atua.”

Associação dos fiscais aplaude

Em nota, a Associação dos Fiscais Estaduais Agropecuários do Rio Grande do Sul (Afagro-RS) aplaude a operação e as ações do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical). A entidade considera “de suma importância para o fortalecimento da atividade e demonstra a importância do serviço de inspeção, realizado de forma séria pela grande maioria”.

Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirma “que falhas da indústria de carnes investigada pela Polícia Federal, se comprovadas, seriam exceções em um modelo produtivo que é referência para o mundo. Segundo a ABPA, “o Brasil é reconhecido internacionalmente pela qualidade e status sanitário dos produtos, auditados também por técnicos de 160 países.”

Em dezembro de 2014, a PF deflagrou a Operação Pasteur, em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) de Lajeado. Um fiscal do Mapa foi preso e quatro servidores afastados. Os réus se envolveram na prática de corrupção ativa e passiva e associação criminosa. Entre 2011 e 2013, fiscais teriam recebido propinas de R$ 5 mil para forjar análises de leite de empresas da região.

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