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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada às quintas-feiras
Publicada em 07/09/2017

Pobre Brasil!

A Polícia Federal demorou para contabilizar a grana nas malas ligadas a Geddel Vieira Lima, ministro no governo de Lula, vice-presidente da Caixa Federal na gestão de Dilma Rousseff, braço direito do ilegítimo Michel Temer e elogiado – outrora – por novos grupos políticos, como o MBL. Pobre Brasil. Carente de justiça, de exemplos e de até de bons “companheiros”.

Geddel é um necessário tapa na cara de boa parte dos brasileiros. Para que aprendam um pouco mais sobre a corrupção histórica que não começou com o PT. Geddel é, da mesma forma, um tapa na cara de quem ainda se atreve a defender certos ícones desse mesmo PT. O partido que, se não iniciou, tampouco fez questão de encerrar com práticas nocivas ao nosso dinheiro.

O caso envolvendo o ex-ministro é o retrato da nossa política. Depravada. Corrupta, sim. Tal como boa parte da nossa Justiça. Viciada em dinheiro, viciada na reeleição – sucessão familiar, no caso dos magistrados – e nas benesses garantidas pelo alto poder que insistimos em dar aos nossos imprevisíveis – ou mais do que previsíveis – agentes públicos.

“Solto, Geddel pode ‘escamotear/esconder’ propina”, afirmava o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, ao mandar prender o ex-ministro em 3 de julho. Pouco mais de uma semana e recebeu direito à prisão domiciliar graças ao desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Nessa terça-feira, as malas de dinheiro.

O caso envolvendo o ex-ministro é o retrato da nossa política. Depravada. Corrupta, sim.”

Os números são assustadores. O tesouro supostamenete de Geddel naquele bunker sem mobília era de R$ 51 milhões em espécie. Imagine quanta gente envolvida – e agora desesperada – com o flagrante da PF! E a pergunta que não quer calar: como ele consegue acumular tanto dinheiro vivo sem conhecimento prévio das autoridades monetárias?

Imagine quantos destinatários, quantos “acionistas” estão ligados àquela dinheirama toda. “Follow the money”, e as surpresas serão ainda mais desagradáveis para certos militantes. E eu fico aqui, rindo baixo e imaginando se quem optou por votar contra a investigação do presidente ilegítimo ficará “na mão” após esse “sequestro” da PF.

Mas não é momento para risos. Mesmo os mais irônicos. Pois se é deprimente perceber o tamanho do fundo do poço em que se encontra nossa política, é tão ou mais desolador lembrar de nossas eternas mazelas. Faltam médicos, hospitais. Segurança pública! São pífios os investimentos em escolas. Salários de servidores públicos são vergonhosamente parcelados. E onde estão as obras de infraestrutura?

Geddel estava com R$ 51 milhões encaixotados em um apartamento. E, ao que tudo indica, tal montante não é qualquer novidade na vida desses agentes.

Ao usarmos um pouco da matemática social – a grosso modo, claro –, nosso drama é mais aflitivo. Os R$ 51 milhões poderiam custear um ano de saúde básica para 36 mil pessoas, conforme os gastos médios do governo, hoje estimados em R$ 3,89 por dia para cada paciente. Ou mesmo quitar o ensino anual de 8,4 mil alunos do Ensino Médio.

Geddel tinha o suficiente dentro do apartamento para pagar uma vida inteira de trabalho de centenas de brasileiros. E por que esse tipo de criminoso continua “solto”?


Errar voto marca a paleta!

A tucana Mariela Portz está lá de forma legítima. Estreou entre as mais votadas. Mas nessa terça-feira cometeu uma gafe cuja repercussão nos bastidores vem sendo imperdoável. Ela errou o voto, e acabou eliminando de uma emenda uma alínea com a qual ela concordava. A vereadora lajeadense já demonstrou boas ações de fiscalização e pró-atividade. Mas o desconcertante erro ficará marcado.


O Vale das laranjas

Laranja-de-umbigo, laranja-seleta, laranja-lima, laranja-pêra e até laranja-japonesa. Tem laranja para todos os gostos e bolsos. A fruta mais preciosa para certos gestores é a laranja. Impressionante como gostam de laranja. Escancaradamente. O que nos falta é certos órgãos de vigilância e investigação atentarem melhor para os fatos e menos para os bolsos das próprias corporações ou de familiares.


Tiro curto

– Na próxima terça-feira, em Brasília, ocorre nova reunião sobre a crise do leite no estado. O encontro. articulado pelos deputados Edson Brum (PMDB) e Alceu Moreira (PMDB), ocorre no Palácio do Planalto, a partir das 15h, com a presença de representantes da Casa Civil e dos ministérios da Fazenda e da Agricultura. Fetag e IGL foram convidados;

– Ex-presidente do Democratas (DEM) em Lajeado, Fábio Fraga filiou-se ao Partido Novo. Mesmo discordando de posições políticas-sociais, sou obrigado a elogiar sua postura. Ele deixou o DEM logo após o deputado federal, Onyx Lorenzoni, admitir ter recebido Caixa 2;

– Secretário da Cultura de Lajeado, Carlos Reckziegel (PSDB) anuncia na próxima terça-feira os detalhes da preparação do Natal 2017 em conjunto com a CDL;

– A primeira audiência do Plano Estadual de Saneamento deve ocorrer no segundo semestre de 2018. E o estudo já encomendado pelo Comitê Gestor da Bacia Hidrográfica Taquari-Antas custará R$ 400 mil;

– Em Estrela, comentários entre funcionários da prefeitura dão conta de que áreas públicas do Porto ficarão na mão de agentes políticos para exploração da cobrança de estacionamento durante a Multifeira. Em eventos anteriores, houve cobrança até em vias públicas;

– O fechamento aos domingos da rua Santos Filho, em Lajeado, está mais próximo de ocorrer. Isidoro Fornari, do Setor de Projetos Especiais, já iniciou conversação com grupos de ciclistas e Departamento de Trânsito;

– A reforma da Casa do Morro, em Cruzeiro do Sul, já gera discussões. Grupos se posicionaram contra a retirada das antigas mesas e bancos de concreto, levados para o parque poliesportivo da cidade. Vou esperar cenas do próximo capítulo antes de opinar. Bom feriado a todos!

O maior estímulo para cometer faltas é a esperança de impunidade.
Cícero

 

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