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Jornal A Hora

Vale do Taquari

Publicada em 13/08/2019

Novos casos de dengue ampliam risco de epidemia

Pacientes de Teutônia foram infectados de forma autóctone pela primeira vez no Vale. Ao todo, são 20 municípios infestados na região

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Teutônia registrou dois casos de dengue contraídos no próprio município, os chamados casos autóctones. Um homem e uma mulher tiveram confirmação da doença. Eles tiveram fortes dores de cabeça, dores nas articulações, náuseas, vômitos, sintomas típicos da dengue, que duram cerca de uma semana. Ambos já estão estáveis e retornaram às atividades normais.

De acordo com a 16ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), a ocorrência destes episódios demonstra que novos casos autóctones podem acontecer. A coordenadoria informa que as alterações climáticas, como as variações temperaturas e do volume de chuvas, registradas nos últimos meses, favorecem o desenvolvimento dos mosquitos.

Para a CRS, as duas confirmações de Teutônia indicam que o controle sobre o vetor não foi eficaz e, por outro lado, que a vigilância do município estava suficientemente em alerta.

“A coordenadoria está preocupada e já de mais tempo atrás vem treinando e assessorando os municípios e suas equipes na execução das atividades de vigilância do Aedes”, afirma o coordenador Sérgio Schneider.

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Casos no Centro Administrativo

A Vigilância Sanitária acredita que os pacientes tenham sido picados pelo mosquito próximo ao local de trabalho. Foram feitos levantamentos em um raio de 150 metros das residências e não foram encontradas larvas. Ambos trabalham no mesmo lugar, no bairro Centro Administrativo.

Os casos foram confirmados no dia 2 de agosto. Um homem teve doença detectada por meio de exames feitos no Laboratório Central do Estado (Lacen), em Porto Alegre. Já uma mulher apresentou sintomas, e teve o caso confirmado por exame clínico.
O município possui laboratório próprio para detectar as larvas do Aedes. Já os exames que constatam a doença no paciente são realizados no Lacen.

Atenção redobrada em Teutônia

Após a confirmação dos casos, o município intensificou as ações de prevenção. Na semana passada, foi feito um levantamento de índice rápido (Lira) por agentes do município. Foram encontradas larvas do mosquito em quatro bairros: Centro Administrativo, Canabarro, Languiru e Alesgut.

“As larvas do mosquito contaminado já nascem contaminadas. Não se descarta que possam aparecer novos casos futuramente, devido ao que ocorreu agora”, alerta o coordenador da Vigilância Sanitária, Evandro Borba.

Borba ressalta a importância de se receber os agentes nas residências. Ele destaca ainda a importância do uso de repelente, principalmente nas crianças.

Agentes epidemiológicos analisam larvas encontradas em Teutônia
Agentes epidemiológicos analisam larvas encontradas em Teutônia

ENTREVISTA

“A chance de termos casos de dengue neste verão é bem grande”

Médico infectologista do Hospital Bruno Born (HBB) e professor da Univates, Guilherme de Campos Domingues discorre sobre a dengue e o risco de uma epidemia no Vale.

A Hora – Quais os principais sintomas da dengue e o que o paciente deve fazer ao percebê-los?

Guilherme Domingues – Os principais sintomas são febre alta e dor no corpo. O paciente fica muito debilitado, com cansaço. A recomendação é procurar atendimento médico. Um dos cuidados é não tomar Aspirina, porque a doença pode levar a risco de hemorragia. O quanto antes se diagnosticar a doença, melhor. Para poder ter os cuidados e evitar maiores problemas. É uma doença que, na forma hemorrágica, pode matar.

A partir dos primeiros casos autóctones, há risco de epidemia da doença na região?

Domingues – Claro. Temos casos confirmados em Teutônia e Santa Cruz. Temos que estar preparados porque a chance de termos casos de dengue neste verão é bem grande. O mosquito pode transmitir ou não. Eles se contaminam no momento que cruzam com mosquito infectado ou que picam uma pessoa infectada.

Além da dengue, o mosquito vetor também transmite chinkungunya e Zika virus. Quais as principais diferença entre elas?

Domingues – Os sintomas são parecidos, mas têm pequenas diferenças. A chikungunya se caracteriza por dores muito fortes nas articulações, tem pacientes que não conseguem caminhar direito. Mas não tem risco de sangramento e morte. O Zyka tem dá mais lesões de pele e para a gestantes tem risco de microcefalia no nenê.

 

MATHEUS CHAPARINI – matheus@jornalahora.inf.br

 

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