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Jornal A Hora

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Publicada em 03/06/2017

Nossas crises de cada dia

O momento me parece apropriado, ou talvez ele seja bem inapropriado, para falar de crise. Nosso país vive uma importante crise política e econômica, algo que imagino nos livros de história nos próximos anos. Esse cenário aumenta a produção de textos, a expressão de opiniões e questionamentos acerca do fim e a finalidade de tudo isso.

Minha proposta com este texto escapa um pouco, ou bastante, disso. Quero propor uma ideia de crise a partir da perspectiva filosófica, mais precisamente a partir do húngaro Peter Pál Pelbart, filósofo, professor e residente no Brasil. Para esse autor, a crise é um começo, uma espécie de decisão, uma origem que cria um espaço e um tempo próprios.

O que ele defende é que a crise faz emergir possibilidades e outros campos e cenários, como algo que dispara a/à movimentação, e que desestabiliza. A partir da crise, somos mobilizados a coisas outras. Outros comportamentos, outras relações, outras formas de pensar são questionados. A angústia gerada pela crise, vista por muitas ciências (até mesmo pela psicologia) como algo a ser eliminado, pode ser sim potência para que algo aconteça.

Acredito que esse entendimento e essa relação que fizemos entre aquilo que nos incomoda com algo a ser estancado ou eliminado é uma construção bem contemporânea, embasada por uma lógica de produção. Sentimos a falta de tempo e de ar, tudo não nos é suficiente.

Convivemos com um desespero por “correr atrás” o tempo todo. O movimento de parada e reflexão que a crise exige, bem como a improdutividade que nos toma quando estamos angustiados, estão totalmente desalinhados com essa necessidade que sentimentos de “dar conta”, de produzirmos o máximo no menor tempo possível.

O exercício de problematizarmos “o porquê da crise ser tão ruim assim” precisa ser ensaiado. Talvez as crises e as angústias nossas de cada dia precisam ser olhadas de uma forma diferente, não para serem eliminadas, mas para que saibamos, de alguma forma, usá-las como potencializadores, como combustível para as mudanças necessárias, principalmente as dentro de nós mesmos.

Fernanda Nicaretta
Psicóloga e Mestranda
em Psicologia Social e Institucional
CRP 07/24198

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