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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada às quintas-feiras
Publicada em 16/03/2017

O silêncio de hoje. O silêncio de ontem II

Já escrevi sobre assunto semelhante. Mas como as incoerências são atualizadas a cada novo movimento do ponteiro da vida, nunca é demais voltar ao tema. E a forma como sindicatos agem diante do reajuste salarial dos servidores de Lajeado, tal como a preocupação da nova oposição diante de temas até então irrelevantes intrigam quem ainda acredita na boa política.

Iniciemos pelos sindicatos. Lembro bem o início de março de 2016. Naquele mês, o então prefeito de Lajeado, Luís Fernando Schmidt, do PT, indicava um reajuste de 6,8% no salário dos servidores públicos municipais. O número surgiu como uma afronta. A partir de tal anúncio, o gestor viveu em pé de guerra com alguns funcionários.

Incitados pelos representantes sindicais, professores da rede municipal e outra dezenas de servidores foram às ruas. Duas semanas após o anúncio da proposta, a peleia ainda era grande. Debaixo de uma chuva torrencial, funcionários públicos organizaram manifestação na entrada da prefeitura. Repito: debaixo de chuva!

Dias depois, tomaram os assentos da câmara legislativa para impedir que os vereadores aprovassem tal afronta. Lembro bem. A indignação era tanta que não foram poucas as ameaças de paralisação total por parte das categorias. Houve, até, um pequeno momento de greve. Algo raro – e talvez inédito – na história do município.

No fim, depois de muitos confrontos e até supostas ameaças de processos administrativos contra as sindicalistas mais fervorosas, e após mais um grande desgaste sofrido pelo então prefeito junto à comunidade e aos servidores, os sindicatos aceitaram a proposta de 8% de aumento, valor ainda inferior à inflação do ano anterior, de 10,67%.

Pois bem. Um ano depois e o governo municipal volta a apresentar uma proposta inferior à inflação. A diferença é um pouco menor, sim. Mas, a inferioridade da sugestão do atual prefeito, Marcelo Caumo, em relação ao famoso índice persiste. E qual foi a reação dos mesmos sindicatos: nenhuma. O índice proposto foi aceito de imediato. Sem esperneio. Sem manifestação na chuva.

É, no mínimo, estranho. É, no mínimo, incoerente por parte de quem se diz “representante” de uma classe. Parece, por vezes, que tal representatividade obedece a outras questões, que não a vontade da maioria. Se atentam, talvez, a questões ideológicas. Ou são coordenadas puramente por questões partidárias, quem sabe.

O mesmo silêncio de hoje vale para a contratação de consultorias. Schmidt, tal como no episódio do reajuste salarial, foi crucificado em praça pública após contratar – sem licitação – um consultor de Minas Gerais com especialização em Gestão Pública. Caumo, no início deste mês, fez o mesmo: contratou, sem licitação, um consultor do Paraná, especialista em Plano Diretor.

E qual foi a reação de quem berrou contra os contratos sem licitação firmados pelo PT?

Da mesma forma, vereadores que antes abraçavam e defendiam qualquer ação do governo petista enfim acordaram de um sono profundo. E, diante das primeiras ações do novo prefeito, assumem – ou voltam a assumir – as dores e as desconfianças da sociedade.

Não estou julgando tais contratos de consultoria. Se os serviços trazem benefícios, que assim seja. E se o reajuste proposto é o único possível, paciência. Mas tanta incoerência incomoda. E justamente por não existir algo de novo no front, a tal “nova política” ainda é desanimadora.


 

Mercado ambulante em Lajeado

Interessante a ação de secretários municipais de Lajeado. Ao convidarem, pessoalmente, alguns ambulantes para uma audiência na prefeitura sobre a venda de produtos em espaços públicos, eles tratam a questão de forma mais humana. Ao menos é o que parece, em uma primeira e ainda rasa análise.

Lembro das perseguições em anos anteriores. Tanto na gestão passada, como em governos do próprio PP. Senegaleses, nordestinos, haitianos correndo dos fiscais como se fossem perigosos criminosos fugindo da polícia. Ilegal ou não, eles estão ali trabalhando. E como tal, merecem essa atenção demonstrada nesta semana.


Menos policiais na região

É inadmissível que, diante do aumento na criminalidade no Vale do Taquari, o governo do Estado resolva levar alguns dos poucos policiais militares da nossa região para reforçar a segurança da capital gaúcha. Serão pelo menos 15 profissionais realocados de forma temporária. Um descalabro. Uma afronta. O policiamento ostensivo, mesmo com todos os problemas da BM, ainda é primordial para garantir segurança.


Uma chance de duplicação

A sociedade do Vale precisa participar. A audiência pública de hoje, em Lajeado, sobre a concessão da BR-386, é a chance para apresentarmos nossas reivindicações. É o momento de evitarmos um contrato igual àquele assinado em 1998, que pouca – ou quase nenhuma – melhoria trouxe ao traçado da rodovia. Só espero que o encontro não vire palanque de políticos desinformados.


Tiro Curto

– A Unidade de Controle Interno de Lajeado troca de coordenador. O prefeito dispensou do cargo a servidora, Maria Lisabethe Wathier Sehn, e anunciou Adriano de Carvalho Lima no lugar dela. Ele é fiscal fazendário na prefeitura;

– Moradores do bairro Boa União, em Estrela, voltam a reclamar do tráfego de veículos no início da Rota do Sol. Uma área já foi desapropriada pelo governo municipal faz mais de cinco anos para criação de uma rótula. Mas essa ainda teima em não sair do papel;

– Ainda em Estrela, motoristas cobram melhorias na sinalização e nas condições da via que passa sob o viaduto da BR-386 – próximo à linha férrea. Com a abertura do supermercado Atacadão, o movimento aumentou naquele ponto;

– A gincana de Arroio do Meio – antiga The Horse – deve custar mais de R$ 40 mil aos cofres do município. Só a empresa contratada para montar as 25 tarefas receberá cerca de R$ 18 mil. O governo tenta parceria com rádio local para economizar na divulgação;

– O supermercado Dia% informa que reembolsará consumidores que compraram leite UHT integral vendido pela rede e que é envazado pela Laticínios Rancho Belo, empresa com sede em Travesseiro, e que foi alvo da 12ª fase da Operação Leite Compensado, do MP;

– Justa a homenagem da Assembleia Legislativa do Estado ao juiz, Luís Antônio de Abreu Johnson, e ao empresário, Léo Katz. Ambos foram destaques na luta pela construção do presídio feminino. Resta, ao governo estadual, dar melhores condições de trabalho aos agentes penitenciários;

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