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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada às quintas-feiras
Publicada em 13/07/2017

Cada um por si, e paga quem quer

O sistema de estacionamento rotativo nunca vai funcionar a pleno em uma cidade com tanto ranço como Lajeado. Desistam. Desde os primórdios, o grande problema foi a inadimplência de quem, inexplicavelmente, se acha no direito de não pagar, enquanto a imensa maioria paga. E, nesse mundinho do “cada um por si”, é sempre mais fácil reclamar.

E sempre foi assim. A minoria inadimplente sempre se sentiu injustiçada. Sempre. Como comentei no artigo da semana passada, gosto de passar certo tempo da semana lendo jornais velhos. É uma boa forma de contextualizar certas problemáticas. Não seria diferente com o rotativo, claro!

Olha só que interessante: em 26 de janeiro de 1992, há mais de 25 anos, um conhecido freteiro que fazia ponto na rua Júlio de Castilhos, em frente a já extinta Loja Seli, resolveu não pagar porque se sentia injustiçado. Para ele, o ponto público era dele. Só dele.

E o freteiro foi além. Como ousaram cobrar pelo uso do local público que ele considerava dele, resolveu entrar com uma Ação Declaratória na Justiça Estadual local. Queria a inconstitucionalidade do estacionamento rotativo. Isso lá em 1992, quando o serviço era gerenciado por entidades civis.

O freteiro não estava sozinho. O então juiz da comarca, Hércio Costa de Souza, concedeu liminar e mandou citar o prefeito na época, Ciro Ferrari. O gestor apresentou defesa questionando os argumentos do freteiro, aceitos de forma provisória pelo magistrado. E o caso virou uma novela no início da década de 90. Que coincidência, não!?

Hoje existem muito mais “freteiros”. Na atualidade, são chamados de inadimplentes. O vereador que mais critica o serviço, por exemplo, admite estar devendo certa quantia pelo não pagamento das vagas públicas utilizadas por ele. Os freteiros da atualidade ainda se sentem injustiçados, enquanto a maioria dos motoristas utiliza, sem problemas, o serviço.

Não vou entrar no mérito do tal Aviso de Irregularidade. Já falávamos, abertamente, sobre a ilegalidade da multa administrativa cobrada pela empresa desde a criação dessa, em junho de 2014. É muito simples: se não pagar o rotativo, a lei federal prevê Auto de Infração de Trânsito no valor de R$ 195. E ponto.

O problema maior não é a falta ou a volta do AI, cujo preço chegou a R$ 35 durante o governo da ex-prefeita, Carmen Regina Cardodo, antes de ser extinto junto com o contrato com a Uambla, e de ser reinventado pelo ex-gestor, Luís Fernando Schmidt, com aval da câmara. O nosso problema é cultural.

Veja só. A Uambla era da comunidade e não era respeitada por essa minoria de inadimplentes. Logo, caem por terra as críticas de que “é uma empresa privada se beneficiando do espaço público”.

Ora, é uma prestadora de serviço. Um serviço útil ao coletivo. Pois, se é público, é coletivo. E, se haviam suspeitas de irregularidades na licitação do serviço, em 2013, essas nunca vieram à tona de forma concreta. Ficaram nos discursos superficiais de vereadores que, até hoje, seguem denunciando sem denunciar. Dizem saber, mas nunca dizem o que sabem. Talvez por medo do que os outros saibam. Vai saber…

O fato é: com ilicitudade ou não na licitação, com prestadora de serviço privada ou comunitária, com problema ou não de excesso de ruas para poucos cobradores, hoje uma certa minoria segue como o freteiro: se acha dona do ponto público e acha justo não pagar, já que “são só alguns minutinhos” – que se tornam meia hora – ou “não vi cobrador” – e faz que não vê o parquímetro.

Algo como “eu não preciso pagar e o resto que pague do próprio bolso pelo funcionamento desse serviço que atende ao coletivo”. E assim segue a minoria: cada um por si. Como sempre foi!


PP tá fechado com a corrupção de Temer

O Partido Progressista (PP), muito conhecido aqui nos pagos, é o primeiro a “fechar questão” contrária à denúncia apresentada contra o presidente ilegítimo, Michel Temer, do PMDB. No jargão político, “fechar questão” é uma decisão da sigla estabelecendo que os parlamentares são obrigados a votar de acordo com a decisão dos líderes.

Em âmbito nacional, claro. Não cabe jogar os correligionários no mesmo saco, como tantas vezes se viu fazer contra petistas, principalmente. Mas, diante das provas contra o homem do Jaburu, diante das evidências apresentadas por Rodrigo Janot, diante daquilo que já está sendo arquivado maquiavelicamente, os progressistas cometem outro papelão.


Lula condenado é a cereja da Lava-Jato

Dias após o fim da mobilização e da força-tarefa montada para dar seguimento à Operação Lava-Jato, o juiz federal de Curitiba, Sérgio Moro, enfim, confirmou o que todos já sabiam que estava predisposto a fazer: condenar o ex-presidente e principal candidato para 2018 para as alas da esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva.

A condenação de Lula ainda não terá impacto no pleito de 2018, mas, provavelmente, nos preços das palestras de Moro e de promotores considerados “popstars” nas redes sociais. Culpado ou não, fica uma certa impressão de serviço malfeito. Afinal, só nove anos e sem decretar prisão contra o “líder máximo e maior ladrão da história” pega mal, não!?


Craque Solidário 2017

O colega e amigo, Rodrigo Conte, anuncia: o evento Craques Solidários 2017 está confirmado para o dia 8 de dezembro. Além de Conte, que é radialiasta e ex-jogador de futebol profissional, também participa da organização o empresário José Paulo Richter. Veículos de imprensa e empresas também auxiliam na divulgação.

A partida entre craques do futebol, alguns em atividade, outros não, será novamente no moderno Estádio Univates. Fred, ex-zagueiro do Grêmio, campeão da Copa do Brasil 2016, é um dos organizadores e tenta convencer o maestro Douglas, do Tricolor, a participar do evento. No ano passado, os recursos foram para a Apae, de Lajeado.


Tiro curto

– Já se passaram 37 dias da entrega do projeto de lei referente ao Plano de Renegociação da Dívida Pública de Lajeado, uma forma de recuperar débitos acima de R$ 30 milhões. Mas a câmara, com seus 15 vereadores e 30 assessores, parece sem tempo para analisar;

– Por outro lado, é necessário elogiar a atual mesa diretora da câmara de Lajeado. Waldir Blau (PMDB), Ildo Salvi (REDE) e Mariela Portz (PSDB) tornaram o Legislativo mais eficiente diante de questões pontuais, com a proposição de várias audiências no plenário. Entre os assuntos, a Clínica Central, o rotativo, o transporte público e a concessão da BR;

– Carlos Ranzi deve ser o novo presidente do PMDB em Lajeado. A decisão ocorre em agosto;

– Em Estrela, o desrespeito ao “segredo de justiça” pode melar uma grande invetigação. Aguardemos;

– Lajeado perdeu a chance de ganhar um moderno e amplo presídio estadual na década passada. Seria justo dividir a cobrança pelos problemas da atual casa carcerária com todos aqueles bloguistas, procuradores federais e demais agentes que lutaram contra o investimento;

– Ontem à tarde, Lasier Martins confirmou emenda no valor de R$ 400 mil para o Hospital Bruno Born (HBB). Isidoro Fornari e Waldir Blau receberam documento com a confirmação, durante encontro com o senador gaúcho, em Brasília.

– Se você quer saber se a reforma trabalhista é boa para você, é até interessante reparar em quem vibra e em quem chora pelo texto-base aprovado na terça-feira, no Senado. Identifique-se. Mas, antes de tudo, leia a íntegra da proposta e tire as próprias conclusões. Boa quinta-feira a todos!

A turbulência dos demagogos derruba os governos democráticos.
Aristóteles

 

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