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Jornal A Hora

Abre Aspas

Publicada em 12/09/2017

“Não há hábito que me dê mais prazer”

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A aposentada Leni Brust, 66, acaba de retirar na Biblioteca Pública de Lajeado o centésimo livro neste ano. Ela é frequentadora assídua do espaço e, desde 2004, já pegou – e leu – mais de 1,5 mil obras. O amor pela leitura começou na juventude e hoje não passa um dia sem a companhia da literatura.

• Quando começou o apreço pelos livros?

Foi ainda jovem, quando fiz magistério e era necessário ler muito. Peguei carinho e nunca mais parei. Nem segui o magistério, acabei como técnica em Enfermagem, mas a leitura ficou na minha rotina.

• Em que momento a leitura foi sua melhor companhia?

Há uns nove anos sofri um acidente que machucou minha perna. Precisei ficar longos meses na cama, depois me locomovia de cadeira de rodas, muletas. Nesse momento a principal distração era o livro. De lá pra cá, o que mudou é que me recuperei das lesões. O amor pela leitura permaneceu e só fica mais forte.

• Em que momentos costuma ler?

Antes de dormir, até o sono chegar, ao meio-dia, quando o almoço fica pronto antes do previsto, e em qualquer outra brecha de tempo que apareça durante o dia.

• No que o hábito repercutiu em sua personalidade?

A leitura me deixou mais calma, mais crítica e aumentou consideravelmente o meu vocabulário. As pessoas costumam dizer que falo bem e sempre explico que é por causa da leitura.

• Esse hábito é uma herança?

Com toda certeza, e a melhor que se pode deixar para filhos e netos. Um dos netos e uma das filhas já mostram que minha influência deu certo. Isso me enche de orgulho.

• Em datas comemorativas todos já sabem como lhe presentear, então?

Claro! Peço sempre livros ou vales-livro. Quem me conhece já sabe disso e não há como errar.

• O hábito da leitura é considerado por muitos como algo importante, mas poucas pessoas realmente o têm. O que fazer para reverter essa situação?

A curto prazo não vejo solução. Leitura é exemplo. Precisa ser incentivada, de preferência, desde pequeno. Em uma sociedade cada vez mais complicada, corrompida, ler é um refúgio e, ao mesmo tempo, arma para educar e conscientizar.

Edmar Gomes: [email protected]

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