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Opinião

Raquel Winter Raquel Winter

Crônicas do Cotidiano

Publicada em 07/10/2017

Cardápio nutritivo para crianças

Um abajur de vagalumes, um elefante voador, um mar de jacarés no tapete da sala ou mesmo um barco feito de almofadas. O universo infantil merece mesmo ser festejado. Digo mais, esse universo deveria ser plagiado por nós adultos. No Brasil, comemoramos essa data no dia 12 de outubro, mesmo mês em que muitos de nós veste a cor rosa em uma campanha já consagrada e que incentiva as mulheres a cuidar das suas mamas, as mesmas que alimentam os pequeninos quando nascem.

O fato é que temos aí duas oportunidades ímpares de pensarmos sobre como nós estamos cuidando e amamentando nossas crianças. Nesse caso, não quero fazer referencia exclusiva ao aleitamento materno, mas com uma metáfora quero questionar do que estamos nutrindo as nossas crianças.

Buscando o conceito de nutrição, encontrei algo que diz ser também a ciência que investiga as relações entre o alimento ingerido pelo homem e as doenças, almejando o bem-estar e a preservação da saúde humana. Pois bem, vamos falar então sobre nutrição. Não aquela que proíbe doces antes do almoço ou que indica mamadeiras sem achocolatado (da onde já se viu uma infância sem leite achocolatado?), mas sim da nutrição que alimenta a alma, o espírito, que, por vezes, adoece nossas crianças ao ponto de deixá-las esquecer que têm o dever (não só o direito) de errar na pronúncia das palavras, de derramar copos, de perguntar centenas de vezes a mesma coisa, de se sujar, de pintar e borrar.

Se pensarmos em um cardápio especialmente nutritivo para o Dia das Crianças, acredito que poderíamos começar servindo no café da manhã uma dose de carinho, antes mesmo que saíssem de suas camas. No lanche da manhã, quem sabe um passeio para observar os desenhos e ranhuras das folhas das plantas no jardim?

Lembre-se, o almoço deve ser ainda mais nutritivo, então, nesse caso, sugiro que sentemos todos à mesa para degustarmos juntos de antigas histórias, daquelas que contam como eram as coisas na infância do papai, da mamãe, da vovó e do vovô. De sobremesa, cairia bem uma sonequinha em família. Quem sabe em uma rede ou em um acampamento na sala de estar?

No lanche da tarde, pode-se variar entre canções (que tenham letra e melodia audível) e fábulas infantis. Se houver possibilidade, pode ser um bom momento para ensinar como arrumar uma gaveta de meias (não é saboroso, mas é nutritivo!).

Para o jantar, a criança poderá ingerir um pouco de autoestima. Nesse caso, peça que ela desenhe o que mais gostou no dia e curta cada detalhe que ela colocar no desenho. Se quisermos, poderemos desenhar também. Esses nutrientes nos farão muito bem. Bem, se o orçamento permitir, podemos preparar um saudável banquete que inclua teatro, museus e livrarias. Importante: ingerir de mãos dadas, sorriso no rosto e muita curtição. Acredito que fará bem para as crianças de zero a cem anos.

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