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Jornal A Hora

Comportamento

Publicada em 17/06/2017

Pets dentro de casa

Tanto faz o tamanho, a idade, ou a raça. Para as mamães de pets, o seu peludo sempre é o mais fofo do mundo e ai de quem discordar

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É inegável que os animais de estimação fazem parte da família. Se antigamente lugar de cachorro ou de gato era no quintal de casa, esse cenário vem mudando rapidamente graças à aproximação cada vez maior entre os tutores e seus pets. Os bichos passaram para o lado de dentro da casa, têm ganhado mimos e produtos diferenciados e, como membros das famílias, muitas vezes, são chamados de filhos pelas mamães do núcleo familiar.

Ana Elisa Endler, 24, é agente de Correios e não vê a hora de chegar em casa para se divertir com seus felinos. Ela tem nove gatos, todos recolhidos da rua entre fevereiro de 2014 e março do ano passado.

Jesse Roberto, Emily Maria, Gregory Cututinha, Ted Antônio, Rebekah Pequena, Anya Beatriz, Ralph Cato, Tobias Babu e Walter Coto são os xodós de Ana. “Eles não são animais, eles são filhos. O amor que sinto por eles é o sentimento mais puro e incondicional”, afirma. Ela conta que não pretende ter filhos humanos, todos terão quatro patas e não nascerão da sua barriga.

Ela acredita que o amor pelos bichanos é tão grande quanto por pessoas. Ana faz tudo pelos seus bichos: fica acordada de madrugada, deixa de comprar algo para ela ou para a casa se estiver em jogo a saúde e o bem-estar deles. Ela é ciente de que os animais precisam de alimentação de qualidade, higiene e atenção, e não mede esforços para que sejam bem assistidos.

As caixas de areia são limpas duas vezes por dia e os bichanos ganham ração pela manhã e à noite, na porção certa em relação ao peso. Ao menor sinal de apatia deles, Ana sai correndo em direção ao veterinário. “Meus gatos têm camas por toda casa, desde onde eu durmo até o armário, o estendedor de roupas, a churrasqueira, a geladeira”, emenda. Nos dias frios, a cama de Ana fica pequena para ela e nove ilustres “visitantes”.

Desde pequena, a agente de Correios divide sa rotina com animais de estimação, mas a resistência dos pais impedia que eles fossem para dentro de casa. O bloqueio foi quebrado recentemente, e desde então a família é só alegrias. “Os animais são seres totalmente sem malícia, dão seu amor sem esperar nada em troca e isso é uma coisa que está cada vez mais rara entre as pessoas”, defende. Ela não pretende adotar mais nenhum, pois admite que sua casa está cheia.

Uma das lembranças mais emocionantes que Ana tem com seus felinos é de um período pós-operatório, em que ela ficou de cama e o comportamento dos gatos mudou. “Todos ficaram pertinho de mim, como se estivessem cuidando, andavam devagar, não pulavam, parecia que eles sabiam exatamente o que estava acontecendo”, emociona-se.

Xodó dos leitores

Jennifer Freitas tem a Bela, de seis meses
Jennifer Freitas tem a Bela, de seis meses
BIbi Bazzo e seu shih-tzu de 1 ano e 6 meses, Thomas
BIbi Bazzo e seu shih-tzu de 1 ano e 6 meses, Thomas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eles retribuem o carinho sempre

A estudante Monique Nonnemmacher Fick, 24, cuida de Julie, uma shih-tzu de 3 anos. A cachorrinha foi comprada ainda filhote, e significa para a dona o amor mais puro do mundo. Julie, assim como os gatos de Ana, dorme na cama da dona. Com um algo a mais: acompanha Monique em diversos passeios. A estudante conta que teve cachorros, gatos, passarinhos, peixes e seu contato com os bichos de estimação é desde criança. “Por mais que seu dia tenha sido cansativo, eles querem atenção, querem amor, e vão saber retribuir sempre”, finaliza Monique.

“Somos seres humanos, eles são cães, gatos, outra espécie”

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A psicóloga Fernanda Nicaretta afirma que cada família funciona e se relaciona com o seu animal de estimação de uma forma singular. Bem longe de representar efetivamente uma carência, ter bichos de estimação é algo comum desde a pré-história. Naquela época, eles eram utilizados como proteção de territórios e instrumento de caças e até mesmo transporte. “Sempre dependemos de interações com outras espécies para nossa sobrevivência”, esclarece Fernanda.

A psicóloga evidencia estudos que mostram redução no nível de estresse e ansiedade e aumento do sentimento de felicidade em pessoas que convivem com animais. Para Fernanda, uma pessoa que passa a ter um animal de estimação ganha com o companheirismo que essa relação proporciona. Os cuidados que os bichos precisam podem contribuir para o despertar de sentimentos como carinho, responsabilidade e facilidade de troca afetiva.

Sempre dependemos de interações com outras espécies para nossa sobrevivência.” – Fernanda Nicaretta

Contudo, alerta que, quando há um investimento desproporcional, personificando o animal, a relação pode não ser saudável. Sobre ter um animal para substituir filhos, a psicóloga sugere cuidado. “Somos seres humanos, eles são cães, gatos, outra espécie”. Ela constata que é possível ter um animal e considerá-lo como um filho, mas é necessária a noção de que ele não é. O carinho, o cuidado, o empenho afetivo é de cada um, mas projetar uma imagem não real no animal pode gerar efeitos indesejados. A interação, as demandas, os ciclos da vida, tudo é diferente quando se fala em animais de estimação. Por isso, não é adequado falar em substituição.

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