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Jornal A Hora

Opinião

Gilberto Soares Gilberto Soares

Coluna aborda temas do cotidiano, política e economia. Escreve duas vezes por mês, sempre aos sábados.

Publicada em 15/07/2017

Novo PAC terá Minha Cela Minha Vida

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“Os ladrões de galinha sempre olham os arrombadores com um certo respeito. ”  – Código dos Homens Honestos, Honoré de Balzac

Nunca antes na História deste país um presidente havia sido condenado criminalmente. Também, pela primeira vez, um presidente em exercício é denunciado e pode ser processado por crime comum. Episódios inquietantes da democracia balzaquiana cristalizados no impeachment da inédita ex-presidente. Uma história anunciada desde a renúncia do caçador de marajás. A lista desses ilustres governantes tem nomes sobrenomes conhecidos pela influência nas vidas de brasileiros e brasileiras. Luiz Inácio Lula da Silva, Michel Miguel Lullias Temer, Dilma Vana Roussef e Fernando Affonso Collor de Mello. Até aqui, sobreviveram as reputações de Tancredo Neves, que não assumiu, José Sarney Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, de uma discutida reeleição.

CORTE – Na aristocracia cleptocrata do Pindorama, nobres e vassalos trocaram as colunas sociais pelas policiais e agitam o dia a dia das cadeias brasileiras. O despudor franquia regalias ao ex-governador Sérgio Cabral, detento da cadeia pública José Frederico Marques. Em vídeo recente da polícia, o presidiário carioca flana entre as grades tal qual outro chefe de facção. O que as denúncias revelam sobre os próximos personagens é de arrepiar. Nelas, Cunha atemoriza a governabilidade de Temer, assim como Marcola do PCC ameaça a segurança pública. Pior. A relação entre o presidente da República e o ex-presidente da Câmara se mantém, segundo a denúncia relatada pelo deputado Sergio Zveiter à CCJ, sob a garantia da grana do só agora criminoso Joesley Batista. Lamentável, mas o relatório foi rejeitado sob o peso de liberações de emendas parlamentares e afagos com cargos. Nesse vai e vem incessante, as tornozeleiras eletrônicas viraram objetos do desejos.

RAPINAGEM – Perguntas óbvias como valor da honra, por exemplo, são cada vez mais difíceis de responder. E atenazam pais e educadores premidos pela realidade de figuras públicas poderosas, habituadas em transformar palácios de governo em covis de pavorosas transações. Haja retórica para provar que homem de bem é o oposto desses contumazes predadores do tesouro. Com essa rotina, só o inesperado impede a tragédia completa. Uma surpresa como a operação Lava-Jato, que ganhou reconhecimento por enquadrar a malandragem de colarinho branco. Daí para a sangria prevista pelo arguto Romero Jucá é só uma questão de tempo. Pouco, espera-se.

O novo só vem com o fim da corruptocracia consagrada pela duradoura impunidade.”

TROICA – O feliz encontro de um procurador-geral da República com um juiz de primeira instância e jovens promotores rompeu a crosta até então impenetrável do status quo. Rodrigo Janot, Sérgio Moro e Delton Dallagnol – e equipe –, compuseram uma troica até então improvável e apresentaram o Justiça para todos. Persistiram e, hoje, a Lava-Jato comemora resultados que cruentas revoltas criadas para tornar os homens mais iguais neste país procuraram sem encontrar.

FAKES – Ainda nesta semana, Delton Dallagnol reclamou das mentiras que grassam nas redes sociais. Tem razão. Fakes disseminam-se na velocidade de um clique e as pessoas não analisam – muito menos cotejam – o que recebem. Apenas compartilham a desinformação. Já a imprensa tradicional mantém a exposição permanente de malfeitos. Investiga, critica e não dá trégua ao político de carteirinha. A democracia agradece a consistência do trabalho em Curitiba e a transparência do amplo trabalho jornalístico. São luzes essenciais sobre relações espúrias e falácias oficiais.

JOGO – Na quarta-feira, quando foi divulgada sentença de Moro para Lula, caiu o dólar e a bolsa subiu. Analistas comemoraram – com moderação –, o “descolamento” da economia da política. Será? Um setor no qual grassa a especulação não depende de sentenças de primeira instância. É jogo, mesmo.

PAC – Com tanta figura insignes nas (e a caminho das) cadeias, o presidente Temer poderia criar o seu – dele – PAC. Sugiro começar por Minha Cela Minha Vida. Daria um jeito nas masmorras do Patropi, limparia a barra com os direitos humanos e arrumaria lugar decente para a nobre turma que vem aí.

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