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Jornal A Hora

Editorial

Publicada em 18/03/2017

A mensagem foi enviada. Não ao modelo de pedágios

As audiências públicas não são mais necessárias. Cumpriram com a função de dar voz às comunidades regionais. Também deixaram claro para o governo federal o descontentamento com a proposta de concessão das rodovias. Ainda há uma prevista no RS, em Montenegro, na próxima semana. Será protocolar, para cumprir tabela. Não há nada mais a se dizer. Agora resta o palanque para promoção política.

Algo que pôde ser comprovado nessa quinta-feira em Lajeado. Na exaustiva e longa audiência na Univates, muitos políticos – vereadores em especial – usaram os três minutos para considerações fora de contexto. Além de mostrarem desconhecimento sobre o conteúdo exposto no edital, talvez não tenham tido tempo para ler a proposta, desviaram o foco da discussão. Atribuíram pechas ao governo, seja o termo “golpista” ou “sem representatividade”.

Em alguns momentos, essa veia político-partidária atrapalhou a discussão e demonstrou o oportunismo de alguns. Até a idoneidade dos técnicos da ANTT foi colocada em xeque. Foi questionado o salário dos servidores, dando a entender que eles ganhariam um por fora por conseguir aprovar a privatização da BR-386. Acusação vazia e sem sentido. A resposta foi um tapa de luva: “Se o senhor tem dúvidas, basta ver nossos salários no Portal da Transparência.” Esse tipo de consideração não acrescenta em nada.

Ao todo, foram quatro encontros. O mais recente em Soledade nessa sexta-feira. Em todas as reuniões, o coro da sociedade foi uníssono. O plano elaborado a quatro paredes entre servidores da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e Ministério dos Transportes não serve. Pode ter valido como um documento inicial, mas precisa ser refeito. No fim das contas, o texto do plano de concessão começou mal e termina mal.

Com tamanha pressão, espera-se que o governo engavete esse projeto. É o mais correto a se fazer: não abrir o edital neste ano. Como as decisões políticas têm motivos que a própria razão desconhece, também não se pode descartar a possibilidade de o governo federal passar por cima do clamor popular e efetivar, de cima para baixo, o plano para licitação.

Nessa hipótese, tudo o que foi feito não passaria de teatro. Uma peça aplicada sobre todo o estado. No melhor estilo da puxada do tapete. Como no eterno samba de Nelson Sargento: “O nosso amor é tão bonito. Ela finge que me ama e eu finjo que acredito.”

Analogia à parte, a tarefa de sensibilizar a ANTT e mostrar a força e unidade regional foi cumprida. Afora as necessidades de melhorias na infraestrutura viária da BR-386, uma das rodovias mais perigosas do RS, da falta de poder de investimento do governo federal, se transferia mais uma conta à sociedade. Importante frisar, como o discurso é de que a União não tem condições de demandar recursos para obras estruturantes, repassar a responsabilidade às pessoas não é plausível. A dificuldade está em todas as esferas da sociedade. Se o governo está quebrado, o que dizer dos trabalhadores e dos empresários?

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