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Jornal A Hora

Vale do Taquari - PEDÁGIOS DA EGR

Publicada em 12/08/2017

“Minha opinião é não te dar informação”, diz presidente

Questionado sobre as razões para aumentar pedágio, Nelson Lidio Nunes, Diretor-presidente da empresa pública responsável pela malha viária estadual no Vale do Taquari prefere não se manifestar. Por outro lado, líderes regionais voltam a cobrar o retorno do protagonismo dos Corepes, reclamam de falta de transparência e questionam possibilidade de aumento nas tarifas

Crédito: Arquivo A Hora 2017 08 12 ARQUIVO A HORA _ obras EGR no Vale 1

O governo estadual ainda não confirmou se autoriza ou não o aumento nas tarifas de pedágios solicitado pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). A estatal argumenta que a defasagem varia entre 81 e 88,7%, inviabilizando investimentos em grandes obras nas rodovias pedagiadas. Esses percentuais, segundo a direção, se referem à reposição da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em 2013, ao assumir a manutenção dos pedágios em diversas rodovias no estado, a estatal baixou de R$ 7 para R$ 5,20 os valores da tarifa básica nas 11 praças antes administradas por outras concessionárias, entre essas a Sulvias. Esse valor era cobrado desde 2007 e não foi reajustado até então.

No Vale do Taquari, por exemplo, a EGR possui dois pedágios: em Cruzeiro do Sul e Encantado. Entretanto, também faz parte do chamado “Polo de Lajeado” a cobrança realizada na ERS-453, em Boa Vista do Sul. Nas três praças, o preço cobrado hoje é de R$ 5,20. A proposta da estatal é aumentar os valores, gradativamente, em até 81%.

Se confirmado o aumento previsto, os pedágios na região passariam a custar R$ 9,41. Líderes regionais rechaçam a posição da estatal. Reclamam, principalmente, a falta de investimentos em grandes obras de infraestrutura, entre essas a duplicação da ERS-130/129, entre Venâncio Aires e Muçum. A EGR já recebeu, inclusive, um estudo de viabilidade técnica custeado pelas prefeituras.

Desde junho de 2013, conforme planilhas disponíveis no site, a empresa pública arrecadou mais de R$ 169 milhões nas três praças do Polo de Lajeado. No mesmo período, desembolsou R$ 101,1 milhões. Entretanto, desse montante gasto, apenas R$ 4,8 milhões – ou 3,8% do que foi arrecadado – foram investidos em obras priorizadas pelo Conselho Comunitário das Regiões Pedagiadas (Corepe) do Vale do Taquari.

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A reportagem entrou em contato com o Diretor Presidente da EGR, Nelson Lídio Nunes, cujo salário de dirigente é de R$ 17,8 mil mensais. Ele também recebe R$ 1,7 mil por mês como membro do Conselho de Administração. Nunes criticou as opiniões de colunistas do jornal A Hora referentes ao serviço prestado pela EGR na região, e não quis responder aos questionamentos.

“É o seguinte: a minha opinião é não te dar informação. Eu não vou te passar, não vou fazer entrevista contigo”, disse o responsável pela empresa pública. Nunes é Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e graduado em Administração de Empresas. Antes de assumir a EGR, em dezembro de 2015, exerceu funções na Trensurb, na Metroplan, e como assessor da Prefeitura de Porto Alegre para o projeto do Metrô de Porto Alegre, no Escritório MetrôPoa.

R$ 16,8 milhões gastos em 2017

Só nos seis primeiros de 2017 a EGR arrecadou 18,4 milhões nos três pedágios da região: R$ 6,9 milhões em Encantado, R$ 4,7 milhões em Boa Vista do Sul, e R$ 6,8 milhões em Cruzeiro do Sul. Apenas em junho deste ano, por exemplo, passaram pelas três praças, respectivamente, 201,7 mil, 121,8 mil e 193,5 mil veículos.

Nesses mesmos seis meses deste ano, a EGR desembolsou R$ 16,8 milhões no Polo de Lajeado. Cerca de R$ 1,6 milhão a menos do que a arrecadação do período. Segundo a assessoria de imprensa da estatal, a diferença ocorre pois os gastos se referem ao fluxo de caixa mensal de cada praça, e “não estão incluídos valores referentes a contas a pagar e a receber no curso do ano.”

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa da EGR, do montante de R$ 16,8 milhões, cerca de R$ 6,6 milhões foram gastos em conservação de rodovia. Nesse quesito, constam recuperação de pistas, pintura e sinalização, manutenção operacional e fiscalização de obras e serviços. A maior fatia, R$ 2,9 milhões, foi para a praça de Encantado.

No mesmo período, a estatal gastou R$ 5,4 milhões nas três estruturas com “custos de operação da praça”. O montante se refere ao custeio de funcionários terceirizados nas cabines, manutenção eletro-eletrônica, serviço de guincho e convênios com bombeiros e resgate médico. Outro R$ 1,2 milhão foi gasto com “apoio administrativo e qualificação da infraestrutura da praça”.

2017 08 12 ARQUIVO A HORA _ obras EGR no Vale
Nos seis primeiros meses deste ano, a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) gastou cerca de R$ 6,6 milhões em manutenção de rodovias nas três praças localizadas na região

Impostos e manutenção da sede, em Porto Alegre

Ainda referente aos desembolsos de 2017 nas três praças do Polo de Lajeado, a EGR, conforme informação da assessoria de imprensa, gastou R$ 3,2 milhões em “impostos e manutenção da sede em Porto Alegre”. A reportagem solicitou a separação desses gastos, mas a direção da estatal não soube precisar esses dados.

Neste quesito, os custos foram mais elevados em Cruzeiro do Sul: R$ 1,3 milhão em seis meses. Em Encantado e Boa Vista do Sul, respectivamente, foram desembolsados R$ 1,2 milhão e R$ 780,2 mil em impostos e também em valores para manter a estrutura da EGR em Porto Alegre.

Na sede atuam cerca de 50 dos 70 funcionários efetivos, cujos salários brutos variam de R$ 17,8 mil a R$ 1,9 mil. Já em dezembro de 2016, teve advogado e engenheiro civil acumulando mais de R$ 30 mil entre salários, gratificações e abonos. Além desses, os diretores presidente, administrativo e financeiro receberam R$ 35 mil, R$ 32 mil e R$ 32 mil, respectivamente naquele mês.

Vale cobra o retorno do protagonismo

O Corepe do Vale participou de uma reunião com a direção da EGR no dia três de agosto. Segundo uma das representantes, a presidente do Codevat, Cíntia Agostini, em nenhum momento os representantes da estatal mencionaram a intenção de aumentar tarifas. “Fomos surpreendidos, dois dias depois, com a notícia sobre esta tentativa. E não é assim. Tem que passar pelos Corepes.”

Só cinco das mais de 20 obras apontadas como prioridades pela região foram cumpridas. A intenção do Corepe, além de intervir no debate sobre aumento das tarifas, é retomar o protagonismo, explica Cíntia. “Eles pediram para unir Vale do Rio Pardo e Taquari, e cada um teria que sugerir seis nomes para eles escolherem apenas um. É inviável. Queremos representatividade, queremos que nos abram as planilhas”, finaliza ela.

Rodrigo Martini: [email protected]

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