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Jornal A Hora

Opinião

Adair Weiss Adair WeissDiretor geral do A Hora

Coluna com visão empreendedora, de posicionamento e questionadora sobre as esferas públicas e privadas.

Coluna publicada aos sábados
Publicada em 18/03/2017

Pedágio impõe paradoxo ao Vale

Crédito: Rodrigo Martini "As audiências vieram atrasadas e são meras “coletadoras de críticas”, sem força jurídica de influência nas cláusulas do contrato, até aqui. É mais ou menos assim: o governo faz de conta que nos ouve e a sociedade finge que participa.”
"As audiências vieram atrasadas e são meras “coletadoras de críticas”, sem força jurídica de influência nas cláusulas do contrato, até aqui. É mais ou menos assim: o governo faz de conta que nos ouve e a sociedade finge que participa.”

O único defensor do contrato original dos pedágios na audiência pública, ontem, na Univates, foi o secretário estadual dos Transportes, Pedro Westphalen. Apesar de vaiado, ele apresentou argumentos coerentes: o Estado está falido, a União não oferece perspectivas e a parceria público-privada é a única alternativa viável.

Ainda assim, seria imprudência não enfrentar o modus operandi como esse contrato foi concebido na origem. Nem comunidade, nem setores estratégicos da sociedade foram ouvidos. As audiências vieram atrasadas e são meras “coletadoras de críticas”, sem força jurídica de influência nas cláusulas do contrato, até aqui. É mais ou menos assim: o governo faz de conta que nos ouve e a sociedade finge que participa.

O contrato foi montado em gabinete e apresentado à população na tentativa de forçar goela abaixo. Se apega ao argumento de trazer quase R$ 8 bilhões de investimentos, dos quais R$ 3 bilhões na duplicação da BR 386, desde Lajeado a Carazinho.

A geração de empregos e as oportunidades estratégicas que se abrem ao Vale do Taquari com tais investimentos não ecoam o suficiente para convencer. Há reações de toda ordem. Desde críticas coerentes até falácias que mais parecem um circo de oportunistas de plantão. Quanta bobagem já foi dita por quem quer faturar politicamente.

Três fatores precisam ser revistos, na opinião de quem mostra coerência: custo muito alto; número exagerado de praças em trechos curtos; e o início da duplicação só depois de uma década.

Reside nesses três entraves a razão de quem peleia contra o contrato da ANTT.

A presidente do Codevat, Cintia Agostini, está empenhada em uma solução sensata. Defende a criação de um grupo de trabalho para acertar as “nuances capitais” para o projeto dos pedágios se tornar saudável ao Vale e demais regiões envolvidas.

Um novo estudo, mais abrangente e cotejado com os pontos negativos e positivos, é essencial para equacionar as diferenças.

Para citar apenas um exemplo de desiquilíbrio do contrato, a Cosuel projeta triplicar seu custo com pedágios, e alcançar uma cifra de R$ 6 milhões anuais. É quatro vezes o montante que Lajeado receberá de ISS por conta dos pedágios. Imaginamos a cifra volumosa quando levantados os custos de todas as empresas e proprietários de veículos do Vale. É dinheiro que sairá do bolso da nossa gente.

O retorno em impostos aos municípios é pífio perto do custo do pedágio, na forma como apresentado. De outra parte, não se pode ignorar o ganho em segurança nas rodovias, a economia de combustível e manutenção dos veículos, além da praticidade e agilidade de locomoção.

De fato, assim se estabelece um grande paradoxo ao Vale: bater de frente ou lavar as mãos. Nenhuma e nem outra alternativa me parece acertada. O equilíbrio está em pressionar e negociar para equacionar as disparidades entre as partes envolvidas.

Os políticos, especialmente os deputados, são fundamentais nessa discussão. Mas a região precisa ficar vigilante e não aceitar algo que, talvez, já esteja decidido há muito tempo por interesses que por ora fogem da nossa alçada.

A peleia continua e, se não for possível o equilíbrio, sou contrário ao pedágio. Penso que esses também sejam o sentimento e vontade da maioria dos habitantes do Vale do Taquari.

Não podemos cair no canto da sereia carregada de promessas distantes e sacrificar a população durante dez anos sem receber melhorias substanciais para algo que já pagamos por meio de outros impostos.

Avante, Codevat, avante, líderes e comunidade do Vale! Não tá morto quem peleia.


Coluna Adair 2Prefeito ouviu Seavat sobre consultoria

O prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, envia correspondência à coluna para informar que a decisão de contratar o urbanista, Ênio Perin, não foi unilateral do Executivo. Ele envia uma nota com respectivas assinaturas de quase 30 engenheiros e arquitetos, entre os quais a ex-secretária do Planejamento Marta Peixoto, dando aval para efetivar a contratação do profissional. Ele custará R$ 192 mil, sem licitação, para elaborar um plano estratégico de urbanização em Lajeado.

Feito o registro.

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