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Publicada em 03/06/2017

A desconstrução do preconceito social

Nos últimos anos as questões de preconceito social estão tomando espaço nos meios de comunicação eletrônicos e impressos, ao passo que em muitas situações não estamos familiarizados com a linguagem e a simbologia atrelada ao estigma. A própria palavra preconceito quando desmembrada “pre/conceito” situa os leitores a sua significância, que por momentos passa despercebida e utilizada erroneamente para caracterizar fatos ou situações verdadeiramente encapasses de suportar tal conceito.

O preconceito em suma me parece um termo hostil, que por si só demonstra a intolerância ao sujeito que vivencia o fato. Para tanto, compreendo que a expressão nada mais é do que uma generalização sob um pensamento crítico e superficial sobre um tema a ser exposto ou uma situação presenciada.

As várias formas de preconceito que surgem são delimitadas não somente por sua eximia repressão, mas pelas características fatídicas que nomeiam o fato, dentro do grande campo do preconceito social encontramos uma infindável lista de exemplos, desde questões de gênero e orientação sexual, política, econômica, religiosa, dentre outras. O que de fato perpetua essa inconsistência é a necessidade constante de julgamento arbitrário por parte de indivíduos que desconhecem a realidade imposta.

Por meio deste texto, quero propor a desconstrução do preconceito. Inicio o processo ciente de que todo o preconceito existente começa por uma construção, mesmo que imperceptível, trata-se da junção de diversas peças de um mesmo jogo, ou seja, a construção de diferentes vivências, que formam o sentido que o indivíduo percebe a situação. Nesse campo experimenta-se a própria construção do sujeito social, fruto de um processo, além de biológico que nos diferencia uns dos outros intimamente, mas com influência cultural e social que delimita muitas das ações as quais aprendemos desde cedo e proliferamos em nossa comunidade.

No entanto, ao mesmo limiar que nos constituímos como cidadãos por meio de experiências, algumas vividas e outras impostas a nós externamente, somos capazes de iniciar uma pequena fagulha para a desconstrução do preconceito. A fagulha seria a reflexão crítica, por meio dela o ser humano escapa da alienação e compreende os demais como iguais.

Seriamos extremamente egoístas em pensar que nossos ideais estarão para sempre corretos, pois a sociedade como fruto de nossas ações está em constante evolução e há espaço para todos experimentarmos este processo de mudança. Para tanto, a desconstrução do preconceito inicia-se individualmente, quando estou aberto a perceber a infinidade de vidas ao meu redor, cada qual com seus próprios preconceitos e vivências que definem o nosso perfil único nesta grande comunidade global.

Luis Felipe Pissaia
Bacharel em Enfermagem e
mestrando em Ensino pela Univates
lpissaia@universo.univates.br

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