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Jornal A Hora

Estrela

Publicada em 23/08/2017

“Se a palavra não ajuda, abraça”

Escritor Fabrício Carpinejar falou sobre afetividade em encontro das Apaes realizado ontem em Estrela

Crédito: Gesiele Lordes Aos 7 anos, escritor foi diagnosticado com retardo mental. Com a ajuda da mãe,  aprendeu a ler e escrever
Aos 7 anos, escritor foi diagnosticado com retardo mental. Com a ajuda da mãe, aprendeu a ler e escrever

A importância do afeto nas relações, da valorização do tempo e a superação do senso comum foram alguns tópicos abordados pelo escritor Fabrício Carpinejar. A palestra “Olhar com a boca: a alfabetização amorosa” ocorreu ontem durante o 13º encontro das Apaes do 8º Conselho realizado na Soges.

De forma bem humorada, ele falou sobre experiências pessoais, fazendo uma conexão com o público atendido pelas entidades. Aos 7 anos, por exemplo, diante da dificuldade em aprender a ler e escrever, foi encaminhado a um neuropediatra e recebeu o diagnóstico de “retardo mental”.

Para tentar ajudar o filho, a mãe saiu de licença do emprego e dedicou dias inteiros à alfabetização dele. “Lembro que a minha mãe jogou todos os remédios na pia. Depois de dois meses, voltei para a escola melhor do que os colegas”. Hoje, é autor de dezenas de livros, além de colunista. “Isso prova que diagnóstico não é destino. Diagnóstico não inclui fé, persistência, ternura e lealdade.”

Para o comentarista do programa Encontro com Fátima Bernardes, o tempo vivido ao lado de pessoas importantes deve ter qualidade, mesmo que seja pouco. “Sempre que vejo uma mãe ou pai de uma criança com Down, fico com inveja, pelo jeito que eles abraçam. Eles olham nos olhos dos filhos.”

Observa que muitas vezes a vida simples, vivida pelas gerações mais anteriores, parece mais complicada porque a capacidade de valorizar as pequenas alegrias se perdeu. “Minha avó demorava duas horas para fazer uma galinha recheada; eu perco duas horas na fila do mercado no domingo.”

Ele ainda destaca o retorno emocional que os funcionários e voluntários da Apae recebem. “Acredito que esse trabalho, na verdade, acaba melhorando quem trabalha, porque eles aprendem a vida em outra frequência, e a não sofrer com as dificuldades cotidianas.”

Entrevista

“Temos que deixar que cada um encontre seu ritmo”

Escritor destaca sabedoria das crianças excepcionais

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Você tem algum contato direto com pessoas com deficiência?

Eu tenho amigos que são pais de crianças excepcionais e, nossa, eles são hospitaleiros, acolhedores, eles não escondem a criança. Pelo contrário: a criança de certa forma une a família. A gente vê a criança excepcional como frágil, mas ela tem uma sabedoria de nunca adiar o que está sentindo, que é o que a gente costuma fazer.

Como você acha que a educação pode ser mais amorosa?

Se a palavra não ajuda, abraça. É sempre muito mais veemente. E tem a questão de não tentar falar pelo outro. A gente costuma sobrepor afirmações. A nossa dificuldade, por exemplo, com um gago: a gente quer falar por ele. Temos que deixar que cada um encontre seu ritmo.

O que pensa sobre quem trabalha em favor das pessoas com deficiência?

Esses profissionais têm o dom de converter estranhos em família, e a gente costuma fazer ao contrário: converter a família em estranhos.

Gesiele Lorde: [email protected]

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