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Jornal A Hora

Opinião

Fernando Weiss Fernando WeissDiretor de Redação do A Hora

Coluna aborda política e cotidiano sob um olhar crítico e abrangente

Coluna publicada às quartas-feiras
Publicada em 15/03/2017

Fraude no leite e a omissão do Estado

Pela 12ª vez desde 2013, o leite gaúcho é fruto de um descalabro. Como outrora, é o estopim de uma operação do Ministério Público e dos órgãos de fiscalização sanitária e ambiental do Estado. Agora, um laticínio de Travesseiro, instalado em Picada Vinagre, integra o rol de fraudadores.

Misturavam, como das outras vezes, soda cáustica para “amolecer” e reaproveitar produto vencido, como manteiga, creme de leite ou queijo. Escutas telefônicas interceptadas pela polícia não deixam dúvidas sobre o modo de operação e a desfaçatez dos envolvidos.

Surpresa? Nenhuma, infelizmente. Vai acontecer de novo? É provável que sim, basta ver o que mudou desde 2013.

Sem desmerecer o teor da investigação ou a gravidade dos fatos expostos, saio do senso comum e invisto numa análise um pouco mais arrojada e menos populista.

Desde que deflagrada a 1ª Operação Leite Compen$ado, em maio de 2013, alguém consegue listar, uma que seja, medida, lei ou regra criada pelo Estado para acabar ou combater as fraudes? Por mais desalentador e revoltante que possa ser, não adianta alimentarmos ilusões. Enquanto o Estado for conivente com a produção, a industrialização e o transporte fraudulentos e negligenciar medidas mais austeras para organizar a cadeia leiteira, a Operação Leite Compen$ado chegará a 50. Ou cem.

O Instituto Gaúcho do Leite (IGL), amordaçado pelo governo atual, era o caminho mais concreto para profissionalizarmos a cadeia. O FundoLeite e o ProdeLeite, mecanismos de controle, de fiscalização e de apoio aos produtores, indústrias e transportadores, foram engavetados pela Secretaria Estadual de Agricultura.

Em média, a cada quatro meses, o consumidor é alardeado com uma Operação Leite Compen$ado. Como pólvora, dissemina-se o ódio contra os fraudadores, enquanto autoridades insistem em discursos ufanistas e oportunistas. Prometem combater os esquemas criminosos, mas não dizem como, nem quando.

Diante de um Estado negligente, o consumidor – assim como eu – fica refém de empresários criminosos – grandes ou pequenos – que se aproveitam da omissão pública para engarrafar o que classificam de leite, mas não passa de um composto químico pintado de branco.

Enquanto isso, é só esperar mais quatro meses para ver quem aparecerá na 13ª fase da Leite Compen$ado.


Anote e guarde

Amanhã, quinta-feira, completa uma semana que Marcelo Caumo e Glaucia Schumacher, prefeito e vice de Lajeado, participaram de reunião-almoço com empresários lajeadenses.

Compartilho e registro algumas frases e compromissos assumidos sobre temas cruciais e que devem ser acompanhados e cobrados nos próximos quatro anos.

“Queremos ser indutor do crescimento. Apenas indutor, estabelecendo as regras e o sentido para a cidade que queremos.” – Sobre a revisão no Plano Diretor.

“A Júlio de Castilhos não permite ambulante. Vamos apresentar novas medidas e ordenar que a regra seja cumprida.” – Sobre o comércio ambulante em Lajeado

“Nós vamos zerar a fila nas creches.” -Sobre a falta de vagas nas creches municipais


É hoje

O juiz Luís Antônio de Abreu Johnson e o líder comunitário Léo Katz recebem homenagem na Assembleia Legislativa a partir das 14h de hoje. O reconhecimento é fruto do trabalho liderado por ambos na construção do presídio feminino em Lajeado.

Cabe destacar, nesse caso, que Katz foi incluído na homenagem a pedido do juiz. “Trata-se de uma questão de justiça e coerência”, disse à coluna.


 

É amanhã

Audiência pública para debater a privatização da BR-386 é amanhã, às 14h, no Centro Cultural da Univates. Mexam-se, contrários, favoráveis ou indecisos. O momento de participar e interferir naquilo que está proposto pela ANTT e o Ministério dos Transportes é agora. Depois disso, não adianta reclamar.

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