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Jornal A Hora

Opinião

Adair Weiss Adair WeissDiretor geral do A Hora

Coluna com visão empreendedora, de posicionamento e questionadora sobre as esferas públicas e privadas.

Coluna publicada aos sábados
Publicada em 17/06/2017

Os exemplos remontam a 1844 e traduzem esperança de futuro

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O feriado do dia 15 de junho tem a marca do trabalho coletivo. Não apenas em Encantado, mas no Vale do Taquari e no RS, a força da união faz história. A Dália Alimentos celebrou 70 anos em grande estilo, nessa quinta-feira. E, ao que tudo parece, a história está apenas começando.

Me permitam, caros leitores, fazer um pouco de apologia, pois é impossível ficar indiferente e não se contagiar com o modelo cooperativo, ainda mais quando olhamos para os americanos e seu enorme grau de sucesso mundial por meio dessa prática. Estamos diante de algo poderoso e alentador para quem acredita no trabalho em grupo. E o melhor: acontece aqui na região, há décadas.

Assim como em várias cidades gaúchas e do Brasil, o modelo se perpetua e fortalece. A Dália demonstra isso na prática. Com a presença de dois, dos 387 fundadores, ainda vivos, além de familiares, funcionários e líderess regionais, estaduais e nacionais, a cooperativa traduziu o legado em solenidade especial. Homenageou – lado a lado – conselheiros, funcionários e ex-ministros que dedicaram sua vida profissional e social ao cooperativismo nas últimas décadas.

Da união de pequenos tecelões nasceu um dos mais bem-sucedidos modelos econômicos e sociais, multiplicados no mundo. A Dália traduz na prática esse legado.”

Os presidentes, executivo e social, Carlos Alberto de Figueiredo Freitas e Gilberto Piccinini, respectivamente, declinaram do discurso costumeiro e, sentados, utilizaram de uma conversa para trocar ideias e lembranças acerca da história e dos propósitos desde a fundação da cooperativa.

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A dinâmica singular dos dirigentes foi sucedida por discursos curtos, porém, envolventes. Rubino Reinheimer se despediu do conselho. Relatou o espírito empreendedor e contagiante do presidente fundador, João Batista Marchese, com quem “teve a honra de trabalhar”. “Foi um homem que espalhava entusiasmo e encorajava a todos”, comentou. Rubino pediu apoio e garantiu que a despedida não significa “virar as costas” à cooperativa. “Pelo contrário, estamos juntos, pois a união faz a força”.

O ex-ministro Roberto Rodrigues usou da experiência em viagens a mais de 80 países para reafirmar sua convicção no cooperativismo. Destacou o diferencial, em qualquer modelo vencedor, como sendo as pessoas. “Precisamos de gente. Gente idônea, comprometida e disposta a compartilhar o progresso”. Para Rodrigues, nenhum país, região ou empresa se desenvolve sem pessoas com esse propósito.

Outro ex-ministro, Francisco Turra, atentou para as oportunidades vindouras com a falta de comida no planeta. “O Brasil é um celeiro e precisamos da carne forte das nossas cooperativas”, comentou, em resposta ao recente episódio envolvendo a Operação Carne Fraca. Turra chamou atenção para a capacidade de organização e aglutinação, especialmente, nas pequenas comunidades, o que, na sua opinião, é essencial para enfrentar as grandes multinacionais sem a mesma preocupação.

As homenagens e honrarias foram seguidas até as 21h, quando os escritores Charles e Tania Tonet apresentaram o livro Destemidos. A obra com mais de 300 páginas resgata a história do cooperativismo desde a origem, na Inglaterra, nos idos anos de 1844, quando um pequeno grupo de crianças e adolescentes – tecelões –, dava início à maior mudança nas relações de trabalho. Nascia então a cooperação entre trabalhadores. “Estava inaugurado um novo mundo”, escreve Tania no livro que coroou o evento alusivo às sete décadas.

Como bem disse a autora, “não é apenas mais um livro de uma empresa”. A obra insere a Dália num contexto maior e explica por que o cooperativismo é um modelo tão bem-sucedido em nossa volta e no mundo.

Ainda não li todo o livro, mas pretendo mergulhar nessa fascinante história de quase dois séculos e, dos quais, a Dália e as demais cooperativas da região, estado e país – de alguma maneira – estão inseridas. E o mais saudável é que tudo isso nos permite ter esperança em um modelo de negócios mais equilibrado e socialmente justo.

Para finalizar, alguns talvez se perguntem por que a coluna abre tamanho espaço para as comemorações de uma empresa. Me permito valer da autora do livro e parafrasear uma convicção pessoal: não se trata apenas de uma empresa. E sim, de um modelo de negócios – incluindo as demais cooperativas – que faz história na nossa região. Envolve milhares de empregos, no campo e na cidade. Gera e distribui renda com mais igualdade, protege nossa matriz econômica, especialmente dos pequenos produtores e nos permite sonhar mais longe. E, talvez nisso, Turra esteja mais à frente, ao enxergar as oportunidades latentes para uma região que produz alimentos.

Vida longa ao cooperativismo! Parabéns, Dália e a todos que acreditam na união de forças para prosperar!

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