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Jornal A Hora

Vale do Taquari

Publicada em 12/11/2016

Público ou privado, a saída é planejar, inovar e qualificar

Caminhos para o Vale do Taquari

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A desregulação nas contas públicas impacta em diversos setores produtivos. Tanto no atendimento básico à população, quanto na saúde financeira das empresas, em especial no segmento industrial. Com menos dinheiro para concessão de incentivos públicos e restrição nos financiamentos pelos bancos de desenvolvimento, as organizações privadas mudam estratégias, reavaliam os gastos e, muitas vezes, fecham postos de trabalho.

O cenário é desafiador, mas, ao mesmo tempo, de oportunidades. Especialistas, economistas, empresários e gestores públicos listam caminhos para enfrentar a recessão e apontam o Vale do Taquari com potencial para sair fortalecido da turbulência. Exemplos não faltam.

Os prognósticos negativos diante da instabilidade política e econômica da nação se concretizaram e impactaram no bolso e na cabeça dos brasileiros. Para 2017, a perspectiva mais otimista aponta para estabilização, com chance de terminar o período de recessão.

No Vale do Taquari, as características diversificadas das atividades reduzem o efeito da crise nacional. Diante da importância da produção alimentícia – calcada no frango, suíno, leite e candies – sente menos o impacto da crise, mas não sai imune. Os índices de desemprego registrados em grandes capitais ou outras regiões passam longe do Vale.

Por outro lado, o arrocho financeiro afeta a região e exige, entre outras tarefas, reposicionar os negócios, inovar em produtos, apostar na qualidade e implementar gestões mais eficientes e customizadas. Seja público ou privado, a orientação é otimizar os processos e manter um olhar vigilante sobre produtividade e desempenho de toda a equipe.

O Vale tem desafios específicos. Se alcançados, podem elevar a força econômica e aumentar a representatividade em âmbito estadual: apostar no turismo como alternativa de renda e desenvolvimento no meio rural; buscar um selo de origem para elevar a qualidade da gama de alimentos e consolidar o Vale dos Alimentos; construir um planejamento integrado enquanto região, capaz de estabelecer conexões e estratégias entre todas as cidades regionais; fortalecer o associativismo e profissionalizar as atividades no meio rural para garantir sucessão e sobrevivência das propriedades rurais.

Ano para consolidar a retomada da indústria

Dados da Fundação de Economia e Estatística do RS (FEE) apontam para uma gradual recuperação do setor terciário. Conforme a técnica do órgão, a economista Cecília Hoff, essa tendência já pôde ser observada ao longo deste ano, apesar de o desempenho ser irregular. “Em agosto, após cinco meses consecutivos de crescimento, houve uma queda de 3,8%. Isso anulou toda a expansão verificada nos meses anteriores.”

De acordo com a especialista, a queda no mês já era esperada devido a problemas pontuais, como o fornecimento de peças na indústria automotiva e, a partir de setembro, a greve bancária. “É possível que nos próximos meses ocorra uma recuperação, também pontual. Isso permitiria uma retomada da trajetória de crescimento lento verificado entre março e julho.”

Conforme a economista, a pequena recuperação vista entre março e julho deste ano foi influenciada pelo aumento da produção em alguns setores, como o alimentício e o calçadista. “Essa situação foi puxada pela melhoria da competitividade com a desvalorização do real”, frisa.

Frente à tendência para 2017, Cecília estima que os investimentos também devem ser retomados, como na produção de bens de capital. “Ao que tudo indica, trata-se do início de um processo de reposição de estoques e substituição de máquinas, equipamentos e veículos para o transporte industrial.”

Esse movimento parece tímido frente aos meses anteriores quando houve ajustes e cortes, mas que pode indicar a estabilização e o início de uma retomada no segmento metal-mecânico, avalia a economista da FEE. “Já na cadeia automotiva, os ajustes nos níveis de estoques e os cortes na produção ainda parecem estar em curso.”

Entre as dificuldades, os níveis elevados de endividamento e de desemprego, junto com a queda na renda das famílias, atuam como freios na retomada da economia. Além disso, o nível de uso da capacidade instalada das fábricas ainda é baixo, diz a economista. “Em suma, é possível que a recuperação ensaiada em 2016 se consolide em 2017, na esteira de alguma expansão do mercado interno.”

Ainda assim, resume Cecília, o ritmo de crescimento tende a ser lento e é pouco provável que o nível de produção verificado em 2014, período pré-crise, seja retomado em curto prazo. Confira o caderno completo aqui.

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