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Jornal A Hora

Ideias

Publicada em 05/07/2017

Antropocentrismo: o reflexo do medo contemporâneo

A ideia de antropocentrismo nunca esteve tão viva como na atualidade. O termo que designa a centralização do ser humano em relação ao restante do universo faz parte de algumas linhas de pensamento filosófico e crenças religiosas. Esse ideal localiza espacialmente o núcleo de todo o espaço, sendo esse reservado ao próprio indivíduo, o qual tem o poder de decisão, e assim sendo, a autoridade de modificar seu entorno.

Nesta reflexão não se intui a ideia de discorrer sobre o conceito e discussões acerca do antropocentrismo, mas trazer à tona uma visão atual sobre esse paradigma presente há séculos em nossa sociedade e que aflorou nas últimas décadas simploriamente como um hábito de vida. Veementemente observa-se que as redes sociais chegaram para modificar os processos de comunicação entre as pessoas, seja por meio de fotos, vídeos, áudios ou mensagens escritas.

A ampliação da comunicação possibilitou um aumento exorbitante na rede de amizades e contatos antes isolados geograficamente, abrindo portas para novos relacionamentos e vinculação com outras culturas e sociedades.

Nesse mesmo ponto, as redes sociais tornaram-se abrigo para a ocorrência do antropocentrismo em sua essência, ou seja, por mais que a ideia de rede de contatos e globalização das ideias ganhe notoriedade na internet, o próprio indivíduo tornou-se individualizado, mobilizado a vender seu status aos demais perdendo a noção de convivência com o outro.

Nesse sentido, se observa que do mesmo modo que a interações humanas neste século tornaram-se produtivas e benéficas, alguns passos foram dados para a superficialidade das relações, principalmente na abrupta necessidade de engrandecer seu próprio ego, sem medir esforços ou restrições para tal façanha. Sob esse limiar, observa-se a impressão de expectativas gigantescas sobre os ombros de outros, submetendo de maneira ambiciosa que tal se submeta a ser um espelho de seus próprios desejos.

A sociedade moderna trouxe por meio do antropocentrismo a usurpação dos sentimentos essenciais, como a solidariedade, deixando de lado a comunicação interpessoal, ocasionando o distanciamento dos seres e excessos de objetividade nas relações.

O ser humano tornou-se aquilo que sempre quis ser, e tem o poder para tal façanha, por meio da tecnologia todas suas imperfeições são apagadas ou corrigidas, mostrando somente qualidades ou criando-as conforme a conveniência do momento.

A maneira de encarar o mundo, de ver o mundo mudou. O medo de não ser aceito, de divulgar suas individualidades fechou as pessoas em seus próprios mundos, pequenos e isolados planetas que por meio de uma minúscula janela espalham somente aquilo que querem mostrar aos demais. A questão é que ao fechar-se perante os demais, cometemos o erro de pensar que estamos sozinhos e nos autopromovemos a comandante de algo muito maior e que não pode ser usurpado.

Luis Felipe Pissaia, Bacharel em Enfermagem e mestrando em Ensino pela Univates/lpissaia@universo.univates.br

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