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Jornal A Hora

Turismo

Publicada em 21/04/2017

Pelas veias da América Latina

Fernanda Pinheiro Brod narra a viagem que fez, neste ano, com o marido pelo Uruguai. Com as próprias palavras, destaca as experiências culturais, e as surpresas inerentes às vivências turísticas

Crédito: Arquivo Pessoal O Teatro Solís foi um dos pontos visitados pelo casal em Montevidéu
O Teatro Solís foi um dos pontos visitados pelo casal em Montevidéu

A bordo do próprio carro, a professora Fernanda Pinheiro Brod e o marido Rodrigo embarcaram, no verão passado, rumo ao Uruguai. A decisão de ir ao segundo menor país da América do Sul ocorreu no início deste ano.

A princípio, uma viagem rápida, de alguns dias, que seria mais acessível em tempos de crise. Mas que, ao fim, foi capaz de mostrar que a América Latina tem muito a oferecer – apesar do deslumbramento que outros continentes sempre possam despertar.

A ideia era conhecer o litoral uruguaio e chegar à capital, Montevidéu, conta Fernanda. Para isso, o casal optou pelo caminho do Chuí, tendo em vista que a primeira parada era a praia de Punta del Diablo.

Rumo a Pelotas, passando por Rio Grande, Fernanda e Brod atravessaram a Estação Ecológica do Taim.

A viagem até cruzar a fronteira durou seis horas. Já em Punta del Diablo, encontraram uma praia que mistura belezas naturais com um certo charme hippie.

“Não espere nenhum glamour, mas prepare-se para se encantar com a beleza das coisas simples, com casas coloridas, com gente circulando displicentemente por todo o lugar.” Fernanda não sabe se tem hotel por lá, mas há hostel – uma versão mais descolada, onde a moçada divide espaços coletivos e se pode experimentar a sensação de viver em uma república de estudantes. “Sempre tem alguém tocando violão, e outro compartilhando um mate.”

A noite é um dos períodos mais interessantes de Punta del Diablo, com muita gente circulando, música latino-americana, artistas de rua, comida e cerveja boa, relembra. “O dia parece mais familiar com nossas praias gaúchas, com a diferença de que a praia em si é mais interessante e a água bem mais gelada.”

Na cidade, o casal se hospedou no El Diablo Tranquilo. Para Fernanda, foi bacana, exceto pelo fato de que na saída o cartão de crédito não passava, pois o pagamento no local ocorre via um sistema on-line. “Eu me imaginei lavando pratos em um hostel o resto da vida para pagar nossa estadia naqueles dias, mas no fim deu tudo certo.”

A praia de Punta del Diablo é rica em belezas naturais e atrações locais
A praia de Punta del Diablo é rica em belezas naturais e atrações locais
Crédito: Arquivo Pessoal

Montevidéu

De Punta Ballena viajaram mais cinco horas até Montevidéu. Por lá, o casal conheceu belas paisagens, circulou em boas estradas, e pagou alguns pedágios – reza a lenda que aceitam reais, mas pagamos em pesos uruguaios – dá a dica.

“Montevidéu é uma cidade linda. Mistura o antigo e o moderno, tem avenidas largas, e uma rambla à beira do Rio de la Plata que é de encantar qualquer um. Duas noites na cidade foram pouco pra tudo que há para fazer.”

Fernanda e Brod se hospedaram em um hotel no bairro Pocitos, onde à noite há uma grande opção de bares e restaurantes, bem próximos à rambla. “O hotel emprestava bicicletas e era possível pedalar quilômetros, ainda que, no nosso caso, tenhamos sido surpreendidos por uma tormenta que quase nos fez sair voando. No dia seguinte, ficamos sabendo que era pra ter sido um ciclone, mas que veio mais tranquilo.”

Fernanda alerta para sempre verificar a previsão do tempo antes de viajar. Durante o dia, aconselha conhecer o centro histórico. O casal optou por ir de táxi e começou o passeio pelo Teatro Solís – um local elegante que recebe espetáculos de todo o gênero.

Há uma visita guiada por estudantes que fazem uma espécie de estágio no local, com pequenas intervenções de atores encenando esquetes durante o passeio. “A atmosfera é acolhedora e remete a um outro tempo.”

No centro, visitaram diversas feiras, onde se vende cuia, bomba, artesanato, antiguidades, entre outros objetos – por falar em antiguidades, foi em Montevidéu que encontraram umas raridades em vinil, por um preço muito camarada.

O passeio foi encerrado no centro com uma visita ao Mercado Público, que tem comidas típicas, lojas de souvenirs, bares e restaurantes – detalhe para as copitas que você vai recebendo durante a caminhada pelo mercado, com aperitivos que quase lhe deixam embriagado só pelo passeio. “Os vegetarianos que não me ouçam, mas a carne servida no mercado é sensacional, um dos melhores assados que já comi.”

Na volta, o casal apenas parou no Chuí para gastar a “poca plata” que sobrou. “Nada relevante, já que na bagagem trazíamos cuia e bomba, os discos de vinil garimpados no centro histórico, uma bola do time celeste para o Lucas, camiseta para João e um instrumento musical chamado marimba para o Igor. Além da certeza de que tem muita coisa bonita pra ver por latino america e dá vontade de marcar logo a próxima viagem.”

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Crédito: Arquivo Pessoal

Cabo Polônio

Saindo de Punta del Diablo, eles passaram por Cabo Polônio. “Só passamos mesmo porque descobrimos que tem que se ir com muita vontade de passar um dia inteiro na praia. A galera chegava com cadeiras, guarda-sóis e comida e a gente não estava propriamente equipado para tudo isso.” Na próxima vez, pretendem voltar melhor equipados, com os dois filhos a tiracolo.

Punta Ballena

De Punta del Leste foram a Punta Ballena – onde tiveram uma das mais interessantes experiências da viagem: visitar Casapueblo, o antigo ateliê do artista Carlos Paez Villaró, local por ele construído e que hoje abriga seu acervo.

“O lugar é lindíssimo, tem uma cafeteria, a vista do pôr-do-sol da baía e é de uma experiência cultural ímpar. Grande parte do prédio é um hotel de luxo, mas a parte da galeria é aberta à visitação pública, mediante pagamento de entrada.”

Punta del Leste

Seguindo a viagem, pararam em Punta del Leste. Uma praia glamourosa, o contrário de Punta del Diablo, cheia de cassinos, prédios chiques e locais bacanas, conta Fernanda. “Não ficamos muito, porque não era nossa vibe. Mas pra quem curte compras, jogos e luxo, parece ser bem interessante. Pra não dizer que não estivemos lá, tiramos foto na “escultura dos dedos” e era isso.”

Em Punta Ballena, Fernanda esteve na Casapueblo, que abriga o acervo do                            ateliê do artista Carlos Paez Villaró
Em Punta Ballena, Fernanda esteve na Casapueblo, que abriga o acervo do ateliê do artista Carlos Paez Villaró
Crédito: Arquivo Pessoal

Dicas da Fernanda

– Para ir aos países do Mercosul, não é necessário ter/levar passaporte, mas portar a carteira de identidade. Não é aceita carteira nacional de habilitação.

– Em Punta del Diablo, há apenas um caixa eletrônico e, no dia em que precisamos usar, ele havia “engolido” o cartão do cliente anterior. Então o melhor é levar sempre dinheiro em espécie. A maioria dos lugares aceita dólares, reais e pesos ou a mistura de tudo isso.

– A legislação não permite a compra de cannabis por turistas, mas apenas a venda de sementes para cidadãos locais.

– Você encontra alguns produtos interessantes feitos a partir de cannabis, como sabonetes. Esses você pode trazer e colocar no banheiro de casa, sem ter problemas jurídicos.

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