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Jornal A Hora

Abre Aspas

Publicada em 17/03/2017

Lá onde a cigarra ainda canta

Lá onde a cigarra ainda canta o arroio serpenteia com suas águas límpidas “penteando” as pedras brancas que se assemelham a diamantes ao refletir do sol. O respeito aos “cílios” que margeiam em suas barrancas é sinal de amorosidade e cultura ambiental.

No caminho que corta a montanha, o soneto tal qual sirenes desvairadas anuncia o calor que faz o vivente daquelas bandas se aprochegar à sombra macia das “açoita cavalo” que silenciosas não reclamam.

O mate morno aquieta o corpo amuado e de gole em gole espanta a sede; borboletas corajosas beijam as flores da beira do caminho em estalos que quebram o silêncio do intervalo musical causado pela presença de um pássaro esfomeado. E o verde se confunde com o horizonte azulado pintado de algodão que acaricia o topo das montanhas.

O palco divino abre suas cortinas perante a plateia de um solitário mascate perdido que aprofunda seu olhar vivenciando a peça sublime interpretada pelo divino arquiteto do verdadeiro amor.

Adriano Luis Turelli Spezia
Consultor de vendas e escritor da Alivat
[email protected]

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