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Jornal A Hora

Estado

Publicada em 24/10/2017

“A EGR não deveria ter nascido”

Para Eduardo Leite, o Estado precisa conceder estradas para a iniciativa privada e destinar mais recursos para segurança, educação e saúde

Crédito: Thiago Maurique Ex-prefeito de Pelotas é pré-candidato ao Piratini. Percorreu o Vale ontem, ao lado da vereadora Mariela Portz
Ex-prefeito de Pelotas é pré-candidato ao Piratini. Percorreu o Vale ontem, ao lado da vereadora Mariela Portz

Pré-candidato ao Piratini pelo PSDB, Eduardo Leite esteve ontem em Lajeado. Natural de Pelotas, foi prefeito do município na gestão 2013-2016. O advogado tem 32 anos e é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Pelotas. Na próxima sexta-feira, 27, o pré-candidato pelo PDT, Jairo Jorge, cumpre agenda no Vale do Taquari.

O que te motiva a cogitar a candidatura ao Governo do Estado diante das dificuldades históricas da gestão do Piratini?

Eduardo Leite – Governar uma cidade como Pelotas também não era atraente. Somos a terceira maior cidade do estado, mas apenas a nona em orçamento. Somos polo de uma região com muitos problemas econômicos e uma grande demanda. A cidade tem quase a metade das ruas urbanas sem pavimentação, uma grande área rural e dez mil servidores públicos. Então, sei bem como é governar na dificuldade. O que aprendi na minha vida política não é sobre estar tudo bem. É sobre ter rumo e seguir numa direção.

Hoje, o atraso nos salários do servidores se tornou uma das questões mais críticas da gestão. Como sanar o desequilíbrio fiscal do RS?

Leite – A situação fiscal é crítica e estrutural. Temos que fazer medidas de ajuste fiscal, que o governo atual deixou para o final do mandato, o que dificultou as aprovações no Legislativo. Deveria ter proposto antes. Acredito que a questão dos salários não foi conduzida corretamente. Os servidores precisam receber, tem que ser prioridade. Em Pelotas, temos muitos servidores, e estruturando nossas contas conseguimos adiantar os pagamentos aos servidores. Organizamos as contas públicas por meio do provisionamento das despesas líquidas e certas, como salários e financiamentos. Fizemos, num primeiro momento, um ajuste duro e forte que nos permitiu ter recursos para investimentos. Inclusive nos permitiu ganhar dinheiro, fazendo aplicações financeiras. Pelotas atingiu o melhor indicador da sua história no índice Firjam em função desse trabalho.

É possível investir na infraestrutura do Estado? Como?

Leite – Hoje o governo só trata da questão fiscal e não trata de outros assuntos que seriam fundamentais. O investimento em infraestrutura é um deles. Se o Estado não tem recursos, só podemos fazer esses investimentos por meio de parcerias com a iniciativa privada. Com planos de concessão rodoviárias que permitam esse investimento. É conceder estradas para duplicar, recuperar, conceder acesso asfáltico e assegurar a manutenção. O custo de não ter as estradas em manutenção é infinitamente maior do que pagaremos em pedágios. Porque se não tivermos capacidade logística perdemos investimentos. As empresas estão deixando o RS porque não aguentam mais o peso de um Estado que não oferece estrutura logística, tem uma burocracia enorme e uma carga tributária pesada na comparação com outros estados.

Qual sua opinião sobre a EGR e o impasse em torno dos pedágios?

Leite – A EGR não deveria ter nascido. É preciso ter a capacidade de enxergar que o que é público não precisa necessariamente ser estatal. Precisamos de uma boa agência reguladora, um bom termo de concessão, com modelagem bem definida para definir toda a política de investimentos e para poder negociar preços melhores. Porque o Estado é ineficiente em função de todo o engessamento que a legislação lhe impõe, por isso, precisa regular e fiscalizar, mas não sendo o operador.

Que política seria capaz de melhorar o nosso sistema de segurança pública?

Leite – O Estado tem que focar nas prioridades. Por isso, conceder para a iniciativa privada o que não é prioridade e focar no que realmente interessa ao cidadão, que é segurança, educação e saúde. Manter a ordem e possibilitar o convívio harmônico entre pessoas em um mesmo território é o que legitima o Estado. Mas o Estado falha nisso porque, diante da intenção de cobrir tudo, divide foco e dinheiro em diversas iniciativas. Toda escolha representa uma renúncia. Temos que investir no sistema penitenciário, que é muito precário e está na mão das facções. Havia um modelo de parceria público-privada para construção de presídios que precisa ser retomado. Precisamos de investimento de inteligência e aumento de efetivo. Passa também por investimento em prevenção e tecnologia. Teremos que investir na segurança porque é estratégia de desenvolvimento. Não temos como atrair investimentos e manter talentos sem segurança pública.

O discurso de priorizar educação, saúde e segurança é repetido por quase todos os políticos, inclusive da atual gestão. Porém o descrédito da população está cada vez maior. Por que acreditar em Eduardo Leite?

Leite – O descrédito tem razão de ser, pois vemos uma série de escândalos em âmbito nacional e a frustração da entrega para a população. A primeira coisa para recuperar crédito na política é a absoluta transparência e franqueza no processo eleitoral. Não dá para ganhar uma eleição sem dizer o que vai fazer e tomar medidas duras. Se a solução para o RS passa por medidas polêmicas, é preciso ter condições de explicar e esclarecer isso para a população no processo eleitoral. Tem que viabilizar primeiro a legitimação de um projeto político para depois colocá-lo em prática. Acho que a população se deu conta que esse modelo de quem promete fazer e resolver tudo, acaba não fazendo nada direito. É preciso ter um projeto claro.

Thiago Maurique: thiagomaurique@jornalahora.inf.br

 

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