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Jornal A Hora

Ideias

Publicada em 24/03/2017

Sobre viajar sozinha – parte 1

Está aí uma experiência que eu acredito que todos deveriam ter. Sentir-se, ver-se, perceber-se sozinho em alguma outra cidade, em algum outro país. Já tive algumas experiências e por isso recomendo.

Minha primeira viagem sozinha foi para Buenos Aires. Nunca havia saído do país, tampouco estado sozinha em qualquer outra cidade que não dentro do nosso estado. Com uma mochila, o nome do hostel reservado pela internet, alguns poucos dólares, tomei um ônibus na rodoviária de Porto Alegre e fui. Deparei-me com o desafio da língua (espanhol só parece fácil), os fins de tarde ociosos, os companheiros de quarto, cada um com uma cultura e uma forma de ocupar aquele espaço, diferente.

Olhei, passeei, aprendi a usar o ônibus urbano e o metrô da cidade. Logo localizei os mercados mais próximos, contei moedas para que chegasse com algumas delas no final da viagem. Eu havia concluído a faculdade, estava aguardando a colação, a tão esperada formatura. Entre a preocupação com os preparativos da festa, em emagrecer para entrar em algum vestido, me vi pensando em como o mundo é grande.

O que, como, quem eu era ali? Uma futura psicóloga, com pouco dinheiro, vestindo a mesma calça jeans há uma semana. Toda a insegurança, todo o medo. Não apenas por aquilo que poderia acontecer nos dias em que eu estava longe de casa e apenas com a minha mochila, mas do futuro, de uma vida profissional que começava.

Com o mapa em mãos, eu tentava entender não apenas por quais ruas tinha que andar para chegar aos locais que queria visitar, mas o que eu gostava, o que eu queria. O silêncio e a reflexão eram sustentados até que a dúvida se fazia maior que o orgulho, então o ensaio de uma pergunta.

O gosto diferente da comida, as gírias, os costumes da cidade… os compartilhava com o meu caderninho, o qual se tornou uma espécie de diário. Quando voltei, obviamente, todos queriam saber como havia sido, até os mais descrentes que daria certo. Porém, percebi que por mais que mostrasse as fotografias, por mais que falasse, por mais que tivesse gostado de tudo aquilo que tinha vivido, o mais marcante foi estar sozinha. Foi ver e sentir que eu era capaz de dar conta de mim, de cuidar de mim, de suportar e operar com as minhas dúvidas e medos.

Uma vez li que viajar é pôr a vida em um frasco pequeno, e eu acredito nisso. Tudo se torna muito intenso, qualquer gota, qualquer pedaço, qualquer dia é muita coisa. Acredito, também, que a experiência de estar sozinha potencializa essas intensidades.

No próximo texto, contarei da minha última experiência. Até breve.

Fernanda Nicaretta
Psicóloga e mestranda em Psicologia Social e Institucional  – CRP 07/24198

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