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Jornal A Hora

Expresso Natal

Publicada em 30/11/2019

Por detrás do espetáculo

A cada ano, o Natal de Lajeado surpreende. Faz seis primaveras que a chegada do Papai Noel é esperada por milhares de famílias no Parque dos Dick

chegada do papai noel (124)

A cada ano, o Natal de Lajeado surpreende. Faz seis primaveras que a chegada do Papai Noel é esperada por milhares de famílias no Parque dos Dick. A noite marca o início da programação natalina, que esse ano ocorreu no último sábado, 23, e teve o envolvimento de mais de 180 voluntários.

Com um enredo envolvente, com muita música, dança e encenação, o espetáculo “Expresso Natal: Embarque nessa aventura”, realizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Lajeado deixou como mensagem a importância de acreditar, ter fé e amor.

A apresentação contou a história de uma menina aventureira chamada Eva, que revelou seus sonhos na companhia dos amigos e dos cativantes duendes Alabaster, Mary, Evergreen, Shiny e Pepper. Eva foi interpretada por Paola Rother, 19, natural de Roca Sales.

Paola descreve a personagem Eva como uma menina destemida, que passou por altos e baixos em sua vida, mas nunca desistiu de lutar. Ela transformou cada momento difícil em um desafio e passou por todos eles com um sorriso no rosto e muito aprendizado.

“Participei de várias peças de comédia então meu maior desafio foi me despir do humor e ousar do sentimento que a Eva tinha sobre todas as coisas e pessoas que a rodeavam”, conta Paola.

Ao lado de Eva, outro personagem que chamou a atenção foi Sr. Bacchi, interpretado por Recioli dos Santos, 75, que já havia participado do espetáculo do ano passado. “No teatro a gente não envelhece, por isso gosto tanto de participar. Além de estar com a gurizada, foi muito bacana”.

Melodias que envolvem

Os ensaios de dança iniciaram em setembro e foram coreografados por Alexandre Bitdinger, da Empire of Dance, pelo segundo ano consecutivo. Entre as músicas utilizadas esse ano, se destacam a This Is Me – versão Português (O Rei do Show) e Ring In The Season (Olaf). De acordo com o correógrafo, as melodias são essenciais para dar movimento à peça e torná-la dinâmica.

Foram 23 dançarinos que participaram da apresentação. “Para realizar um espetáculo como esse, é necessário doar-se de corpo e alm.

O cenário

Uma das cenas marcantes do espetáculo foi um trem que desceu do palco e circulou em meio às pessoas, acompanhado de crianças vestidas de anjos, abençoando o menino Jesus nos braços de José e Maria.

O auge da programação foi a chegada do Papai Noel em uma Lua suspensa, enquanto cerca de 10 mil pessoas entoava a frase: “Lua que tudo sabe, lua que tudo vê, para realizar um pedido especial, precisamos de você”.

Tanto a Lua como o trem foram construídos de forma voluntária por um senhor carismático de 72 anos. Faz três natais que Danilo Bertuol, conhecido como “Seu Danilo”, é o responsável por parte do cenário utilizado no espetáculo. O trem foi construído artesanalmente, em madeira e ferro, sobre um chassi de fusca.

Já a estrutura do espetáculo foi elaborada pelo arquiteto Carlos Augusto Ely Spaniol. Ele conta que para aproximar o público da história, foi fiel aos detalhes no cenário. É o caso da estação férrea antiga e abandonada.

O espaço também teve um telão onde passou a história da infância de Eva. A tela foi rasgada com a aparição do trem, e deveria descer logo após a primeira cena da protagonista. Esse foi um dos desafios da montagem do espaço, conforme conta o arquiteto. Além da estrutura com andaimes que deram profundidade e transformação ao espetáculo.

“A mágica acontece unindo cenário, atores, e dançarinos. A gente acaba se tornando uma grande família com tantos meses de trabalho juntos.”, ressalta Spaniol. O arquiteto recebeu o roteiro em agosto, mas já vinha pesquisando referências alguns meses antes. A montagem no local do espetáculo levou três dias.

Feito por voluntários

Com uma hora de duração, o evento compartilhou ensinamentos e a certeza de que o melhor presente que cada um pode dar é aquilo que se é. Diretor geral do espetáculo, Daniel Burghardt foi o porta-voz do grupo. “Nós temos como fundamento da arte que ela precisa mobilizar, instigar e transformar o artista e o público”.

Burghardt também é responsável por escrever uma nova história a cada Natal, com um enredo que não perde a religiosidade e o espírito natalino. Faz seis anos que essa função é sua, ao lado da CDL Lajeado.

A entidade agradece por fazer parte do projeto feito por tantas mãos habilidosas da comunidade regional e parabeniza todos os envolvidos.

Nos bastidores

Com os pincéis nas mãos e a delicadeza e maestria para as maquiagens, as irmãs Nathalie e Luize Fachinetto foram as responsáveis por maquiar mais de 60 crianças que participaram do espetáculo. Todos os duendes e os anjos que fizeram parte do coral passaram pelas mãos delas.

No camarim, iniciaram a preparação às 17h, finalizando às 21h30, enquanto o espetáculo acontecia. “Não assistimos a peça, ficamos o tempo inteiro nos bastidores finalizando as maquiagens, mas foi gratificante ver o resultado”, conta Nathalie.

O espetáculo foi construído por mãos voluntárias e pessoas contratadas de diferentes cidades da região. O que não faltou foi preparação, companheirismo e dedicação. Para o próximo ano, a equipe revela que o enredo já tem seus primeiros esboços.

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