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Jornal A Hora

TRADIÇÃO FAMILIAR

Publicada em 16/10/2019

“Se o cabo quebrar e não for de uma vassourada, a gente troca”

A ironia de Iamantino e Zilda traduz a confiança na qualidade das vassouras, produzidas faz mais de 50 anos. Tradição perpassa gerações e hoje é um importante complemento de renda para a família

Crédito: Giovane Weber No interior de Forquetinha, casal de idosos fabrica oito modelos distintos de vassouras, de 10 centímetros até 4 metros de comprimento
No interior de Forquetinha, casal de idosos fabrica oito modelos distintos de vassouras, de 10 centímetros até 4 metros de comprimento

Nos fundos de uma casa centenária, em um galpão velho, o casal Iamantino, 75, e Zilda Zimignani, de Bauereck, mantém viva uma tradição milenar, a confecção de vassouras artesanais.

As palhas são cultivadas em meio hectare, cuja semente crioula é preservada faz mais de 50 anos. Iamantino aprendeu o ofício ao lado do irmão Ângelo quando tinha 21 anos. “Na época a gente fazia basicamente as vassouras para uso familiar. Hoje virou uma excelente alternativa de renda”, destaca.

A maior parte delas é confeccionada após o almoço ou de noite. Zilda ajuda na escolha das palhas enquanto o marido amarra elas ao cabo, também confeccionado direto na propriedade. “Utilizo 59 palhas, entre pequenas, médias e grandes. Ainda preciso de 4 metros de arame, um prego e 1,20 metros de fio para fazer quatro costuras. Em 45 minutos ela está pronta”, explica.

Cada unidade tem seis meses de garantia. Para evitar o ataque de pragas, mergulha o cabo em gasolina. “Se o cabo quebrar e não for de uma vassourada em animais ou no marido, a gente troca”, brinca.

A família recebe orientação técnica da Emater nas atividades produtivas, além de apoio para a participação em feiras. Conforme o chefe do escritório local, Arthur Eggers, o casal é um dos poucos a manter viva esta tradição no Vale do Taquari. “É um trabalho artesanal e que exige muita dedicação. A semente é crioula e nem é encontrada no mercado. As vassouras são de extrema qualidade”, afirma.

Modelos diferentes

O casal vende as vassouras apenas no município. De seis em seis meses, com auxílio do filho Caciano, ele percorre todas as localidades para oferecer o produto. São oito modelos distintos, entre 10 centímetros a 4 metros de comprimento. O peso varia de 100 gramas a três quilos. “Dependendo do tamanho, cada vassoura custa entre R$ 23 e R$ 35”, observa.

Plantio e a lua

A semeadura é feita de forma escalonada. Inicia em setembro e encerra após o Natal. As primeiras palhas são cortadas em novembro e a safra termina em março. Após colhidas, são levadas ao sol para perderem umidade e então são guardadas no galpão. “Estou sozinho nesta etapa, por isso planto em ciclos”, explica.
Outro ponto observado são os ciclos da lua. Tanto o plantio como o corte é feito na fase minguante. “Se fizer estas duas coisas na fase cheia ou nova, as palhas caruncham ou não se desenvolvem bem”, ensina.

GIOVANE WEBER – weberjornalismo@gmail.com

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