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Jornal A Hora

Opinião

Gilberto Soares Gilberto Soares

Coluna aborda temas do cotidiano, política e economia. Escreve duas vezes por mês, sempre aos sábados.

Publicada em 17/06/2017

O homem que calculava e o Efeito Orloff

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“Nas questões matemáticas não se compreende a incerteza nem a dúvida, assim como tampouco se pode estabelecer distinções entre verdades médias e verdades de grau superior.” – Hilbert, citado no livro Matemática Curiosa e Divertida

Os últimos anos foram cruéis com a matemática brasileira. Começaram por recuperar para o dia a máxima atribuida a Hiram Jahson, senador norte-americano: “Na guerra, a primeira vítima é a verdade”. Guerra é o acirramento do conflito ético que permeia a administração pública de promessas falsas e contratos públicos criminosos.

Interpretar aquilo que dizem – não confundir com “podem dizer” – os números é um desafio encantador e, embora eu seja um homem de letras, continuo fã dos mestres dos cálculos. Um deles foi além da habilidade em destrinchar a matemática que tememos por complexa. Professor e humanista, utilizou-se do talento literário para propagar sua paixão para fora das salas de aula. Por assim fazer, ergueu um obra singular como veremos a seguir.

O HOMEM QUE CALCULAVA – O mestre em questão chamava-se Júlio César de Mello e Souza. Autor de mais de uma centena de livros e inédito catedrático de matemática na Escola Nacional de Arquitetura, atual Faculdade de Arquitetura da Uerj. Inspirado escritor, criou Malba Tahan e, pela rica trajetória de seu personagem, fez dessa ciência uma aventura tão maravilhosa quanto a mais imaginosa obra de ficção. Seu livro Matemática Divertida e Curiosa justifica plenamente a proposta no título. É repleto de curiosidades, desvenda enigmas e diverte pela criatividade das descobertas. Na obra, o leitor delicia-se com o conto O homem que calculava. Nessa que é uma de suas mais conhecidas criações, Malba Tahan, no retorno das ruínas de Samarra, encontra Ibraim Tavir. O homem, atarantado por um assalto sofrido, é socorrido pelo contador de histórias. E, ao longo da viagem a Bagdá, destrincha cálculos complexos com excepcional simplicidade. No fim da viagem, Ibraim Tavir, reconhecido por ser sábio e justo, torna-se secretário do poderoso grão-vizir.

Beberam caipiroska e já deliram sob o Efeito Orloff.”

ADITIVO – Se vivesse a fábula que vitima o Brasil, Ibraim Tavir seria um inútil. Talvez enlouquecesse por tentar entender os heteredoxos cálculos contemporâneos. Tomemos uma estrada como exemplo para confirmar a regra cálculos sofisticados, que nem de referência servem. Ferrovia Norte-Sul e a Transamazônica estão aí como provas. Uma coisa é certa: a genialidade do homem que calculava não seria páreo para a engenhosidade dos aditivos – inexistente na matemática – criados pela corrupção dos espertos de Brasília e arredores.

EFEITO ORLOFF – Começam a aparecer os números da grana consumida pela Copa do Mundo na Rússia. Com eles, os protestos – muito parecido com o ocorrido aqui, em 2013.

Para ambos os países, o torneio mundial encaixou-se como estratégia para demonstrar modelos de governos vitoriosos, estáveis para investimentos externos e com lideranças alternativas aos países do primeiro-mundo. Na verdade, edulcorava dois planos de poder: Lula aqui; Putin lá. No Brasil, além dos 7×1 da Alemanha, terminou com a presidente defenestrada. Na Rússia, Putin, czar redivivo do principal país da fracassada revolução comunista, não cai. E tem força para repetir outra copa superfaturada. Antes dos jogos começarem, já saltou para liderança com os 4,8 bilhões de reais gastos no estádio de São Petersburgo.

Os russos vieram estudar a alta tecnologia das empreiteiras patropi, beberam caipiroska e já deliram sob o Efeito Orloff: “Eu sou você amanhã”. A ressaca será continental.

ASF(S)ALTO – Toda vez que chove um pouco além da conta, um fenômeno esfarinha nossas BRs, ERS, VRS, avenidas e ruas asfaltadas. As autoridades, que ignoram a física, a matemática e a lógica, culpam o excesso de água. Como o asfalto é impermeável, assalta-me a dúvida sobre as combinações matemáticas que enchem nosso caminhos de buracos e sobressaltos.

Assalta-me!

Beremiz Samir é o “homem que calculava” no livro homônimo

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