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Jornal A Hora

Ideias

Publicada em 16/03/2017

A bolha da felicidade

O movimento atual de troca de informações entre as pessoas foi impulsionado pela disseminação das redes sociais, movimentos transcendentais que fundamentalmente modificaram os entes enquanto objetos de interação e modificação do meio. Tal constatação colabora com a afirmação que o individualismo ganha força, a partir da análise instrumental de tecnologias para a comunicação, distanciando fisicamente as pessoas e tornando os sentimentos muito mais escassos e intocáveis.

À medida que nos escondemos atrás de aparelhos eletrônicos, somos capazes de criar um mundo ideal, onde sonhamos viver, onde por vezes moramos sem querer, ou simplesmente queremos mostrá-lo ao mundo, mesmo que não exista. A manipulação do meio por meio da indução de imagens perfeitas tornou-se algo corriqueiro atualmente, desdenhados por pessoas que preenchem seus vazios com falsas alegrias e sucessos.

A autopromoção tornou-se a palavra-chave desta era da comunicação digital, pois os indivíduos inconscientemente têm a necessidade de mostrar-se aos demais em suas melhores formas. Recursos e ferramentas multiplicam-se no mercado buscando suprir a demanda crescente de consumidores ferrenhos de tudo que revolucione sua própria imagem e os coloque em patamares extremos de visibilidade.

Os jovens, parcela principal da população que utiliza as redes sociais, são os que mais sofrem com o bombardeio de edições espetaculares de falsas felicidades criadas dentro de uma bolha insensível e insensata que visa somente à articulação de status perante o meio social. Até que ponto torna-se saudável suprimir as derrotas? O ser humano não é perfeito, cada um carrega consigo suas individualidades que o torna único no contexto terreno, nesse sentido, não há necessidade de esconder as falhas e muito menos criar vidas em pequenas bolhas individuais que em pouco tempo estouram e machucam seu residente.

A analogia à bolha se assemelha a um comportamento instável, volúvel e influenciável que acaba por ser ao mesmo tempo belo e temporário, mas que revela muitas fragilidades da pessoa que se encontra por trás de suas paredes. Considera-se que a busca pela perfeição individual perante a sociedade por meio das redes sociais é um processo crescente, mas que, no entanto, tem a tendência de cessar por si mesmo ao passo que o idealismo coletivo subjuga a essência fundamental do ser humano em convívio social.

Luis Felipe Pissaia
Bacharel em Enfermagem e mestrando em Ensino pela Univates
lpissaia@universo.univates.br

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