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Agronotícias

Publicada em 24/08/2019

Expointer: vitrine de valor do campo

Empresas e agroindústrias familiares da região projetam bons negócios na 42ª Expointer, em Esteio. A maior mostra agropecuária da América Latina é vitrine para divulgação de novos produtos, serviços e busca de conhecimento

Crédito: Giovane Weber/FW Comunicação e divulgação A família Pflugseder apresenta os derivados de suínos produzidos na agroindústria, com destaque para a linguiça
A família Pflugseder apresenta os derivados de suínos produzidos na agroindústria, com destaque para a linguiça

Até domingo, dia 1º de setembro, os 141 hectares do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, recebem mais de 400 atrações, incluindo o melhor da genética agropecuária, inovações em máquinas e implementos agrícolas e a diversidade da agricultura familiar e do cooperativismo gaúchos.

Segundo o secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Covatti Filho, o setor agropecuário é responsável por cerca de 40% do PIB do RS, o que faz da Expointer referência para o país.

Durante a feira o Estado será palco de grandes debates do agronegócio, com especialistas e autoridades para discutir temas como a extinção da necessidade de vacinação da febre aftosa, acordo Mercosul-União Europeia para a eliminação de tarifas para produtos agrícolas e a reforma tributária. “Tenho certeza de que neste ano vamos superar os R$ 2,3 bilhões em negócios da edição passada e o público de 370 mil pessoas”, afirma Covatti.

Otimismo na estreia

Entre os 316 espaços disponíveis na 21ª Feira de Agricultura Familiar, estará a agroindústria de embutidos de São Bento, Lajeado, da família Pflugseder. No empreendimento administrado por Janete, 48, Milton, 50 e o filho Alã, 20, são fabricados linguiça mista e pura de carne suína, torresmo, salsichão caseiro, costela e lombo defumados.

 Um das novidades expostas na feira será a colheitadeira de arroz. Com 425 CV, a CR. 7.90 é a maior do Brasil
Um das novidades expostas na feira será a colheitadeira de arroz. Com 425 CV, a CR. 7.90 é a maior do Brasil

Janete está ansiosa e otimista. Para ela, será a oportunidade de mostrar ao público a qualidade e o sabor único dos produtos. “Queremos fazer as pessoas conhecer, experimentar e quem sabe depois abrir novos mercados, principalmente para Porto Alegre”, projeta.

Por mês a quantidade de matéria-prima processada alcança 1,2 mil quilos. “Nosso diferencial está na qualidade. Todo processo é feito aqui, desde a produção de milho para fabricar a ração, a engorda dos animais, abate, beneficiamento e venda direta”, explica.

O empreendimento surgiu faz 11 anos. No entanto, para chegar ao patamar atual muitas dificuldades foram superadas. Em janeiro a agroindústria recebeu o selo do Susaf, o qual permite a venda fora dos limites municipais. “Investimentos mais de R$ 200 mil em adaptações e melhorias. Com isso no primeiro mês nossas vendas já aumentaram em 40%”, calcula.

Mudança de perfil

A região terá 41 produtores, entre agroindústrias, artesanato e plantas ornamentais. Para o assistente técnico regional da área de Organização Econômica da Emater/RS-Ascar, Alano Tonin, entre as vantagens de estar na feira cita a possiblidade de venda direta, ter contato com milhares de pessoas e potenciais clientes no futuro. “Além de divulgar o produto, é possível obter um retorno sobre a qualidade, muito importante para aprimorar o processo”, observa.

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Entre os produtos a serem comercializados destaca sucos, vinhos, doces, bolachas, cucas, queijos, mel, embutidos, cachaças, licores, geleias, conservas entre outros. “Quase dobramos o número de espaços disponíveis no ano passado e todos tiveram boas vendas. Isso devido à qualidade e pela mudança no perfil do consumidor. Ele procura cada vez mais produtos artesanais, quer comprar direto do produtor, conhecer a história das famílias e como os produtos são fabricados”, afirma.

A região já possui 232 agroindústrias cadastradas no Programa Estadual de Agroindústria Familiar (PEAF) e destas 135 já legalizadas. Todas recebem acompanhamento técnico da Emater.

Do Rio Grande do Sul, serão 247 agroindústrias e 65 empreendedores nas áreas de artesanato rural, plantas e flores. Ao todo, 139 municípios do estado estarão representados no local.

Tecnologia para reduzir os custos

O presidente do Sindicato da Indústria das Máquinas e Implementos Agrícolas do RS, Cláudio Bier, estima um crescimento em negócios na ordem de 5% sobre o ano anterior, quando foram comercializados cerca de R$ 2,2 bilhões. “A Expointer é a grande feira do segundo semestre e estaremos com muitas novidades, diversos lançamentos, novas tecnologias”, aponta.

A opinião é compartilhada pelo gerente comercial da Líder Tratores, com matriz em Cachoeira do Sul e filial em Lajeado, Gabriel Cardoso. Para justificar a expectativa de boas vendas, cita a abertura do Plano Agrícola com liberação de crédito pelos bancos, o estoque de grãos por parte dos produtores e a necessidade de obter cada vez mais eficiência no campo.

“Quem deixar de investir na agricultura de precisão em breve estará fora do mercado, pois ela possibilita reduzir custos, evita desperdícios e amplia a produtividade”, argumenta.

Entre as novidades destaca o lançamento de uma colheitadeira (CR 7.90 arrozeira e 100% rotor), potência de 425 CV, a qual permite colher tanto arroz como soja. É a maior máquina para colher arroz no Brasil e alcança até 28% mais produtividade em comparação com as demais, afirma.

Ainda será relançado um trator (T7) com potência entre 197 e 234 CV, além de uma enfardadeira Roll Bailer, de grande capacidade.

Bons negócios

Para o supervisor de vendas da Tratorpeças Mário, representante Concessionária Case IH, de Lajeado, Fernando Luiz Hammes, a perspectiva de negócios é otimista. “A oferta de crédito aliada a falta de mão nas propriedades faz o produtor buscar equipamentos e máquinas cada vez mais potentes e tecnológicas. Isso traz eficiência e reduz custos, além de garantir mais produtividade na lavoura”, comenta.

Durante a feira serão apresentados os novos modelos de tratores da linha Farmall, nas potências de 80, 90 e 101 CV, motores de 4 cilindros, turbinados e intercoolados, cujo valor varia de R$ 114 mil a R$ 200 mil. Estes podem ser financiados em até 7 anos com juros que variam de 4,6% a 8,5% ao ano.

Conforme Hammes, muitos produtores deixam para comprar na feira, tendo em vista as novidades e preços mais atrativos. “A expectativa é boa, devido ao volume de vendas que já vem se confirmando desde janeiro e ao número de visitantes esperado para a exposição”, projeta.

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