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Jornal A Hora

Editorial

Publicada em 17/03/2017

Lista de Janot abala partidos. Espere o contragolpe

O pedido do procurador-geral, Rodrigo Janot, de abrir investigação sobre as principais autoridades políticas da nação, mexe com o cenário das eleições de 2018. São 83 nomes, com destaque para ministros do governo Temer, ex-presidentes, deputados e assessores. As citações envolvem os maiores partidos da República.

Em meio ao burburinho referente aos citados e ao temor da execração pública, corre nos bastidores de Brasília um contraveneno à lista de Janot. Sob o pretexto da necessidade de fazer a Reforma Política, há forças querendo impor para 2018 a votação em lista, algo antes fora de questão.

Com isso, o eleitor não escolheria o deputado ou senador. Votaria na legenda. Daria ao partido a liberdade de escolher os nomes para ocupar as cadeiras no Congresso Nacional. Esse golpe na democracia tem como pano de fundo uma autodefesa para os nomes fortes das siglas. Uma tentativa de perpetuar o poder daqueles políticos investigados ou citados nas operações contra a corrupção.

O procurador cumpriu com a função de defender a sociedade. Ao mesmo tempo, trouxe para o governo problemas com potencial de interferir nas votações das reformas estruturantes. Contexto inclusive analisado por Janot na carta aos integrantes do Ministério Público, quando chama de “triste realidade de uma democracia sob ataque […] e na sua essência pela corrupção e pelo abuso do poder econômico e político.”

A força da lista de pedidos de inquérito recai sobre o governo Temer. Figuras-bases da gestão, como os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, são suspeitos de se beneficiarem com esquema de propinas da Obedrecht.

Também políticos que se fortaleceram no pós-impeachment, como os senadores Aécio Neves, José Serra e o líder do governo no Senado, Romero Jucá, além dos presidentes do Congresso, Renan Calheiros e Rodrigo Maia.

Diante das citações ao longo dos três anos de Lava-Jato, se cria na sociedade um sentimento de asco com a política. Isso provoca um julgamento imediato sobre os citados. Todos os políticos caem na vala comum, em especial aqueles ligados aos partidos também investigados.

Neste momento, é importante dar tempo à Justiça. O tempo para análise dos documentos, para transformar suspeitos em réus, é diferente do da imprensa, da rede social ou do comentário nas ruas. O exemplo pode ser buscado em outra lista também de Janot há dois anos. Eram pedidos 25 inquéritos, com 47 políticos apontados como envolvidos. Desse total, seis se tornaram réus. É necessário respeitar o trâmite e aguardar mais informações.

 

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