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Publicada em 06/12/2015

Trabalho impulsiona desenvolvimento regional

Lajeado, Arroio do Meio e Westfália lideram Índice Firjan no estado

Crédito: Anderson Lopes/Arquivo Anderson Lopes/Arquivo
Conforme a Agenda 2020, um terço dos empregos em Lajeado é originário da indústria de transformação, setor que também oferece os melhores salários

Os índices de empregabilidade e rendimento per capita asseguram o crescimento dos municípios da região. Divulgado na quinta-feira, o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) coloca Lajeado, Arroio do Meio e Westfália nas três primeiras posições do estado.

A avaliação, referente a 2013, revela que 96,3% dos municípios gaúchos apresentam níveis de desenvolvimento alto ou moderado. As áreas de educação e saúde apresentam desempenho satisfatório em quase todo o estado. É nos índices de emprego e renda que a diferença na classificação se acentua.

Na avaliação da economista e presidente do Conselho de Desenvolvimento (Codevat), Cíntia Agostini, a diversificação econômica é o principal indutor do desempenho regional. “Não dependemos de uma cultura ou cadeia produtiva, por isso, temos bons índices de trabalho formal.”

Os variados setores que compõem o PIB do Vale evitam quedas dráticas no crescimento em caso de problemas em segmentos específicos. Cíntia cita como exemplo a crise avícola motivada pela gripe aviária, em 2010. Na época, lembra, indústrias do setor demitiram número de funcionários, mas parte dessa mão de obra foi absorvida pelos demais segmentos.

Conforme a economista, ao mesmo tempo em que os pequenos municípios fortalecem a economia por meio da produção primária, as diferentes atividades industriais nos maiores garantem empregos para variadas faixas de formação. “Mesmo pessoas com Ensino Fundamental incompleto conseguem vagas no mercado de trabalho do Vale.”

Cíntia ressalta ainda a cultura regional de valorização do trabalho. Segundo ela, 80% das pessoas com idades entre 18 e 24 anos cumprem jornada de 40 horas semanais. Entre os 15 e os 17 anos, o índice é de 60%. “Nosso jovem quer ter seu próprio dinheiro e não precisa sair da região para encontrar emprego.”

Acredita que o índice de trabalhadores informais é um dos fatores responsáveis por reduzir a avaliação de alguns municípios da região. Segundo a presidente do Codevat, nas cidades agrícolas, a informalidade representa boa parte da renda familiar.

“O filho de produtores que arrecadam R$ 8 mil por mês tem uma renda ótima que não é contabilizada. A pessoa tem casa, carro, moto, está estudando, mas não aparece no índice”, avalia. Com relação aos demais indicadores, destaca a manutenção de resultados positivos ao longo dos anos.

“Em outros estudos como o Ideb e o IDH, o Vale sempre alcança os melhores índices na área da saúde”, relata. Na educação, Cíntia aponta crescimento a partir do processo de municipalização do Ensino Fundamental que resultou em aporte de verbas federais nas escolas.

Crescimento populacional

Para a equipe econômica da Agenda 2020, o desenvolvimento do Vale do Taquari se destaca em relação às demais regiões do estado. Para a economista Manuela Lopes, o índice de empregabilidade de Lajeado é um dos principais fatores desse cenário.

“Em 2014, enquanto no RS a média de empregos existentes em relação à população economicamente ativa era de 46%, em Lajeado, chegava a 96%”, enaltece. Segundo ela, 1/3 desses empregos é originário da indústria de transformação.

“Neste setor são pagos os melhores salários para os trabalhadores, elevando a renda per capita do município”, reforça. Outro aspecto destacado pela entidade são os investimentos privados no setor industrial e a melhora no grau de escolaridade do trabalhador.

“São fatores determinantes para o saldo migratório positivo do município”, assegura. Na última década, enquanto a variação da população gaúcha foi de 5,2%, Lajeado teve um incremento populacional de cerca de 17%.  Ressalta a importância do planejamento governamental para suportar o aumento da população. Segundo ela, se por um lado esse crescimento supre a necessidade de mão de obra local, também amplia a procura por serviços públicos nas áreas de educação, saúde e infraestrutura.

Sinais de queda

Cíntia Agostini alerta para o momento econômico para o qual o índice Firjan faz referência. Segundo ela, os números representam um ano em que a economia brasileira apresentou franco crescimento e os próximos estudos devem apresentar resultados inferiores.

De acordo com a Firjan, mesmo em 2013 era possível perceber sinais que antecipavam a queda no desempenho brasileiro. A nota geral do país ficou em 0,7441, aumentando 0,2% na comparação com o ano anterior. Foi o menor avanço desde o início da série histórica, em 2005.

Para a entidade, a média reflete o desempenho negativo nos indicadores de empregos e na renda do país, que recuou 4,3% na comparação com 2012. A previsão para 2015 é de queda acentuada nesse índice, devido à previsão de redução de um milhão de postos de trabalho.

Conforme a Firjan, nos próximos anos, os municípios tendem a ficar à mercê da conjuntura econômica. Com isso, terão menos recursos para expandir e para manter os programas sociais que viabilizaram o avanço verificado nas áreas de educação e saúde.

Indicador

O Índice Firjan avalia o desenvolvimento socioeconômico dos mais de cinco mil municípios brasileiros com base em três áreas: educação, saúde e emprego e renda. Criado em 2008, o indicador é calculado anualmente, tendo como base exclusiva as estatísticas públicas oficiais.

O IFDM
Varia de 0 a 1. Municípios com resultados acima de 0,8 são considerados como de alto desenvolvimento. Resultados entre 0,6 e 0,8 representam desempenho moderado. De 0,4 a 0,6 a avaliação é considerada regular. Municípios com índice menor do que 0,4 têm baixo estágio de desenvolvimento.

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