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Jornal A Hora

ASSINANTE SOLIDÁRIO

Publicada em 15/07/2017

Para constituir um lar

Saidan pretende ampliar infraestrutura para atender mais crianças carentes ou vítimas de violência

Crédito: Gesiele Lordes Convívio entre as crianças aproxima os laços. Algumas começam a se tratar como se fossem irmãs
Convívio entre as crianças aproxima os laços. Algumas começam a se tratar como se fossem irmãs

Vinte crianças podem parecer pouco para uma entidade assistencial. Porém, quando trata-se de menores afastados dos pais, a atenção precisa ser integral. É a esse tipo de situação que a Associação de Assistência à Infância e à Adolescência (Saidan) atende. São filhos de pais dependentes de drogas, vítimas de abusos, de violência e de abandono.

Com o trabalho de uma coordenadora, de uma psicóloga e de uma assistente social, a Saidan trabalha para restabelecer o vínculo familiar entre pais e filhos.

Segundo o presidente Jorge Felipe Eckert, cada caso é analisado. Alguns acolhidos podem passar os fins de semana em casa, por exemplo. Outros recebem a visita dos pais na própria instituição. Enquanto as profissionais da Saidan analisam a reação dos menores, a rede de assistência do município trabalha com os familiares. Quando é inviável essa reaproximação, a criança é encaminhada a familiares. E, em últimos casos, à adoção. Quando nenhuma alternativa é bem-sucedida, o menor permanece nas casas-lares até a maioridade.

A proposta das casas-lares é que as crianças e jovens se sintam em um lar. Para tanto, existe a figura chamada de “mãe social”. Elas administram o lar e se dedicam às crianças integralmente. São elas que levam os pequenos ao parque, aos passeios, ao médico ou dentista e, em alguns casos, até a escola. Esse é um dos cargos mais importantes da instituição, mas a carga horária e emocional dificulta a permanência. As “mães” ficam cerca de seis meses no emprego.

“Ter uma criança em um turno, receber e entregar para os pais no fim do dia, é uma coisa. Ter uma criança que tu tem que dar toda a assistência física, higiene, alimentação, escola, preocupação com agasalho, com saúde, com dentista, envolve todo um cuidado. De segunda a segunda, do dia 1o de janeiro ao dia 31 de dezembro. E não tem férias”, compara Eckert.

A Saidan conta com os recursos do Assinante Solidário – projeto do A Hora que destina 8% da receita de assinaturas a entidades assistenciais – para ampliar o espaço físico.

Algumas famílias visitam jovens e crianças para restabelecer vínculos
Algumas famílias visitam jovens e crianças para restabelecer vínculos

Mãe em período integral

Nardete de Fátima Clemente da Motta, 50, é uma das veteranas na Saidan. Viúva, mãe de filhos adultos e na torcida pela chegada de netos, ela se dedica no cuidado aos acolhidos. É mãe social faz 1 ano e 9 meses. Para Nardete, mais difícil do que a rotina, é a interrupção dos laços afetivos quando uma criança vai embora. “É a relação de mãe e filho. É vestir, dar carinho, dar uma orientação. Dá um sofrimento quando eles vão embora. Não tem como não se apegar”.

E o sentimento é recíproco. Há pouco, uma das meninas pediu se poderia começar a chamar Nardete de mãe. “Eu disse: ‘esse é a uma decisão tua; se quiser, pode me chamar’”.

O carinho das crianças é explícito. Enquanto caminhava pelo pátio, o presidente da entidade, Eckert, precisava fazer pausas, para retribuir os abraços de jovens e crianças que queriam contar sobre o dia.

Gustavo (nome fictício), 13, vive no abrigo faz cerca de um ano. Quando não está na escola, onde curso o 8º ano, gosta de jogar basquete com os amigos.

Também é conhecido na Saidan como poeta e, estimulado pelas oficinas oferecidas no Cras, está aprendendo outras formas de arte. “Agora eu tô mais cantando, mesmo”, diz.

Mãe social, Nardete Motta diz que o mais difícil é se despedir das crianças
Mãe social, Nardete Motta diz que o mais difícil é se despedir das crianças

Centro socioeducacional

Segundo Eckert, os cinco bairros dos arredores da Saidan (Jardim do Cedro, Conservas, Santo Antônio, Morro 25 e Nações) representam 10% do território de Lajeado e concentram quase 1/4 da população. Desses 24 mil habitantes, cerca de 3,7 mil são jovens e crianças entre 5 e 19 anos. Com a recente implantação de condomínios populares, o número deve chegar a 4,7 mil. O presidente da Saidan calcula que não chega a mil aquelas atendidas nas entidades de contraturnos escolares de Lajeado. “Uma parcela irrisória deve trabalhar. É um número muito elevado de crianças na rua, sem atividades no contraturno. E isso tem sido, principalmente nesses bairros, uma escola do que não se deve fazer”.

Para atingir essas crianças, a Saidan esboça a criação de um centro socioeducacional, já que há dois pavilhões ociosos no terreno da entidade. A proposta prevê um currículo que contemple: expressão corporal, desenvolvimento do raciocínio lógico, educação ambiental, tecnologia, e profissionalização (formação de garçons e cozinheiros, em torno de um restaurante social).

O principal desafio será a captação de recursos. Ainda não há uma estimativa de quanto será necessário para executar o projeto. É possível contribuir com a Saidan se cadastrando na Nota Fiscal Gaúcha e com a destinação de parte do Imposto de Renda ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente.

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