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Jornal A Hora

Ideias

Publicada em 28/06/2017

Construindo o cidadão contemporâneo

A sociedade contemporânea sente falta do que chamamos de cidadão atuante, aquele indivíduo que se faz presente na comunidade, muito além de sua presença física, mas aquele que percebe seu lugar e o tem vivo por meio do compromisso. Quando em meus discursos falo de construção cidadã, logo todos pensam sobre a imposição de dogmas tradicionais, enrijecidos socialmente que não oferecem abertura ao senso crítico do indivíduo.

Mas, pelo contrário, a construção a que me refiro é outra totalmente diferente, é uma autoconstrução individual, imprescindível para a formação do cidadão. Essa autoconstrução nada mais é do que a história de vida de cada um, as experiências, tanto positivas e negativas que vivenciamos durante nossa existência. A esse conjunto, associamos nossas características sociais por estarem relacionadas ao espaço geográfico onde residimos e à cultura familiar e comunitária a que estamos expostos.

Para a discussão trago um pensamento de Paulo Freire, que em sua obra Educação e Mudança de 1979, tenta traçar o compromisso do indivíduo para com a sociedade e em um dos trechos expõe, “A primeira condição para que possa assumir um ato comprometido está em ser capaz de agir e refletir. É preciso que seja capaz de, estando no mundo, saber-se nele”. Com base nisso, refletimos sobre nossa própria postura enquanto cidadãos fechados em nós mesmos, individualmente em nossos campos restritos a poucos conhecidos, ou se estamos cumprindo o compromisso designado pela vida comunitária.

A construção do cidadão perpassa as vivências obtidas ao longo da vida em comunidade, mas utiliza-as como meio de refletir sobre sua própria existência em meio aos demais. A reflexão torna-se necessária como ponto de partida, onde associamos indivisivelmente o “espaço do ser”, imergimos em uma espécie de conhecimento coletivo e de autoconhecimento, para posteriormente vislumbrarmos o espaço e o compromisso reservado na sociedade.

O indivíduo que renega a sua essência enquanto cidadão acaba por exilar-se em meio à multidão, uma solidão que determina não somente suas provisões de vida, mas que delimita as ações enquanto ser do mundo. Quando fecho-me para a cidadania, perco instantaneamente a voz diante de atrocidades cometidas no meio, a irresponsabilidade, além de afastar-me dos demais, prende minhas mãos frente à indiferença do outro.
No instante em que me distancio da construção cidadã, perco a essência do próprio ser humano. Nesse sentido, a formação do cidadão trata-se de algo intrínseco a qualquer ser vivo, mas que como qualquer processo, deve ser aperfeiçoado e alavancado, pois não basta sabermos nosso lugar, se não o ocuparmos com sabedoria.

Por: Luis Felipe Pissaia / Bacharel em Enfermagem e Mestrando em Ensino pela UNIVATES / lpissaia@universo.univates.br

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