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Jornal A Hora

Vale do Taquari

Publicada em 12/07/2017

Instabilidade na cadeia do leite afasta produtores

Edição do Pensar o Vale debate rumos do setor

Crédito: Ezequiel Neitzke Oscilação no preço inviabiliza melhorias na propriedade de Valdir Schmidt
Oscilação no preço inviabiliza melhorias na propriedade de Valdir Schmidt

O setor leiteiro é uma das principais fontes de renda no campo e uma das poucas atividades capazes de garantir a sucessão nas propriedades. Porém, a crise tem afastado produtores da atividade. O baixo preço pago pelo produto não compensa os investimentos.

Faz oito anos que Valdir Schmidt, 54, deixou a cidade para residir em Linha Santo Antônio, em Colinas. Tem um plantel de 65 vacas. Com uma produção diária de 1,1 mil litros, projeta aos poucos reduzir e desistir da atividade. “Se nada mudar e não ocorrer aumento dos preços, vou começar a reduzir a produção. Primeiro vou pagar as contas, depois vou vender todas as vacas e os equipamentos.”

O valor pago por litro é de R$ 1,30, mas o custo de produção é de R$ 1,38. A sala de ordenha requer adequações para atender as exigências sanitárias. “Para continuar, tenho que fazer mais investimentos. Com o preço em queda não é viável.”

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Schmidt estuda investir na produção de suínos ou de frangos.

Cenário incerto

Rudimar Graff, 49, está na atividade faz 20 anos e conta que a margem de lucro, hoje, é a mesma que tinha em 1997, quando ingressou no setor. Hoje ele recebe R$ 1,15 pelo litro de leite. O valor não paga os custos de produção.

A expectativa é que o valor caia para R$ 1. “O preço cai muito rápido e demora para subir. No ano passado, foi assim. Entre julho e agosto, pagavam R$ 1,60, em seguida, caiu para R$ 1.”

Faltam incentivos

Dados do Instituto Gaúcho do Leite (IGL) apontam que 2,5 mil produtores ficaram fora da atividade. Sem políticas de incentivo e de proteção ao setor, a entidade projeta que dentro de cinco anos mais de 40 mil famílias podem deixar a atividade no RS

O líder de um arranjo produtivo local (APL), Gilberto Zanata, também está preocupado com cenário. Na avaliação dele, a aquisição de leite em pó do Uruguai interfere no mercado interno.

O ICMS na importação de leite em pó do Uruguai caiu de 18% para 4%. A redução na alíquota favorece os grandes laticínios a comprar o produto no país vizinho.

Em 2016, o Uruguai produziu 2,3 bilhões de litros de leite, com 3,2 mil produtores. Pelo menos, 70% foi exportado. O Brasil foi o principal destino, entre janeiro e junho de 2017, recebeu 60% desse volume. Nesse mesmo período, o Brasil produziu 23,17 bilhões de litros de leite. Ou seja, o Uruguai produziu apenas 9% da produção de leite do Brasil.

Setor em debate

Diante desse cenário, o A Hora promove amanhã mais uma edição do Pensar o Vale. Autoridades gaúchas debaterão os rumos e desafios da cadeia leiteira no RS. O evento ocorre às 8h30min, no auditório do prédio 20 da Univates. O evento é gratuito e aberto ao público.

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