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Jornal A Hora

Vale do Taquari

Publicada em 20/07/2019

O fim de uma família

Primeiro morreu a mãe. Dois dias depois, o pai. Nessa sexta, o filho, Vitor Gabriel, de 4 anos. Os três estavam no carro atingido por tiros, enquanto tentava furar bloqueio da Polícia Federal. Uma sequência de fatos que só aumenta a tragédia familiar que também vitimou Aline Pirola

Crédito: reprodução/facebook Pai, filho e mãe. Episódio dessa terça-feira se tornou uma tragédia familiar. Marcos Berghann, Vitor Gabriel e Daniela Weizemann morreram nesta semana
Pai, filho e mãe. Episódio dessa terça-feira se tornou uma tragédia familiar. Marcos Berghann, Vitor Gabriel e Daniela Weizemann morreram nesta semana

Os desdobramentos do tiroteio em Cristal tornam a história ainda mais dramática. O fato aconteceu na noite de terça-feira e o saldo foram quatro pessoas mortas. Três da mesma família.

Naquela noite, morreram Daniela Weizemann, 35, e Aline Pirola, 25. Dois dias depois, o marido de Daniela, Marcos Berghann, 34, foi encontrado morto dentro da cela na superintendência da PF em Porto Alegre. Conforme as autoridades, ele teria se suicidado.

Já na tarde dessa sexta-feira, o filho do casal, Vitor Gabriel, de 4 anos, que havia sido baleado, teve a morte cerebral confirmada. A família autorizou a doação dos órgãos da criança. A informação foi confirmada pela prefeitura de Porto Alegre. O menino estava internado na UTI do Hospital de Pronto-Socorro (HPS).

Os tiros o atingiram nas nádegas, no tórax e na cabeça. O primeiro atendimento ao menino foi da prefeita de Cristal e enfermeira, Fábia Richter. Na sexta-feira, pelas redes sociais, ela escreveu: “Menino guerreiro… se despede da vida para que outras crianças possam viver. Jamais esquecerei tua vontade de viver. Descanse em paz.” Na tarde dessa sexta, foi feito o procedimento para retirada dos órgãos, que vão para oito crianças.

Até o fim desta edição, a reportagem não conseguiu informações sobre o velório de Vitor Gabriel e do pai, Marcos Berghann.

Enforcado com ataduras

De acordo com a Polícia Federal, a perícia inicial apontou que Marcos Berghann se matou dentro da carceragem da Superintendência em Porto Alegre, usando ataduras de um curativo em uma das mãos.

A corporação informou ainda que foram analisadas câmeras de segurança da carceragem. Nas seis horas de gravação, a polícia afirma que nada de anormal foi constatado e que Berghann estava sozinho na cela. A PF não divulgou as imagens.

Nos depoimentos, ele não quis se pronunciar. Na quinta-feira, recebeu a visita da mãe. Em seguida, foi encaminhado para uma audiência de custódia. Retornou à cela por volta das 17h. Duas horas depois, quando foi levado o jantar e trocar o curativo, o agente da PF verificou que ele estava morto.

O local foi isolado para o trabalho do Instituto Geral de Perícias (IGP). O laudo deve ser entregue em 30 dias. A Polícia Federal também abriu um inquérito para apurar as circunstâncias do episódio.

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O caso, tanto do tiroteio dessa terça-feira, quanto da morte de Berghann, também é acompanhado pelo Ministério Público Federal (MPF).

Marcos Berghan foi preso na noite de terça-feira, logo após o tiroteio na entrada da cidade de Cristal. Ele respondia por tentativa de homicídio contra os policiais. Ele tinha uma condenação de 31 anos por homicídio. Começou a cumprir a pena em 2005. Teve progressão de regime em 2014.

Para a investigação da PF, ele era o responsável pela tentativa de resgate de uma quadrilha que assaltou o banco Bradesco em Dom Feliciano no dia 6 de julho. O cerco aos criminosos continua na região Sul do estado.

Comoção

Amigos e familiares tentam entender como as mulheres se envolveram na trama do que a Polícia Federal chamou de tentativa de resgate. Os velórios de Aline e de Daniela foram marcados pelo sentimento de que o desfecho poderia ser outro. Muitos questionaram a conduta da polícia.

O pai de Aline, Luiz Pirola, quebrou o silêncio e conversou com o A Hora no fim da tarde dessa quinta-feira. “Estão tratando minha filha como bandida, e ela não é.” A filha de Aline, de dois anos, está com os avós maternos. “Sobrou o Rodrigo (irmão de Aline) e a nossa netinha. Se Deus quiser, nós vamos ficar com ela. Vamos cuidar bem da filhinha da Aline, porque a filha era a vida dela inteira.” Estar com a criança, disse Luiz, ameniza a dor. “Mas sempre vai faltar alguém”, finaliza.

 

 

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