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Jornal A Hora

Lajeado

Publicada em 19/05/2017

Jornada discute qualidade sanitária

Especialistas apontam que indústrias brasileiras avançam a passos lentos nesse sentido. Precisam aprimorar suas técnicas

Crédito: Carolina Chaves Pelo menos 120 pessoas participaram do primeiro dia da Jornada da Alimentação. Evento continua hoje
Pelo menos 120 pessoas participaram do primeiro dia da Jornada da Alimentação. Evento continua hoje

Proprietária de uma agroindústria em Encantado, Marilete Zanella deixou as plantações e as panelas de lado ontem para agregar conhecimento ao seu negócio. Ela é uma das 120 participantes da 1ª Jornada Técnica do Setor Alimentício. Realizado no Hotel Weiand, pela Acil e Agea, o evento iniciou na manhã de ontem com o Seminário de Segurança de Alimentos.

Três palestrantes abordaram a importância de as empresas implementarem processos que garantam a qualidade sanitária dos produtos alimentícios, a fim de não gerar riscos à saúde dos consumidores, e manter a boa imagem das empresas.

Marilete acredita que informações como essa sempre vêm a calhar. Ainda mais quando se está no início, como ela e sua família, que produzem schimiers, compotas e conservas.

“Precisamos saber o que é necessário para produzir bem. De tempos em tempos, as leis mudam e precisamos estar atualizados, ainda mais quando produzimos alimentos”, ressalta Marilete, numa fala que vai ao encontro ao apresentado pela engenheira de Alimentos Cristina Leonhardt.

Representante da Tacta Food School, ela falou acerca da necessidade do uso de normas sanitárias, durante todos os processos de produção. Desde a colheita, até a venda do produto ao consumidor. O que hoje ainda ocorre a passos lentos no Brasil. A maioria das indústrias nacionais implanta o sistema APPCC de Boas Práticas, criado em 1969, e exigido pelo Ministério da Saúde desde 1993.

Porém, no exterior, o FSSC 22000, considerado uma abordagem abrangente para a gestão de risco, já domina as produções. “Não tem evoluído tão rápido quanto deveria por aqui. Mas se queremos ser protagonistas precisamos avançar no uso das normas. E a APPCC é a mais básica delas.”

Dona de agroindústria, Marilete Zanella está atenta às novidades
Dona de agroindústria, Marilete Zanella está atenta às novidades
Crédito: Carolina Chaves

Regras do jogo

Para isso, é necessário se informar, buscar conhecer as leis. A Anvisa disponibiliza todas por meio digital, organizadas por categorias. “Se você optou por entrar neste jogo, precisa cumprir as regras deles. Caso contrário, pode pagar multas, receber notificações, e em consequência gerar uma má imagem à empresa, e perder o consumidor. As boas práticas, na verdade, não são para proteger o consumidor, mas a própria empresa.” Cristina ressaltou que, além do controle, os empresários devem ficar atentos às informações que precisam ser prestadas aos consumidores nos rótulos, e também à possibilidade de recall dos produtos, quando da ocorrência de qualquer problema.

Precisamos estar atentos a tudo que acontece antes, durante e depois da produção, para garantir a qualidade dos nossos produtos.” Miriam Herrmann – Consultora e palestrante

A fiscalização das indústrias hoje é feita pelo Estado, enquanto os municípios são responsáveis por monitorar empresas de distribuição e depósito, como supermercados.

A nutricionista Betânia Barcelos de Souza e a colega Ana Paula Brito vieram de Eldorado do Sul para agregar conhecimento ao trabalho na Vigilância Sanitária do município da Região Metropolitana. “Precisamos ficar atentas às novidades da área. Ainda estamos conhecendo a realidade, mas percebemos que falta esse olhar. Aqui vamos trocar informações e experiências e levar para lá.”

Como não contaminar os alimentos

Cristina afirmou que é possível um alimento contaminado chegar ao consumidor por falhas no processo. Mas nunca por falta de medidas de controle. Da Alta Consultoria, Miriam Herrmann apontou quais seriam esses cuidados que podem prevenir a propagação de riscos nos alimentos. Hoje 90% das doenças causadas por alimentos são devido aos micro-organismos presente nos mesmos.

Dentre esses, os vírus, as bactérias, os protozoários, fungos e os ácaros. Alguns deterioram o alimento, mas não causam dano ao ser humano. Outros são até benéficos, usados na produção de iogurtes, queijos, vinhos, pães. E há os patogênicos, causados pela falta de higiene ou processos de controle na produção, que são responsáveis por gerar infecções alimentares.

“É preciso identificar as características dos micro-organismos que atingem o meu produto, ou seus nutrientes; o que posso fazer para prevenir sua chegada; e como posso combatê-lo”, destacou Miriam. O ideal, segundo ela, é monitorar de forma preventiva desde os alimentos, até o local onde ele é produzido, os equipamentos e produtos utilizados.

A temperatura também é um fator importante, tendo em vista que ambientes com temperaturas de 20oC a 45oC são os adequados para proliferação veloz da maioria desses microrganismos. “Um nível comum em nossa região, o que torna ainda mais perigoso. Mas precisamos estar atentos a tudo que acontece antes, durante e depois da produção, para garantir a qualidade dos nossos produtos.”

Programação de hoje

Às 8h30min, ocorre apresentação dos expositores, seguida por uma Rodada de Negócios, às 9h15min. Para finalizar a manhã, será realizada a palestra Implantação das boas práticas de fabricação para legalização das ervateiras no RS, pela engenheira da Emater, Bruna Bresolin.

Seminário de Inovação
14h – Rotulagem de alimentos: da legislação à inovação – Professora doutoranda Daiana de Souza, Unisinos

15h – Inovação em alimentos: a ciência gerando novos negócios – Professora doutora Renata Cristina Ramos, Unisinos

16h30min – Inovação – a arte de fazer diferente – Cristina Leonhardt, Tacta Foods School

Cuidado com as pragas

A necessidade de expansão das fronteiras agrícolas tem causado o avanço humano sobre áreas naturais, e consequente perda de espaço dos animais. Alguns acabam tendo que se adaptar à convivência humana e trazem riscos consigo.

Proliferando-se de forma desordenada, fora de seu ambiente natural, eles podem ser denominados de pragas a partir do momento em que danificam as plantas e causam grande perda econômica. Além de baixar a qualidade do alimento e provocar o risco de transmissão de doenças.

Doutora em Zoologia, Liana Johann explicou que há duas formas de combatê-los. A primeira é por meio da aplicação de agroquímicos, que podem ter efeito, mas ainda podem matar organismos que não são pragas.

A outra é o controle biológico, em que há identificação de predadores naturais; de parasitoides, que impedem a expansão das pragas; e até de fungos e plantas. “Uso de um processo natural, para controle dos problemas. Ao contrário dos agroquímicos, não têm efeitos, e permitem um alto nível de controle, com baixo custo.”

Porém, para saber o que é ideal a cada plantação, é preciso contratar um profissional qualificado, já que as fórmulas prontas já não têm mais efeito sobre as pragas.

O mercado financeiro dos alimentos

À tarde, o evento teve continuidade com o Ciclo de Mercados e Investimentos. Palestras do professor Sílvio Bitencourt da Silva, sobre como obter verbas do governo para projetos inovadores; do representante do Sicredi, Luis Mário Bierbigier, acerca de financiamentos para a compra de equipamentos; e do diretor-presidente da Rede Imec, Leonardo Taufer, sobre como vender para as redes de supermercados. Durante o dia, os expositores também aproveitaram para ofertar seus produtos e fazer negócios.

 

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