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Jornal A Hora

churrasco mais salgado

Publicada em 19/11/2019

Carnes encarecem neste fim de ano

Crescimento de exportações eleva preço do churrasco em período de demanda interna maior

Crédito: Felipe Kroth Jordânia já sente no bolso o aumento no preço da carne.  “Da semana passada para cá, deu para notar o aumento”
Jordânia já sente no bolso o aumento no preço da carne. “Da semana passada para cá, deu para notar o aumento”

Para quem costuma comprar carne, isto não é novidade: chega a época de festas e os preços sobem. Neste ano, no entanto, uma série de fatores pode contribuir para um aumento mais significativo. As estimativas ficam entre 20% e 40% de alta para o mês que vem nos cortes mais usados para churrasco, como costela, maminha, vazio e picanha.

 

O motivo de sempre é a velha conhecida lei da oferta e procura: se aumenta a demanda por um produto e o estoque disponível não acompanha, o preço tende a subir. E a procura pelas carnes mais nobres costuma crescer cerca de 25%, todos os anos, em dezembro, na comparação com os demais meses. A estimativa é de Hans Röhsig, gerente de compras do STR Lajeado, com mais de 20 anos de experiência em supermercados. O período entre fim e início de ano também é a entressafra da pecuária de corte, com menos disponibilidade de animais para abate.

 

Neste ano, no entanto, o estoque de carnes está mais baixo do que o normal. A principal justificativa é o aumento das exportações, especialmente para a China. A produção de carne chinesa sofreu perdas significativas com a peste suína africana. Com isso, o país passou a importar carne já pronta – antes, buscava principalmente terneiros e soja para alimento dos animais. Esse aumento das exportações afetou principalmente os estoques dos maiores frigoríficos do Brasil, que acabam influenciando os preços de um modo geral.

 

box materia carne

Alta já começou

Os preços já estão subindo. Carnes de rês tiveram alta de 9% entre outubro e novembro, segundo Röhsig. A coxa e sobrecoxa de frango, por exemplo, ficou 14% mais cara nas duas últimas semanas, entre os fornecedores do STR. “A gente não sabe exatamente quanto, mas se continuar a exportação, a tendência é aumentar mais”, afirma.

 

Alex Blau, pecuarista, distribuidor de carnes para mercados e dono de casas de carnes em Lajeado e Porto Alegre, concorda com as estimativas mais pessimistas: aposta em aumentos de cerca de 40% nos preços e considera possível a falta do produto no varejo. “E esse aumento pode ser mantido a longo prazo. Os preços dessa vez podem não retornar”, projeta, ao lembrar que as exportações de carne brasileira podem crescer ainda mais, com aberturas dos mercados russo e árabe.

 

Jordânia dos Santos, faxineira, já sentiu no bolso o problema. “O preço está sempre mudando, mas da semana passada para cá, deu para notar o aumento”, relata. Ela também contribui para o crescimento da demanda por alguns cortes no fim de ano, mas pondera: “Se a carne aumentar demais, tem que mudar hábitos”.

 

Por outro lado, a cabeleireira Eliane Cornélius não costuma acompanhar os preços das carnes. “Tem que comer igual, então eu costumo comprar sempre no mesmo mercado, que tem carne boa, e nem olho muito o preço”, explica. Além disso, ela afirma que, no dia-a-dia, a família consome pouca carne vermelha. No período de festas, no entanto, a situação muda. “Sempre tem uma festa extra”, afirma. Eliane, no entanto, não acredita muito nas explicações: para ela, as empresas aproveitam o período para lucrar mais.

 

Prejuízo por um lado, lucro por outro

Tanto Alex Blau, quanto Hans Röhsig confirmam um movimento desta época que pode beneficiar os consumidores: o consumo dos cortes do dianteiro do boi – as carnes de panela, como agulha e paleta – cai e os preços tendem a diminuir – principalmente através de promoções. Este mesmo cenário acaba por fazer com que os pecuaristas não lucrem mais no período – se eles ganham mais nos cortes nobres, perdem nestas carnes mais comuns. O aumento das exportações, é claro, também é boa notícia para o agronegócio, embora doa no bolso do consumidor final.

 

Pesquisa da Agas confirma aumentos

A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) faz levantamento de preços semanalmente junto a seus associados. Entre a primeira semana de outubro e a primeira de novembro se confirma a tendência de alta nos preços das carnes, com destaque para a costela suína e o coxão de dentro bovino.

 

FELIPE KROTH – felipekroth@jornalahora.inf.br

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