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Jornal A Hora

Editorial

Publicada em 15/06/2017

Insegurança volta ao campo

Nem mesmo as audiências públicas e a pressão popular sobre o governo do Estado contra os créditos presumidos fizeram o Piratini rever a importação de leite em pó do Uruguai. O cenário deste ano repete o visto em 2016. O alerta foi lançado. Os produtores do RS estão frente a frente com o fantasma da crise no setor.

O Vale do Taquari tem na produção de leite uma das principais culturas de subsistência para milhares de famílias rurais. A cadeia mantém empregos e é um dos alicerces das duas principais cooperativas da região – Dália e Languiru. Nos últimos anos, a partir de avanços tecnológicos e de exemplos buscados na Europa, a produção de leite saltou em qualidade e quantidade.

A sanidade, a genética e o manejo adequado começaram a integrar o dia a dia das propriedades, colocando o Vale do Taquari em local de destaque em âmbito estadual. Produtores se encorajaram a buscar linhas de crédito e profissionalizar a produção a partir da alta histórica nos preços.

Para se ter uma ideia do risco criado por essa inércia pública, no ano passado, após o preço do leite pago ao produtor cair R$ 0,40, 25 mil famílias abandonaram a atividade.”

Com a decisão do governo, sancionada em 2015, o ICMS da importação caiu de 18% para 4%. A medida trouxe incertezas ao setor estadual. Para reduzir custos, as indústrias optam pelo preço mais baixo e todos os investimentos das famílias rurais gaúchas para qualificar as propriedades e o produto entram em xeque.

Em um cenário desses, a competição fica desleal. O governo gaúcho, ao invés de proteger seus contribuintes, adota uma política prejudicial. De tão nociva, faz com que os produtores rurais percam o interesse e desistam da atividade. Um impacto econômico e social expressivo.

Dentro desse contexto, fica explicita a ausência do Estado. Enquanto outras nações desenvolvidas estabelecem um rigoroso modelo de controle da produtividade para evitar oferta maior do que a procura, no Brasil não há qualquer política pública. Para piorar, abriram-se as fronteiras.

Para se ter uma ideia do risco criado por essa inércia pública, no ano passado, após o preço do leite pago ao produtor cair R$ 0,40, 25 mil famílias abandonaram a atividade. A população, os integrantes da cadeia e os líderes não podem aceitar isso. Está na hora de cobrar do governador. O chefe maior do RS tem de ver essa realidade e não permitir um novo revés para a produção gaúcha presente em mais de 90% das cidades.

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