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Jornal A Hora

Entrevista

Publicada em 17/06/2017

“Enquanto eu tiver fôlego, não penso em parar”

Atriz e diretora, Deborah Finocchiaro interpreta a personagem Maria faz mais de duas décadas

Atriz dedica quase metade dos seus 50 anos a contar o drama do personagem Maria. Na vida real, a rotina é diferente
Atriz dedica quase metade dos seus 50 anos a contar o drama do personagem Maria. Na vida real, a rotina é diferente

A peça Pois é, Vizinha (apresentada na Univates no dia 8) é resultado do trabalho de conclusão de curso de Interpretação Teatral da atriz Deborah Finocchiaro. Ela vive profissionalmente a personagem Maria desde 1993, um ano após se formar pela UFRGS. A porto-alegrense dedica quase metade dos seus 50 anos a contar o drama de Maria. Na vida real, a rotina de Deborah envolve outros desafios, como ela conta na entrevista a seguir.

Do que uma peça precisa para continuar atraindo público após mais de duas décadas em cartaz?

Deborah Finocchiaro – Eu acredito que é a atualidade do tema, que infelizmente é totalmente atual. Se trata de violência doméstica, e eu sempre penso que é uma violência contra o ser humano. E tem a qualidade do trabalho, com certeza, a persistência. O que eu atribuo a essa constância do trabalho é a dedicação. E o público adora, as pessoas morrem de rir, mas é uma peça que remete à reflexão, que cria identificação com o espectador. Ela contribui efetivamente para a transformação e é isso que norteia o nosso trabalho.

Em geral, qual o perfil do público do Pois é, Vizinha?

Deborah – Ah, de tudo. Eu faço peças para todos os tipos de público. Já vi de tudo que você pode imaginar: gente que nunca tinha ido ao teatro, analfabetos, milionários. Tudo!

Se trata de violência doméstica, e eu sempre penso que é uma violência contra o ser humano.” – Deborah Finocchiaro

Tirar as pessoas da frente do computador e levá-las ao teatro é um problema?

Deborah – É um problema cada vez mais agravado, porque cada vez mais as pessoas têm medo de sair, têm de se expor, de se relacionar. Então, acho que esse é o nosso trabalho também, de ir rompendo esses limites, essas barreiras. E temos que criar essa necessidade. Muita gente nunca foi ao teatro; é diferente do cinema. O teatro tem um agravante: se o cara foi e viu uma peça ruim, dificilmente ele vai voltar. A gente tem a obrigação de levar coisas de qualidade, daí, se o cara vai e gosta, ele vai querer ir sempre, e isso é lindo de ver!

O que você prevê para a peça Pois é, Vizinha? Por quanto tempo ela ainda deve ficar em cartaz?

Deborah – Ah, meu amor, nem sei te responder. Enquanto eu tiver fôlego, não penso em parar.

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