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Publicada em 28/09/2019

Família é onde tem respeito e amor

Diferentes configurações familiares surgem com a modificação da sociedade. Mas o importante é que as crianças sejam criadas em um ambiente saudável e com carinho

Crédito: Arquivo pessoal João Carlos Gehlen e Cristina Rabelo adotaram a pequena Luiza quando ela tinha apenas um ano e oito meses. O casal acredita que a filha é um presente enviado por Deus
João Carlos Gehlen e Cristina Rabelo adotaram a pequena Luiza quando ela tinha apenas um ano e oito meses. O casal acredita que a filha é um presente enviado por Deus

Falar de família tornou-se complexo com o passar dos anos. No dicionário, a palavra significa um “conjunto de pessoas, em geral ligadas por laços de parentesco, que vivem sob o mesmo teto”. Mas a família se transforma, atualiza e modifica junto com a sociedade, e isso implica e novas estruturas e relações de afeto e amor.

Segundo a psicóloga especialista em Terapia Cognitiva Comportamental Josiane Delazeri Hilgert Bandeira, para a psicologia, a família é um grupo de pessoas que vive em uma estrutura hierarquizada, onde há laços duradouros de afeto, cuidado entre os adultos e deles para com as crianças, adolescentes e idosos que houverem no contexto.

Na Lei vemos a mudança do conceito de família. Antes apenas definida pelo casamento oficial, hoje reconhecida também pela união estável ou mesmo comunidade de qualquer genitor e descendentes”, explica Josiane. É nesse cenário que as crianças aprendem a conviver em sociedade, por meio da obediência, e do cuidado e respeito que recebem.

Pais são quem ensinam

A psicóloga ressalta que hoje existem diferentes configurações familiares, como avós que criam os netos, mães solteiras e cada vez mais pais que cuidam sozinhos dos filhos. Além de crianças adotadas, famílias homoafetivas e famílias reconstituídas, compostas, por exemplo, por um casal na qual um ou ambos de seus membros têm filhos de um vínculo anterior, que passam a viver juntos.

Nesses casos existe uma adaptação das crianças e dos adultos a esta ‘nova família’. Mas se existir muito diálogo, cuidado, respeito, compreensão entre todos, especialmente dos adultos que devem dar o exemplo, a criação destas crianças e adolescentes será positiva, com autonomia e amor. E claro, quando as dificuldades forem muitas, buscar ajuda psicológica pode contribuir na melhora dos conflitos”, acredita Josiane.

Em outros casos, as crianças são retiradas da família quando ocorre uma violação de direitos. Muitas delas ainda mantêm relação com os pais biológicos, mas encontram uma nova família que possa lhes dar carinho, educação e amor. Como a Luiza, 6, que foi adotada pelo casal Cristina Rabelo, 40, e João Carlos Gehlen, 56, faz quatro anos.

Presente de Deus

O sorriso no rosto de Cristina não esconde a felicidade por ter encontrado Luiza, nem mesmo nas tarefas diárias nas manhã em que mãe e filha passam juntas. Mesmo sem parentesco sanguíneo, a semelhança entre as duas é visível e o amor é recíproco, talvez maior do que Cristina imaginava durante os nove anos em que o casal tentou gerar um filho.

Tratamento médico, fertilização, nenhum método funcionou para Cristina e João Carlos. Mas a fé em Deus os fez esperar o momento certo, até que Luiza, com apenas um ano e oito meses, precisou de um lar. Natural de Santa Catarina, a menina vivia em um abrigo até que a tia, comovida, resolveu buscá-la, mesmo sem ter condições de cuidar. Ela trabalhava com o irmão de Cristina e conhecia a história dela.

Disse que só deixaria a Luiza se fosse para nós, porque sabia que tínhamos a condição de cuidar”, agradece Cristina. Mas antes de aceitar, precisou de um tempo e uma conversa com Deus.

Foi à Igreja com o marido e naquela noite quem fez a celebração religiosa foi um irmão que nunca havia estado ali antes. “Foi cantado um hino durante o culto que fala da família de Jesus. O irmão disse que se sentiu tocado por Deus e quis contar a sua história, que era a mesma da Luiza”, relata Cristina. A partir deste momento, o casal não teve dúvidas de que a menina tinha a bênção Dele e deveria fazer parte da família.

Desde o primeiro dia já chamaram Luiza de filha e ela os chamou de pais. “Não foi fácil a adaptação dela com a gente, por tudo o que passou, mas a família se constrói com amor. Ela nos enche de amor todos os dias, é a cereja do nosso bolo”.

Cristina entende que a adoção ainda é um tabu na sociedade, mas não deixa que isso diminua o carinho e cuidado com Luiza. Pelo contrário, acredita que ela seja um presente de Deus, e que veio para encher a casa de alegria, no momento certo.

WhatsApp Image 2019-09-27 at 4.12.08 PM (1)Amor de neto-filho

Samuel Machado Jachetti, 18, também teve uma criação ainda considerada um tabu. Desde seu nascimento, morou na casa dos avós. Inicialmente com a mãe que cinco anos depois se mudou com o padrasto de Samuel.

O menino, ainda criança, optou por ficar na casa dos avós Inês Machado, 62, e Eloi Ramos Machado, 66, que torciam por sua escolha. “Na hora foi um choque, mas depois foi uma bênção, ficamos muito felizes”, conta Inês.

Desde criança, foi ela quem acompanhou a vida escolar do menino.Participava das reuniões e buscava as notas no fim de cada semestre. “A nossa maior dificuldade era quando precisávamos ajudar com alguma matéria da qual não entendíamos, mas sempre procuramos dar tudo o que ele precisa”, esclarece Inês.

Principalmente o amor que é compartilhado todos os dias. Mesmo depois de 18 anos, Samuel ainda procura colo e chamego dos avós. 

Meus avós são tudo para mim, são a minha família, meu exemplo, tudo o que tenho”, conta Samuel. Apesar de visitar a mãe, é na casa dos avós que fez seu lar. “As pessoas me perguntam se é meu filho, eu digo que é meu neto. Mas o Samuel gosta de dizer que é neto-filho”, conta Inês.

Nas horas do “puxão de orelha”, a função também é dos avós. “Tomara tenhamos saúde para viver até o Samuel poder se virar sozinho, porque na verdade nós somos os pilares, a estrutura dele”, conta Inês.

Fico feliz por ser criado pelos meus avós. Para tudo o que eu precisar, eles vão estar aqui por mim. Conto tudo para eles”, agradece Samuel.

BIBIANA FALEIRO – bibiana@jornalahora.inf.br

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