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Jornal A Hora

Caravana Pense

Publicada em 29/06/2019

Presente na escola e ao lado do professor

PENSE reforça propósito de valorizar os mestres e procura contribuir no aprendizado por meio da troca de experiências. No segundo ciclo, a escola Pedro Albino Müller, de Sério, e o Colégio Madre Bárbara, de Lajeado recepcionaram a caravana multidisciplinar do programa.

Crédito: Filipe Faleiro Coordenador do Instituto Dale Carnegie no Vale, Henrique Kuhn, falou sobre condutas que ajudam as pessoas a se tornarem líderes
Coordenador do Instituto Dale Carnegie no Vale, Henrique Kuhn, falou sobre condutas que ajudam as pessoas a se tornarem líderes

O processo de aprendizagem é uma construção coletiva. Depende da participação da família, das experiências, do ambiente no qual o indivíduo está inserido, das relações interpessoais e também da presença e entusiasmo dos professores.

Reconhecer a responsabilidade de cada elo e atuar sobre essas etapas transformam a vida dos receptores, em especial os menores. Educação e ensino podem parecer sinônimos. No senso comum, os dois termos querem dizer a mesma coisa. Porém, há diferenças. E estas contribuem sobremaneira para separar a tarefa de cada agente.

Para distinguir o significado dessas palavras, parte-se para o específico. No ensino, tem-se a competência de assimilar conteúdos, de interpretar as informações e transformá-las em conhecimento.

Já educação é a capacidade de estabelecer conexões e unir o conhecimento adquirido nas disciplinas, com as vivências e com os valores da sociedade. No sentido amplo, considera-se a união entre o comportamento individual baseado em conceitos éticos, morais. Todos concebidos sob a luz da razão.

Dentro desse emaranhado, é preciso reconhecer que cada estudante tem seu tempo. Cada um tem seus potenciais e suas carências. É o professor o primeiro profissional capaz de interpretar esses sinais. Seja em qual for a fase da vida, os anos entre a infância e a entrada na fase adulta são aqueles fundamentais para se formar o caráter.

É nesse ciclo subjetivo e multifacetado da relação humana que se pavimenta o destino de cada um e, por consequência, da própria sociedade.

Estar presente na escola, apoiar os professores e dialogar com os alunos, precisam ser uma constante de toda a comunidade. Nesse tripé se sustam as caravanas do PENSE. Equipes do Grupo A Hora e dos apoiadores, Sicoob, Amvat, Cron, Univates, 3ª CRE e Instituto Dale Carnegie vão aos colégios para uma série de atividades.

Neste ano, a comitiva interdisciplinar visitou o município de Sério, na Escola Estadual Pedro Albino Müller. O encontro reuniu alunos de todas as instituições de ensino da cidade. Foram mais de 130 jovens. A caravana também esteve no Colégio Madre Bárbara, de Lajeado, onde mais de 240 alunos acompanharam o bate-papo sobre comportamento, propósito, relações interpessoais e mundo digital.

Ensinamentos à vida

Conhecer a realidade das escolas. Estar perto dos professores, dos alunos e conversar. Algo que em um primeiro momento parece simples, mas que poucas pessoas de fora da comunidade escolar se propõem a fazer.

O auditório do Colégio Madre Bárbara ficou lotado para as atividades da caravana PENSE. Mais de 240 alunos, do 6º ao 9º ano, participaram das atividades. Na primeira etapa, o coordenador do Instituto Dale Carnegie no Vale do Taquari, Henrique Kuhn, abordou temas ligados às relações interpessoais.

De acordo com ele, se interessar pelo outro, por aqueles que estão ao lado, é um ato de generosidade. Para os alunos, reforçou cinco características presentes nas pessoas de sucesso. “Autoconfiança, saber lidar com o outro, o controle emocional, a comunicação eficaz e a liderança são ferramentas necessárias para ter bons resultados na vida.”

Kuhn realça a importância de estar integrado com as pessoas, de ouvir e se interessar. “Isso nem sempre é fácil”, diz.
Estar conectado na internet, vendo vídeos no youtube, nos jogos virtuais e nas conversas no Whatsapp é um estimulo que por vezes parece não haver tempo para se interessar pelo outro. Para Kuhn, exercer liderança também é se posicionar, ficar perto dos amigos, dos familiares e dos professores. “O relacionamento interpessoal é uma oportunidade de compartilhar coisas legais.”

Percepção social

Para a diretora do Madre Bárbara, Maria Elena Jacques, reconhecer a importância dos mestres é um passo para melhorar a sociedade. “O PENSE é uma manifestação de valorização do profissional da área da educação. Estamos sedentos por esse reconhecimento enquanto educadores.”

Na avaliação dela, a responsabilidade social dos executores do PENSE demonstra um comprometimento com a classe. “Vemos que não estamos sozinhos. Hoje as empresas percebem e vivenciam o quanto escolas e professores lutam por uma sociedade de transformação”, realça a diretora.

Mundo Digital

A programação para os estudantes continuou com palestra do professor da Univates Fabrício Pretto. Especialista em informática, ele falou sobre os benefícios e os riscos da imersão tecnológica na vida da sociedade.

De acordo com ele, a internet muda a relação das pessoas com o ambiente. “Hoje podemos fazer qualquer coisa pelo computador. Jogamos, compramos, convivemos. Por outro lado, temos de estar atentos para não sermos prejudicados.”

O alerta do professor se refere tanto aos golpes financeiros quanto a crimes de abusos contra menores. Conforme Pretto, os diálogos com estranhos por meio dos aplicativos de mensagens devem ser evitados. “Hoje muitas pessoas informam tudo o que fazem pelas redes sociais. Colocam que estão em viagens. Expõem a privacidade para desconhecidos.”

Cooperar para evoluir

Enquanto alunos aprendiam técnicas de relacionamento, professores tinham atividades específicas. O primeiro ato foi com a cooperativa de crédito Sicoob. As representantes Daiana Wathier e Vanessa Bazzanella, comandaram exercícios de cooperação.

De acordo com Vanessa, formar uma equipe comprometida passa por práticas diárias de empatia, apoio e entendimento. Para deixar claro os sentimentos, professores foram desafiados. Precisavam fazer uma fila e cada um escrever qualidades vistas nos colegas.

Vida plena é estar prevenido

Na sequência, o médico oncologista Renato Cramer, do Cron, conversou com os professores sobre saúde. De acordo com ele, os hábitos interferem no diagnóstico de doenças adquiridas e que podem resultar em enfermidades como o câncer. “A prevenção ainda é a melhor maneira de ter uma vida plena.”

O médico alerta que muitos docentes são seus pacientes. Segundo ele, a doença reage de diferentes formas em cada pessoa. Dos principais tipos de câncer que se tem conhecimento, a grande maioria, de 80% a 90% pode ser prevenida com atitudes saudáveis, afirma.
As preocupações apontadas pelo médico fazem parte do cotidiano da escola, afirma a coordenadora pedagógica Regiane Pretto.

“Ainda que tenhamos uma realidade um pouco diferente, por sermos uma instituição privada, a preocupação com a saúde do professor está sempre presente. Os apontamentos do doutor Cramer fazem com que a gente se enxergue um pouco mais. Importante pensarmos sobre nossos hábitos e rotinas.”

“O colégio é minha segunda casa”

“Entrei com 11 anos aqui e estou até hoje. Como professora são 29 anos. Ao longo da minha vida, são mais de 40 anos dentro do Madre Bárbara. O colégio é minha segunda casa.”

A história da professora de Português, Rosana Scherer, é uma evidência do quanto os mestres contribuem no destino dos alunos. “Em todos esses anos, vivi momentos marcantes que ajudaram a pavimentar o meu caminho. Muito das minhas características foram formadas aqui dentro.”

A forma de trabalho dos mestres do passado, afirma, foi adaptada e faz parte do método de ensino dela hoje. “Não fazemos muito diferente daquilo que aprendemos. O exemplo é a melhor maneira de ensinar.”

Cobrar o máximo

Ao relembrar a época de aluna, afirma: “os professores mais exigentes foram os que mais interferiram na minha vida. Eles mostraram que eu tinha capacidade de ser melhor do que era.”

Esse não aceitar pouco, acredita Rosana, marca o futuro do estudante. “Isso acontece quando o mestre tem capacidade de perceber o potencial do aluno.” Valorizar esse contato, frisa, pode garantir satisfação profissional aos mestres. Sobre esse sentimento, Rosana acredita que o PENSE tem condições de se tornar uma referência. “Tenho acompanhado o programa. Ter esse canal para dividir experiências, conhecer os projetos trabalhados nas escolas e trocar informações entre professores é muito positivo.”

No ano passado, ela não inscreveu nenhum projeto. “Muitas vezes fazemos ações que ficam dentro da escola. O PENSE é um mecanismo para passar essas barreiras e mostrar à sociedade tudo de legal que acontece dentro dos colégios.”

Olhar dos alunos

Artur Lima Gonçalves, 13, está no 7ª ano. Acompanhou a caravana do PENSE e reconhece no propósito do programa uma necessidade latente: é preciso valorizar o professor. “É a profissão mais importante do mundo. São eles que formam todas as outras. Sem o professor, o conhecimento para.”

Emily Baciglieri, 12, parte do mesmo pressuposto de Artur. Aluna do 6º ano realça que a informação pode ser consultada na internet, mas é o professor que consegue dar sentido ao conhecimento.

Além de serem os condutores do processo de aprendizagem, os professores também interferem na vida, afirmam os alunos. Emily tem talento para a música. “Vivi uma experiência única. Cantei na apresentação de Natal em Lajeado.”

Esse episódio, conta, só foi possível graças ao professor. “Para mim, um elogio do professor é algo maravilhoso. Quando fui convidada para me apresentar no Lajeado Brilha, fiquei emocionada. Aquela chance, pensei, só foi possível porque ele pensou em mim. Ele me reconheceu.”

Artur demonstra aptidão para os esportes. Inclusive faz parte de uma equipe de canoagem. “O professor de Educação Física me convidou para fazer parte do time de futebol. Aquilo me marcou. Mostrou que posso fazer o que quiser.”

Essa destreza nos esportes será mais uma vez posta à prova. Ele faz parte do time da Associação de Ecologia e Canoagem (AECA) que em setembro disputa o campeonato nacional em Brasília. “Vou representar os gaúchos. Essas oportunidades mostram que eu tenho um futuro enorme. Muito disso se deve ao incentivo que recebo dos professores.”

Caravana em Sério

O encontro na Escola Estadual Pedro Albino Müller reuniu mais de 130 alunos das turmas de 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. No último ano de escola, se preparando para o vestibular e iniciar a graduação Natã Viana, 20, avalia como positiva as atividades do programa no ambiente escolar. “O professor é importante pois incentiva o aluno para termos um futuro melhor.”

Natã entende que o professor seja o principal personagem da vida, auxiliando nas principais escolhas dos jovens, principalmente nos anos finais do Ensino Médio.

“Temos de fazer escolhas, nos preparar para o trabalho e o professor está do nosso lado”, comenta. Opinião semelhante compartilha o aluno do 1º ano Renan Becker, 15, que teve mestres marcantes. “O aluno recebe muita atenção. Quando temos dificuldade eles estão prontos para ajudar.”

Rafaela Carolina da Silva, 16, do 2º ano, vê o professor como um personagem que ensina muito mais do que as disciplinas curriculares, mas prepara cada aluno para enfrentar as dificuldades. “Mesmo desvalorizados, sempre estão prontos para ajudar e querem o melhor para todos”, comenta.

Amor  pela escola

A diretora Vera Eichler descreve os desafios da profissão e de manter a escola com boas condições. “Sempre contamos com a participação dos alunos e da comunidade. Foi assim que conseguimos a construção de um ginásio de esporte e várias obras no espaço”, lembra.

Para ela, a caravana traz um momento diferente em sala de aula. É possível compartilhar experiências, aproximar a relação entre as turmas e preparação para o Ensino Superior e o mercado de trabalho. “Temos vários desafios, enfrentamos desvalorização e mesmo assim estamos sempre dispostos a ajudar”, destaca.

A diretora também enaltece a proposta do programa, manifestando a valorização dos professores. “Estão percebendo o quanto as escolas e os professores lutam por um futuro melhor e pela transformação da sociedade”, realça.

Cuidado com a saúde

Criar hábitos mais saudáveis e ter uma rotina organizada de trabalho foram temas abordados pelo oncologista Renato Cramer, do Cron, aos professores e funcionários da escola Pedro Albino Müller, de Sério. O médico conversou sobre a prevenção e os cuidados com a saúde mental.

Cramer alerta que muitos professores trabalham intensamente, no limite de carga horária, além de problemas como a falta de pagamento de salários. “Ser professor é uma das profissões mais importantes, mas não pode ser norteadora pelo ambiente e salário”, destaca.

 

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