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Jornal A Hora

Pensar Teutônia

Publicada em 24/05/2016

Colonizadores ensinaram a cantar e encantar

Cidade quer título de Capital Nacional do Canto Coral

Crédito: Arquivo A Hora Mais de 50 grupos de canto coral multiplicam a cultura trazida pelos imigrantes germânicos
Mais de 50 grupos de canto coral multiplicam a cultura trazida pelos imigrantes germânicos

Teutônia é palco de diversas manifestações artísticas. Do teatro à capoeira, diversificaram-se as expressões. Entretanto, as tradições alemãs caracterizam a cidade e rendem prêmios nacionais e reconhecimento internacional.

O título de Capital Nacional do Canto Coral é o mais expressivo pleiteado desde 2012. A solicitação aguarda aprovação oficial do Senado. As primeiras famílias a colonizarem a localidade se reuniam e cantavam para se distrair em meio aos problemas da época. A tradição se mantém nos 50 corais ativos que integram mais de cinco mil cantores.

O Coral Municipal formado há 32 anos gravou o primeiro CD em dezembro do ano passado. O álbum com 12 canções demorou seis meses para ser concluído. Os 20 cantores gravaram as vozes separadas em estúdio. O investimento para as mil cópias foi de R$ 15 mil.

Defasagem muda compasso da Orquestra

Considerada principal produto artístico por representar o município fora do país, a Orquestra Municipal é composta por 19 instrumentistas e dois vocalistas sob a regência do maestro Astor Dalferth. Por ano, realizam em média 60 apresentações. Até o início de 2016, o grupo era subsidiado pelo Executivo. Entre 2009 e 2015, recebeu mais de R$ 1 milhão para manutenção e pagamento aos músicos
No entanto, a Orquestra anunciou desligamento da administração em abril deste ano, por considerar o valor do repasse insuficiente e defasado. Em 33 anos de trajetória, o grupo realizou mais de mil espetáculos, gravou seis CDs e dois DVDs. Além disso, representou a cidade duas vezes na Alemanha e uma no Uruguai.

A Hora – Qual a importância da Orquestra para o município? 
Astor Dalferth – A Orquestra de Teutônia é um dos maiores patrimônios da cidade. É um verdadeiro embaixador de Teutônia. Ao longo dos anos, tornou-se referência na Região Sul, e em seus 33 anos de trabalhos, realizou espetáculos para um público superior a um milhão de ouvintes, seus CDs e DVDs rodam o mundo, e estima-se que mais de cinco milhões de pessoas já ouviram ou viram a Orquestra por meio desses produtos.

A Hora – Qual a maior dificuldade enfrentada com o grupo? 
Dalferth – Quando uma crise se instala num país, um dos primeiros setores a ser atingido é o de shows e entretenimento. Nesse sentido, está um ano muito complicado, mas estamos correndo atrás da máquina, buscando colocar o grupo a trabalhar.

Como ocorreu o polêmico desligamento com a administração municipal?
Dalferth – Foi unânime, com todos os músicos votando pelo desligamento. E eu sei quanto esses valores fazem falta a vários deles, mas a ética e a verdade falaram mais alto. Faltou sensibilidade e respeito por parte do prefeito, vice e secretário da Cultura. A Orquestra sempre esteve à disposição. Desde a sua criação, os músicos recebiam um salário mínimo. O músico não é um super-herói, também pode adoecer, precisa pagar escola para seus filhos, comprar comida, enfim, é um ser humano normal que busca na música, sua profissão, seu sustento e desenvolvimento em todos os sentidos. Espero que o próximo prefeito e secretário da Cultura sentem conosco, para que possamos elaborar um projeto diferenciado.

Orquestra Jovem assume os palcos

O Centro Cultural 25 de Julho prepara jovens para tocar instrumentos diversos. As aulas realizadas em Languiru garantiram que 16 alunos estivessem prontos para formar a Orquestra Jovem.

Desde a ruptura da Orquestra Municipal com o Executivo, o grupo representa o município sob a coordenação de William Bayer, 25. Segundo ele, os ensaios foram ampliados. “Passei a mensagem para eles que tocaríamos em mais eventos, mas nada de extraordinário. Continuamos com nosso repertório diversificado e mais adaptado.”

Vocação turística

Composta por 13 pontos, a Rota Turística Delícias da Colônia colocou Teutônia no mapa regional como uma das cidades mais visitadas. A Lagoa da Harmonia, a 593m de altitude, atrai boa parte dos visitantes. Com oito hectares, trilha ecológica e rampa para salto de asa delta, proporciona passeio bucólico para quem deseja esquecer das atribulações diárias. O local oferece cabanas e suítes para hospedagem.

Eventos esportivos como Desafio da Lagoa, Campeonato Gaúcho de Canoagem e o inédito Fun Run Rock Beer tornam o local ainda mais visitado. O automobilismo também escolheu a Harmonia como ponto para Encontro de Carros Antigos e Importados.

O Centro Administrativo atrai visitantes pelo estilo enxainel. No complexo, também está localizado o Museu Henrique Übel com artefatos históricos da colonização alemã e os instrumentos do Homem-Orquestra.

A Antick Haus Bergann, Restaurante Matinho, Engenho Quatro Ventos, Pesque e Pague Stahlhofer e Artesanato Sapato de Pau são pontos que destacam a cultura germânica e as atividades locais.

Festa de Maio

O evento organizado desde a primeira administração para comemorar a emancipação de Teutônia é outra marca. Nos primeiros anos, os dias de festa reuniam competições, motocross, apresentações musicais, de escolas e sindicatos.

Na última edição da Festa de Maio, as atrações reuniram mais de 70 mil pessoas nos três dias de evento. Para este ano, a organização espera superar as visitas de 2014. A Festa de Maio ocorre de 25 a 29 de maio, no Centro Administrativo.

Projetos a caminho para Centro Cultural

A Associação Recreativa Cultural Artística (Arca), em parceria com a administração municipal, iniciou passo importante para o desenvolvimento da cultura na cidade. O governo cedeu terreno de 2,1 mil metros quadrados próximo ao novo prédio da câmara de vereadores onde será construído o Centro Cultural.

A Arca apresentou as demandas como camarins individuais, salas para oficinas, palco, biblioteca, secretaria e mezaninos a alunos da Univates. Eles farão o anteprojeto que será avaliado pela comissão julgadora. A segunda etapa é a captação de recursos para construção do prédio. O orçamento ainda não foi estipulado, mas a verba deve vir de emendas parlamentares e incentivo federal pela Lei Rouanet. O atual prédio do Centro Cultural 25 de Julho está defasado e não recebe melhorias.

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