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Jornal A Hora

Editorial

Publicada em 11/08/2017

Questão de prioridade

Uma das críticas constantes sobre gestores públicos é a falta de planejamento duradouro. A cada quatro anos, em caso de mudança de governo, políticas implementadas pelos antecessores perdem importância e, aos poucos, se esvaem.

Os exemplos vão desde projetos para melhorias na infraestrutura, no atendimento em saúde e educação. Por mais que seja imprescindível adotar formas de evitar o desperdício do dinheiro público e implementar uma gestão mais eficiente, é contumaz priorizar o atendimento às pessoas, razão maior da existência das administrações públicas.

Manter um equilíbrio entre receita e despesa é fundamental para garantir solidez ao erário. Sem isso, caminha-se para o Brasil de hoje.

A introdução acima é pertinente para analisar a decisão do governo de Lajeado em extinguir o programa de férias nas escolas de Educação Infantil. A decisão foi tomada, quatro anos depois de sua criação, com base em argumentos estritamente financeiros.

O programa fora criado pela gestão anterior, após clamor dos pais de crianças, que relatavam dificuldade em ter onde deixar os filhos durante o período das férias de janeiro. Era um drama a cada fim de ano.

Será que o investimento era desperdício, como alega o governo?”

Sob a alegação de haver poucos inscritos e do consequente desperdício de dinheiro público, o projeto chega ao fim. Junto com a decisão, volta a angústia de centenas de famílias lajeadenses. Ainda que tenham havido muitas faltas, o número de atendidos era considerável. Em janeiro passado, quase 300 crianças participaram das atividades em dez dias, enquanto o número de inscritos era superior a 400.

Segundo o governo, manter o programa onerava os cofres em algo próximo a R$ 30 mil para manter as quatro creches abertas. Contabiliza-se materiais de expediente, alimentação, além dos custos de água e luz. Para um orçamento como o de Lajeado, que se aproxima dos R$ 300 milhões, será que o investimento era desperdício, como alega o governo?

Em São Paulo, houve um problema semelhante. Antes de cancelar o programa, o governo implantou regras mais rígidas para as inscrições. As famílias precisaram assinar um termo de compromisso. Caso descumprissem, poderiam inclusive perder a matrícula para o resto do ano. Para os professores, fez uma listagem por adesão. Caso não houvesse servidores suficientes, os diretores das escolas faziam as escalas.

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