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Jornal A Hora

Futsal

Publicada em 23/05/2019

Do Vale para a Seleção Italiana

Com dupla cidadania, a goleira Ana Carolina Caliari Sestari foi convocada para disputar torneio com a seleção nacional no fim de junho

Crédito: anygivensunday.it Natural de Nova Bréscia, Ana Sestari está desde setembro de 2014 disputando o Campeonato Italiano de                                        Futsal com o Montesilvano
Natural de Nova Bréscia, Ana Sestari está desde setembro de 2014 disputando o Campeonato Italiano de Futsal com o Montesilvano

O sonho de ser jogadora de futebol profissional fez com que Ana Carolina Caliari Sestari, 23, saísse cedo de casa. Natural de Nova Bréscia, a goleira integrará a Seleção Italiana de Futsal Feminino que disputará a Women Futsal Week Summer Cup, na Croácia, entre os dias 27 e 30 de junho.

 
Ana deu os primeiros passos no CFM, de Encantado. Lá, aos oito anos, iniciou os treinamentos sob o comando dos professores Tiago Marchese, Fernando Radaelli, Lisandro Lourenço e Claudio Rosa. “Desde a época da escolinha, ela sempre foi dedicada, batalhadora e de personalidade forte, tanto nos treinos quanto nos jogos”, conta Marchese.

 
Com o passar dos anos, a goleira optou pelo futsal. “Sempre gostei mais do futsal porque a goleira era menor em comparação ao campo, para uma criança isso ajuda muito.”

 

Ela sempre treinou muito para melhorar e aperfeiçoar.

Tiago Marchese, professor

Em 2014, aos 18 anos, ganhou uma oportunidade de jogar profissionalmente no futsal da Itália. “No começo foi difícil me adaptar por culpa da língua e estar tanto tempo longe da minha família, mas com o passar do tempo fui me acostumando com a saudade e aprendi muito bem a língua.”

 
No começo, as dificuldades quase a fizeram desistir, mas com o passar do tempo foi se acostumando. “Como diz minha mãe, sempre fui muito teimosa, quando quero algo, luto até o fim.”

 
A goleira destaca que diferente do Brasil, o futsal italiano é mais tático e físico. “No começo foi complicado me acostumar, mas hoje já tiro tudo de letra.”

 

A convocação

Nessa segunda-feira a Federação Italiana de Futsal convocou o grupo de atletas que participará do Women Futsal Week Summer Cup, de 27 a 30 de junho em Varazdin, Croácia. Na ocasião, a Itália enfrentará Croácia, Polônia e Moldávia. “Não esperava a convocação. Claro que sempre trabalhei para um dia chegar nesse nível e sonhava em quem sabe um dia ter essa oportunidade. Esse dia felizmente chegou e é um dos dias mais felizes da minha vida.” Além de Ana, outras duas ítalo-brasileiras foram convocadas: Renata Adamatti e Bruna Borges.

 
Com dupla cidadania, Ana conta que sempre esteve com o coração dividido e com esperança de ser um dia convocado pela seleção italiana. “A Itália me deu algo que infelizmente o Brasil não podia me dar naquele momento, a oportunidade de continuar jogando. E por uma questão de respeito e gratidão, fiz essa escolha.”

 

“Estamos no caminho certo”

Professor do CFM, de Encantado, escolinha de futebol onde Ana deu os primeiros chutes, Tiago Marchese comemora a convocação de Ana para a Seleção Italiana. “Essa convocação mostra que estamos no caminho certo na formação de grandes cidadãos através do esporte.”

 
Marchese destaca que desde quando Ana iniciou na escolinha, sempre se mostrou ser uma atleta diferenciada, principalmente pelo fato de ser goleira. “Ela sempre treinou muito para melhorar e aperfeiçoar. Sempre se cobrou muito para melhorar a cada treino”, conta.

 

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 “O lugar das mulheres também é no futebol”

Morando quase seis anos na Itália, Ana fala um pouco sobre o preconceito e a evolução do futsal feminino.

 

A Hora – Já sofreu algum tipo de preconceito por ser uma mulher que joga bola? Cite exemplos.
Ana Carolina Caliari Sestari – Quem nunca sofreu preconceito? No começo ninguém queria uma menina no time, quando alguma menina fazia gol, eles zoavam os goleiros por ter tomado um gol de uma menina, como se fosse uma coisa inferior. Até hoje quando me perguntam o que faço da vida e eu respondo que jogo futebol me dizem “ah mas uma mulher que joga futebol, existe time feminino?”

 

– As barreiras do machismo estão sendo ultrapassadas?
Ana – Um ótimo passo que fizeram foram obrigar os times que querem disputar a Libertadores a terem um time feminino. Mesmo sendo um apoio obrigatório, os clubes estão investindo o suficiente pra modalidade crescer.

 

– O que falta para o futebol feminino ser mais reconhecido e elevar a profissionalização das atletas e da categoria como um todo?
Ana – Faltam patrocinadores, faltam pessoas nos ginásios/estádios e principalmente falta entender que o lugar das mulheres também é no futebol ou em qualquer outro esporte considerado “para homens”. Muitas pessoas antes de começarem a ver o esporte feminino diziam que era um esporte menos bonito, mais lento. Depois do primeiro jogo visto, se apaixonaram logo e é difícil que não vejam os jogos.

 

 

EZEQUIEL NEITZKE – ezequiel@jornalahora.inf.br

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