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Jornal A Hora

Ideias

Publicada em 24/03/2017

A necessidade de qualidade de vida na terceira idade

O conceito de qualidade de vida é amplo e flexível devido aos seus determinantes socioculturais que desenham o perfil de uma comunidade. Quando começamos a trabalhar com qualidade de vida em grupos específicos da população, percebemos diferenças surpreendentes em suas definições, bem como problemáticas a serem averiguadas que ficam subscritas quando analisamos dados gerais.

Na terceira idade, por exemplo, a qualidade de vida aparece atrelada diretamente à saúde. Faz alguns anos, estudo o envelhecimento humano e em várias situações anseio que a saúde torna-se parte integrante da qualidade de vida dos indivíduos nessa etapa do ciclo vital. A delimitação da necessidade de manter uma boa saúde configura-se como uma segunda chance de usufruir de atividades que não dispunham quando jovens e hoje, na terceira idade, têm a oportunidade de vivenciar.

O fato, no entanto, é que a conceituação de saúde nessa etapa da vida também se modifica, vinculando-se ao bem-estar emocional e afetivo, associando ao fato de não sentir dor e ter a disposição de realizar as tarefas diárias. Outra questão que contrapõe a definição de “ter ou não” saúde ou qualidade de vida é a necessidade de estar perto da família e amigos, além de ter disposição para realizar atividades educativas e recreativas.

Contudo, a realização de atividades desejadas nem sempre é possível. Vivenciamos uma realidade em que o envelhecimento humano demonstra outras faces que revelam doenças físicas e mentais degenerativas. Algumas incapacidades são momentâneas, no entanto, seu organismo biológico é lentamente degradado o que pode dificultar a aprendizagem, a locomoção e o pensamento reflexivo e crítico sobre sua vida, manifestando-se por meio da dependência de terceiros.

E, enquanto comunidade, quais estratégias podem ser realizadas para oferecer uma maior qualidade de vida à nossa população idosa? Para iniciar, instigo você, meu caro leitor, a procurar saber mais sobre as políticas públicas específicas para pessoas idosas. A partir disso, entenderemos o nosso papel enquanto cidadão e a responsabilidade conferida a nós para com os idosos que residem em nosso meio.

Basta refletir sobre as colocações anteriores, se, por momentos, não podemos interferir nos processos patológicos que se desenvolvem no organismo, em outros, no entanto, podemos nos fazer presentes junto a esses indivíduos oferecendo ternura e empatia própria do instinto humano e que, por si só, fortalecem a qualidade de vida de ambos.

Luis Felipe Pissaia
Bacharel em Enfermagem e mestrando em Ensino pela Univates
lpissaia@universo.univates.br

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