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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada às quintas-feiras
Publicada em 18/05/2017

“Burrocracia”

O alemão Max Weber é um dos mais renomados pensadores sociais. Dizia, ele, que “a burocracia tem como intuito maximizar a eficiência em uma empresa.” Para o fundador da teoria sociológica clássica, “a burocracia deveria ser vista como um recurso de organização em um sistema.” De fato, deveria. Mas no mundo real a burocracia é sinônimo de ineficiência. E isso enche o saco.

É impressionante como o Estado e suas ramificações atrapalham nosso dia a dia. É desgastante a forma como ele engessa certos mecanismos, transformando simples ações do cotidiano em verdadeiros martírios.

Nesta semana, tive o desprazer de iniciar o trâmite de renovação da minha carteira nacional de habilitação (CNH). Sabia, de antemão, que a empresa credenciada pelo Detran solicitaria um comprovante de residência para dar seguimento ao processo burocrático.

Levei ao Centro de Formação de Condutores, o CFC, um documento enviado pelo Detran para a minha residência. Nesse documento, o órgão regulador do CFC me avisava da necessidade de renovação, e solicitava que eu me dirigisse ao local para iniciar o trâmite. Eu recebi o documento no meu endereço. Fui até o CFC, mas o CFC não aceitou esse mesmo documento como comprovante de residência.

Pois bem. Tive então que sair em busca de um comprovante de residência que o CFC aceitasse. Algo que, sei, eu poderia ter evitado se tivesse buscado informações anteriormente. Em parte, é culpa minha. Mas é porque eu ainda confio no bom senso e tenho a otimista previsão de que tudo será simples e eficaz. Novamente dei com os burros n’água. Nada no Estado é simples.

Não consegui juntar a documentação e voltei no dia seguinte. Após preencher a papelada, recebo um boleto de pagamento da guia de arrecadação do Detran, o GAD. São R$ 209,44 para carteira A e B. Desse valor, R$ 66 são para o “exame de aptidão física e mental”.

Para minha surpresa, não é permitido quitar a taxa no mesmo local. Fui informado sobre alguns poucos bancos autorizados. Como o horário já estava um pouco avançado, não tive como pagar naquela tarde. Deixei para o dia seguinte.

Com a guia paga, consegui marcar o tal exame médico. Esse, sim, realizado na sede do CFC. Menos mal? Claro que não. Estamos falando do Estado, lembram? O exame é uma das principais razões deste meu desabafo. Afinal, tanta burocracia para agendá-lo me fez pensar que seria algo um tanto quanto extraordinário. Outra vez, com os burros n’ água.

O exame durou menos de um minuto. Citei quatro letras dispostas em um quadro, acertei as três cores do semáforo em uma espécie de microscópio e disse que não tinha ideia da média da minha pressão arterial. O médico responsável não mediu minha pressão. Apertou quatro ou cinco teclas no computador, pediu minha assinatura e gritou: “Próximo!”

Vejam bem. Eu não sou um liberal e estou aqui falando mal do Estado. Por quê? É simples. Porque um Estado ineficiente é a maior propaganda contra o Estado. Não perceber essas discrepâncias entre o que é necessário e o que deveria ser imediatamente repassado para a iniciativa privada – sem interferências burras – é o desafio.

No caso da CNH, eu enfrentei um intenso processo burocrático exigido pelo Estado e, mesmo se estivesse com a saúde absolutamente debilitada para conduzir veículos, eu estaria aprovado no exame médico. Percebem o tamanho da ineficiência? E esse caso não é dos mais graves.

Após a criação da União Soviética, o termo burocracia apareceu como uma crítica à rigidez do aparelho do Estado. Surgiu como uma crítica aos partidos políticos que sufocavam a democracia. Já passou da hora de revermos as razões pelas quais o termo adquiriu fortes conotações negativas.


Heitor Hoppe no governo PP

O prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, confirma Heitor Hoppe, ex-presidente da câmara de vereadores, como coordenador da Defesa Civil. Hoppe foi, por muitos anos, filiado ao PT, principal adversário político do PP. Formado em Ciências Econômicas pela Univates, o ex-petista se aposentou no fim de 2016 como servidor do Banco do Brasil. Nos bastidores, a saída dele do PT pegou mal.


Cassação de vereador em Guaporé

O presidente da câmara de Guaporé, vereador Ademir Damo (PDT), teve o mandato cassado por unanimidade pelos procuradores do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ele, que foi o terceiro mais votado na cidade, com 964 votos, foi condenado em razão da oferta de dinheiro, exames médicos e cedência de horas-máquina pela prefeitura com a finalidade de obter os votos dos eleitores.

Damo também foi condenado a pagar multa de R$ 5,3 mil. Durante as investigações, o vereador cassado foi flagrado em gravações de áudio e vídeo durante a campanha eleitoral do ano passado. Em uma delas, oferece R$ 150 a uma eleitora. Damo preside o diretório municipal do PDT e ainda tentará reverter a condenação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


Poda em terreno particular não é prevista em lei

O vereador de Lajeado, Sérgio Kniphoff (PT), denuncia erros nos serviços de poda por parte da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agricultura (Sedetag). Na terça-feira, mostrou fotos de um servidor público cortando galhos no pátio de uma empresa privada, instalada no mesmo imóvel do empreendimento do ex-vereador, Adir Cerutti, hoje lotado na Sedetag.

Inicialmente, a Sedetag confirmou a poda naquele local, argumentando se tratar de um “serviço público que foi pago pela empresa”, e que estaria balizado por um decreto municipal assinado em 2016. Entretanto, nesse decreto não consta a possibilidade de podas. E na nota fiscal referente ao acordo entre secretaria e empresa privada, consta apenas o aluguel de uma “retroescavadeira”.


Tiro Curto

– O processo movido pelo Ministério Público contra o prefeito de Estrela, Carlos Rafael Malmann (PMDB), referente à compra – com recursos públicos – do Prêmio Gestor, será analisado na próxima sessão de julgamento da 4ª Câmara Criminal do TJ, no dia 25 de maio;

– Waldir Blau (PMDB), presidente da câmara de Lajeado, promete entrar na Justiça contra as obras de pavimentação pelo PAC. Diz que a ação será movida por moradores da rua Romeu Júlio Scherer, que estariam pagando valores quase 100% acima do normal pelo asfalto. A procuradoria jurídica do governo prefere aguardar decisão judicial;

– Em Roca Sales, as sessões do Legislativo passam a ser transmitidas pela internet. O mesmo já ocorre com Estrela. Em Lajeado, as transmissões são via TV a cabo;

– A Associação Cultural Vocalize, em parceria com a Escola de Música Josélia Jantsch Ferla, criou um grupo de formação de cantores de canto coral. Vale a pena acompanhar esses novos talentos;

– O artista lajeadense Alessandro Cenci está com uma exposição bacana no foyer do Teatro do Ceat. Esculturas de sucata, xilogravuras, telas, collage. Vale a pena dar uma espiadinha;

– Em Arroio do Meio, o PP realiza sua convenção para escolha do diretório 2017-2019 no dia 20, na câmara de vereadores. Dos atuais 72 membros, 20 ficam;

– A delação dos donos da JBS deveria ser destruidora para o presidente ilegítimo, Michel Temer, gravado em situações extremamente embaraçosas. Deveria. Pois, no Brasil, só isso não basta para derrubar um presidente. Boa quinta-feira a todos!

Onde se cria muita dificuldade, há sempre alguém vendendo facilidades. – Lori Tansey

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