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Jornal A Hora

Opinião

Gilberto Soares Gilberto Soares

Coluna aborda temas do cotidiano, política e economia. Escreve duas vezes por mês, sempre aos sábados.

Publicada em 09/09/2017

O fim do jornal, o mala e boas lembranças

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“Jornais que não erram são um erro.” – De O Sujeito da Frase, livro que ainda não publiquei

O livro morreu quando a urgência do homem criou o jornal. Este, por sua vez, acabou varrido pela inusitada tecnologia do rádio, logo extinguido pela combinação de som, movimento e brilho da televisão. E nada sobreviveu à internet.

O parágrafo introdutório mostra o discurso redundante pelo fim da mídia tradicional, no qual destaca-se a cantilena suicida dos jornais. Campo fértil para a ascensão de pitonisas afinadas com a inovação tecnológica do momento – papiro-papel, prensa de Gutenberg, telégrafo, rádio, tevê e a via digital. A cada salto da genialidade humana, o mesmo decreto: “É o fim!”

ORÁCULO DE DELFOS. Como escrevo neste jornal, atenho-me, ao impresso. Em 1991, Nicholas Negroponte, expoente do Massachusetts Institut of Technology – MIT –, 5ª melhor universidade do mundo, segundo a revista Times, afirmou que o jornal impresso sobreviveria só mais 10 anos. Disse-o para diretores, executivos e formadores de opinião do grupo RBS. Felizmente, para o grupo, a Zero Hora não foi vendida e, 26 anos depois, prepara-se para ser o jornal mais influente do Sul.

Há tempos compartilho uma constatação expressa por Walter Longo, diretor do Grupo Abril: “Nunca uma indústria falou tanto sobre o seu próprio fim quanto a indústria da mídia impressa”. Ninguém tem o poder de determinar o fim de uma ferramenta fundamental para a evolução da humanidade. Livros e jornais têm sido essenciais para a consolidação das sociedades e relações humanas. O fator encontra-se na singular decodificação das mensagens de ambos. Estima-se que a leitura em papel dá 6 vezes mais capacidade apreensão e compreensão do que no meio digital.

No fim de semana passado, tive o prazer de palestrar do XIX Congresso dos Diários do Interior do RS. Critiquei a pobreza e o desleixo da produção jornalística atual, mas ressaltei o valor do impresso. Como leitor ávido, afirmei que a tecnologia é aditiva. Só a falta de qualidade acaba com os jornais.

FAKES E PÓS-VERDADE. Rogério Christofoletti, professor da Universidade Estadual Paulista – Unesp –, revelou dados inquietantes à Folha de Londrina: “Em um curto período, 5,7 milhões informações verdadeiras foram distribuídas nas redes sociais contra 7,5 milhões “informações” falsas. As aspas estão ali apenas para não confundir “o falso” com notícia. Portanto, atenção com o conteúdo nas redes sociais. Em tempos de factoides, fakes e pós-verdade, cotejar impressos, rádios e tevês é o meio mais seguro de obter informações relevantes e de qualidade.

O MALA DO ANO. Infelizmente, a figura política indigna de Geddel Vieira não é exceção. Esse alpinista do poder, foi um dos anões do orçamento. Saiu-se airoso da CPI para ser o “mala do ano”. O título é hipotético, já a rapinagem proporcionado pela descuidada personalidade pública é um deboche fruto do balcão de negócios da política nacional. Um sistema nefasto capaz de criar a “pena admissível”, na qual o bandido de colarinho branco até tolera ser punido, desde que com brandura e direito a manter sua (dele) bandidagem. Essa é a conclusão lógica após a surpreendente descoberta de mais de R$ 51 milhões largados relapsamente em várias malas pelo o agora gigante da maracutaia. Para terminar a semana, Joesley Batista afirmou que suas últimas revelações “não poderiam ser levadas a sério, pois eram coisas de bêbado”. Bandido bêbado, concluo. O que pode ser um perigo para a quadrilha. Atenção, Rodrigo Janot.

SEU VITOR. Não me recordo da figura de meu pai. Ele morreu quando eu tinha menos de quatro anos. Conheci o pai da Ana, minha mulher, há mais de 40 anos. O tempo, esse devorador de pessoas, ensinou-me a entendê-lo. Assim, como um filho, passei a admirá-lo. Nessa terça-feira, seu Vitoriano foi abatido por um enfarto fulminante. O tempo que o engoliu foi incapaz de consumir o afeto que o precedia e se manteve. Até mais, seu Vitor, estaremos juntos quando (e se) eu também tiver o privilégio de ser uma boa lembrança.

“Nunca uma indústria falou tanto sobre o seu fim quanto a industria da mídia impressa”
Walter Longo, CEO do Grupo Abril

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